quarta-feira, 2 de maio de 2018

• #TeamSevak

I consider myself to be a citizen of the world. I don’t know if I’m really a true one, but I always try my best to become that way.

Saying about oneself that one is, in fact, a citizen of the world is although not enough. One has to find what is his place in this world. What is his main mission in life. Or missions. Some smaller ones than this greatest one.

These last few days and until the 12th of the current month I’m taking a break on what I could call “my normal life”. That is, if my life could even once be seen as something normal, let's say...

I’m currently a volunteer in the ESC, Eurovision Song Contest. This year, 2018, the thing is held right here in my once dear hometown, Lisbon.

My role is to be a “delegation host”. I have to give all the support I can to a certain country delegation, on their trips from or to the airport, hotel, venue, blue carpet* and tours that are previewed these delegations to do.

But what’s a delegation, one may ask himself?… To put it in a simple way, it’s the group of people each country brings to participate on this event.

I was slightly wishing and hoping to be chosen to be the host of these few countries… Estonia, Finland, Poland, Ukraine, to be precise. By this order of preference. And this is a long story to be told here and now.

But the universe or some divinities, in their good wisdom, put me side by side with these Armenian folks, that are all around and behind their somehow symbolic singer, a certain Mr. Sevak Khanagyan. Fine!...  :-)

They’re alright… They’re friendly people. Unpretentious. Looking at them, each and every one of them, they seem to try as hard as myself to be this ideal citizen of the world.

They can perhaps feel a little bit tense to be quite far away from their homeland, where nowadays the people in the streets of Yerevan are experiencing what they call the Velvet Revolution...

Sevak himself, as well, seems to be a fine guy, with the looks kind of like a brave cossack. And not at all a male diva**.

His peculiar song, Qami, in my opinion has a certain… power. Like an hymn. A gospel hymn.

Far from being like the typical song one can expect on this show. Perhaps the show with most viewers, on a worldwide basis, they say…

The typical song in this event, the Eurovision Song Contest, my experience says it’s usually a “dumb song”. Without any important message. Without feelings. With a choreography that tries to be as original, never seen before, as possible, at any cost.

Qami means “Wind”. Its lyrics can be read clicking here, in English and, originally, in Armenian, this so forgotten language.

As in last year winning song, there’s something in the lyrics that I would like to think it was written like if the composer knew how my past love life has been. 

“What’s the cost of a madman’s wounds
Your love has opened,
Imprisoning my existence within.”

If our good friend Sevak will reach the final, my hopes on mankind will be given an impressive boost.

I will pursue watching, since last year, this big event, the Eurovision Song Contest, with a different perspective.

And I think I will probably start to travel the whole world, to resume this perpetual search for my place on it.
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* This blue carpet thing is kind of a “walk of fame” on a carpet which is not blue but red, as in the Oscar. Go figure it out…

** I said so because divas don't have to be always of a female kind. There can be such things as male divas, as well.

To listen to the very obvious original soundtrack related to this post, just click here.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

• No xadrez

Eu, um cidadão rasca, conheci - pela primeira vez na minha pacata vida - na passada terça-feira o que é estar no xadrez.

No dia anterior, neste ligeirinho viver de faz-de-conta, tinha vestido a pele e a bata limpa de um cirurgião. Depois, foi o fato-macaco sujo de um presidiário.

Isto passou-se numa velha e decrétita penitenciária desactivada, a cair oas bocados, o Estabelecimento Prisional de Santarém. Foram apenas umas horitas. Mas deu para perceber bem o que são existências humanas arrecadadas atrás de muros altos e longe dos olhares dos cidadãos livres que passeiam na rua do lado oposto desses muros.

Dias, meses e anos que se devem perder inutilmente, de tantos seres humanos. Tudo isto sujeito a uma ordem pública que sobre todos nós exerce o seu poder que o rebanho, digo a sociedade, não questiona.

Bom, mas estas singulares experiências - que me são proporcionadas por esta minha livre auto-gestão de um viver como folha caída ao vento - são extremamente prazeirosas. São uma óptima fuga a uma rotina arrebatadora. 

São aprendizados muito benvindos, que me fazem reflectir e crescer.

Mais uma vez, toda esta "situação" foi ao serviço da Plural, para a telenovela “Jogo Duplo”, da TVI. 

O meu obrigado a todos que me dão estas oportunidades de despir a minha pele e vestir outra, de brincadeirinha e sem consequências de maior gravidade e prejudiciais de uma tranquilidade zen, que sempre persigo com afã.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

• Um aplauso à criatividade

Hoje venho aqui fazer um necessário aplauso à criatividade. 

Digo necessário porque é mister incentivar a criatividade quando esta aparece na política. Os políticos são hoje em dia tão previsíveis, tão dentro da linha, tão fiéis ao que os correligionários de cada partido esperam e querem ouvir… Ao que estão habituadíssimos a ouvir.

Aplaudo este cartaz do Bloco de Esquerda, que se foca nessa suposta crise que a gestão privada do serviço público dos correios terá criado. Não há aqui um discurso diferente, certo. Mas há algum humor. O que é raríssimo. E não doentio.

Para que haja uma referência do antes e do depois, reproduzo aqui ao lado o logotipo oficial dessa empresa outrora pública, que anacronicamente ainda se denomina de CTT, Correios Telégrafos e Telefones.

Um dia no Aeroporto de Lisboa, ao despedir-me de uma boa amiga minha de volta para a sua Hong Kong natal, eis senão quando ela quis despachar um postal pelo velho snail mail. Ao chegar perto do balcão, exclamou ela com algum espanto:

- Are you sure this is actually the post office?… Seems a lot like just another souvenir shop.

E ela tinha toda a razão. Não parecia muito uma típica estação de correios de outros tempos. Havia ali à venda livros, artigos de artesanato, de luxo, etc… E hoje nos correios temos também um serviço de banco, uma seguradora e o que mais vierem a inventar para ocupar os seus funcionários.

Dito isto, estou-me nas tintas para o que quiserem fazer deste bem antigo serviço público. Por mim, podem fechar todas as estações de correios. Já há muito que não sou um cliente assíduo. O tempo em que tinha montes de penpals de todas as partes deste mundo com quem trocava correspondência às carradas findou há mais de 20 anos.

Mas o cartaz desta campanha do BE está giro!… Tá bué giro, mesmo.  Arrancou-me um breve sorriso quando o vislumbrei assim de repente, caminando por la calle.  ;-)
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Nota: para ouvir uma banda sonora original relativa a este post, clicar aqui. Verão que não tem nada a ver, é verdade… Mas numa pesquisa rápida no YouTube não encontrei nenhum tema musical relevante dedicado a “post office” ou a “correios”. E esta canção tradicional tunisina fica no ouvido e eu queria partilhá-la, à viva força.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

• Shithole countries

“Why are we having all these people from shithole* countries come here?” 

Este foi o alegado e singular input que Donald Trump terá escolhido fornecer para a discussão. É bem plausível, condiz na boa com o seu perfil de incendiário.

Não seria difícil esclarecê-lo, usando o seu próprio estilo. Era só confrontá-lo com isto:

“Well, in the first place, because actually they are indeed shithole countries. So, people need to leave them. And either we welcome some of these people to our country, the United States of America, or we help these countries to stop being shitholes, so people won’t leave them.

And by the way, people from not so much shithole countries, like Norway, won’t be tempted to come to America, even if we invite them. it’s useless. They are way much better in their own countries. America, if you ask my opinion, starts to stink nowadays…”

Eu vivo num país que não se livra de eu o achar um país de merdelim. Para não ser muito duro, ou um trumpiano básico, e dizer merda. Mas será que eu o trocaria pelos USA?…

Nááá!… Pelo Canadá, talvez. Pela Suíça, provavelmente. Pelo Japão, por uns tempos, sim. Pelo norte de Itália, porque não? Pela Tailândia, apesar de tudo, vá lá. Pela Costa Rica, por ser um dos países mais felizes do mundo. Mas pelos States, não.

Podemos até considerar que os Estados Unidos da América não são um shithole country. Mas uma larga maioria dos seus cidadãos tem uma vida de merda. 

Uma vida tão miserável em que um consumismo desenfreado, absurdo e induzido os empurra nefastamente para alguns escapes, como é exemplo o pecado da gula. E eles engordam que nem porcos de suinicultura intensiva. 

Até os seus cérebros se tornam adiposos. E, consequentemente, estúpidos. Maleáveis. Permeáveis a todos aqueles - parecem ser mais que as mães... - chico-espertos yankees que sabem que em terra de cegos quem tem olho é rei e sobretudo sabem usar esse facto para engordar a sua conta bancária à custa dos outros parolos.

Pior é que com a sua inata ganância, querem sempre impingir as suas tretas** aos outros,.Começando por nós, europeus, por nossa triste sina. E alguns de nós, que deviamos ser mais inteligentes, até engolem muito passiva e inconscientemente as patranhas desses mucho greedy sofistas do novo mundo...

A quase todos a circunstância de terem o presumível privilégio de haver nascido e viver naquela que todos aceitamos como sendo a maior potência mundial cega-os. E aquela infeliz história do “America first” ainda vai ditar a sua queda a longo prazo. 

Afinal, para o bem ou para o mal, partilhamos todos este mesmo planeta. Esta casa comum. E se um dia o resto do mundo vos virar as costas e vos deixar a falarem sozinhos, depois não te queixes, America!...
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* Definition of “shithole”, by Oxford Dictionaries: an extremely dirty, shabby, or otherwise unpleasant place (noun). 

Confere. Bate certo. Não deve andar longe da verdade para certos países. A bem da humanidade, deviamos todos ajudar tais países a sair dessa condição. E vamos deixar de os chamar assim. Não é bonito. Para além de que deviamos olhar um pouco mais para dentro das nossas próprias fronteiras.

** Tretas essas a que eu costumo apelidar de "americanalhadas".

domingo, 31 de dezembro de 2017

• A passagem de ano

Não há um “Antes e Depois” na noite de passagem de ano. Nada muda. Absolutamente nada.

É só uma paragem forçada. É um virar de folha de calendário igual ás outras todas mas que queremos, por convenção, que seja diferente de todas as outras. À força toda.

Os verdadeiros “Antes e Depois” tanto podem acontecer no dia 31 de Dezembro como no dia 1 de Janeiro como em todos os outros 363 dias do ano.

Um grande incêndio, a descoberta de uma nova mina de ouro ou diamantes, um terramoto avassalador, a definitiva cura ou erradicação de uma doença, um tsunami diluviano, uma revolução social, o nascimento de um novo Messias…

Tudo isto pode sobrevir em qualquer altura. O destino não espera por datas específicas determinadas pelos humanos. 

E por falar em nascimentos… Cada nascimento, happening feliz, implica anos mais tarde uma morte a mais, evento infeliz.

Todos ouvimos no dia 1 de Janeiro as notícias de quem foi o primeiro bebé do ano. Mas já alguma vez ouviram uma vez só algum noticiário que nos informasse quem foi o último homem a falecer o mais perto possível da meia-noite dum dia 31 de Dezembro? A última morte do ano que também morre num segundo?…

Ninguém desejará ficar em último lugar nessa corrida. Até porque ninguém dará pela sua partida. São os falecidos em que menos gente repara. Estamos todos distraídos a olhar fixamente para os ponteiros do relógio. Que não se mexem de forma nada diferente do resto do ano, afinal de contas…

Nada muda nesse segundo em que se atingem as 24 horas de 31 de Dezembro e começa um novo ciclo com o mesmo número de horas, exactamente igual.

Mas as pessoas querem todas parar para sonhar uma beka. Deixemo-las pois festejar e crer na ilusão que algo vai mudar sem a sua própria acção e determinação. Que haverá algum dedo divino mais atento ao calendário, quiçá.

O pior é que os actos divinos costumam ser caprichosos… Tanto dão para um lado como para o outro. Tanto nos podem bafejar com alegria desmedida como nos dar provas que shit happens, too. De quando em vez. E em grande.

Para mim, tudo mudou, há dois anos atrás. Não no dia primeiro do ano mas quase a meio desse 2015. E ainda tive de esperar o princípio do último trimestre para essa mudança se materializar.

Portanto, o “Antes e Depois” de cada um de nós não tem de ser obrigatoriamente na noite de passagem do ano.

Mas a malta quer toda fingir na vigília dessa madrugada que vai correr tudo bem daqui para a frente, não é?… Vamos lá então fingir, pois!…  

"Populus vult decipi, ergo decipiatur", já lá dizia Quintus Aurelius Stultus, senador romano...

Eu só queria mesmo - já agora que é noite de formular desejos - era ter esse alguém a meu lado com quem mais gostaria de partilhar uma flute de champagne. Ou um belo dum hot glõgi.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

• Per una Catalunya lliure

Vai ser na próxima quinta-feira, dia 21, que um novo 1º de Dezembro pode ter uma reprise. E desta vez sem ser necessário defenestrar um qualquer Miguel de Vasconcelos.

Menos mal. No anno da graça de Mil Seiscentos e Quarenta não havia cá referendos. Eram tempos mais bárbaros. Hoje as coisas podem resolver-se com papelinhos enfiados em urnas.

Ainda que actualmente possamos parecer mais civilizados e sobretudo democráticos, persistem contudo umas pequenas bizarrias. Como delitos de opinião poderem condenar um homem a 30 anos de cadeia no país aqui ao lado de nuestros hermanos, por supuesto.

Não entendo como é possível que a lei fundamental de Espanha, a sua constituição, blinde a possibilidade das diferentes nações que a compõem, qual mosaico, julgarem unilateralmente acerca do seu destino. Como é que tal regra foi aprovada?… Como é que não a contestam hoje?…

Eu ao menos não ouço essas vozes, se é que existem. Nem essas lá em Barcelona, nem outras que deveriam clamar aqui em Lisboa pelo seu apoio por uma Catalunha livre… Então nós tivemos direito ao nosso 1640, à nossa restauração da independência face a esses reis Felipes merengues e não se ouve nenhum tuga dizer de sua justiça que os catalães deveriam merecer o mesmo?…

Só se ouve por aí alguns lusos hipócritas rosnar que uma Catalunha independente seria prejudicial para a saúde da economia!… Dessa maldita economia que tanto nos determina.

E será que isto seria mesmo mau? E se a seguir fosse o País Basco, a Galiza, a Andaluzia e outras mais nacionalidades mantidas em letargia por Castela? E se Espanha se transformasse numa nova Jugoslávia que implodisse?

Num tal status quo as várias novas nações peninsulares olhariam para Portugal como o mano mais velho que se emancipou há mais tempo. E as relações comerciais e culturais entre os diversos povos da Ibéria sofreriam um boost fantástico.

Mas é claro que se algum importante membro da nossa sociedade alfacinha - sobretudo se algum político, no poder ou na oposição - se pronunciasse a favor de Carles Puigdemont, logo o Rei de Espanha actual teria de imitar o seu progenitor gritando de ladecos para trás das suas espaldas “¿Por qué no te callas?”.

Puigdemont nunca se poderia ter exilado aqui sem nos comprometer com este outro Rey Felipe do séc. XXI. O homem teve mesmo de ir para a Flandres, claro. Que por acaso também já soube o que era estar sob o jugo espanhol…


Eu cá sou apenas uma reles formiguinha. E por isso me permito escrever aqui neste pequenito púlpito que eu sou per una Catalunya lliure.

E que um dia num futuro não muito longínquo a terra do meu avô paterno - que eu nunca conheci, pois deixou este mundo quando o meu pai tinha a provecta idade de nove anos -, Santiago de Compostela, também tenha o seu destino apenas nas suas mãos.