segunda-feira, 28 de outubro de 2019

• This sunshine...

“I hate to be leaving this sunshine, this bright daylight!…”
I’ve heard this from one of the passengers on the car I was driving*. From a londonian lady that was about to fly back to her city. I was almost dropping her off at the Lisbon airport Terminal 1.
“This sun warmth, you can feel it up to your bones.”, she added to another female colleague of her in the back seat of my fancy and new black Mercedes E Class, both of them.
These two ladies had just finished to participate on an international event that had been promoted by the Lisbon City Council, named “World Cities Culture Summit Lisbon 2019”. 
I may be fed up of living here in the so called “sunny Lisbon”. I sure would like to live elsewhere during the summertime. I would like to live much closer to the one I love, even if not with her under the same roof, anymore.
But that doesn’t make me forget that I still live here, in what might be one of the most popular tourist destinations in the whole world, if not the most popular of them all, in terms of city break destination.
We can see happiness stamped in the faces of the hordes of foreigners that fill up the streets in the center of Lisbon, at every hour of the day and night.
This city is no longer the same without them. We need them like a garden needs flowers to be spread all over it. We need them to make us locals remember that we live in a quite cool piece of paradise.
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* I’m a limo driver, sometimes, folks. Other times I play another one of my roles in this global society, being a tour guide.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

• Já acabou? Mas...

No calendário, o Verão acabou. E eu nem dei por ter começado.

Por mim, tenho esta crença que ainda havemos de ter neste final de Setembro - já dentro do período oficial do Outono - e a entrar por Outubro e Novembro vários dias, senão mesmo semanas, de um calorzinho gostoso.

Mais gostoso ainda quando vem nesta época do ano. E ainda mais por não o termos sentido nos meses em que era suposto ter dito presente.

E porque tenho esta fé que vamos usufruir de tempo quentinho em breve, é uma lástima que as piscinas públicas municipais ao ar livre já estejam encerradas. 

Chega a 15 de Setembro e é sempre assim. As aulinhas arrancam e os municípios declaram o verão concluído. Os putos já não poderão frequentar as piscinas porque estão fechados nesses campos de concentração chamados escolas. Portanto, não vale a pena manter as piscinas abertas, porque ficarão vazias de gente.

Errado!... Acontece que a 15 de Setembro ainda há muito boa gente que quer apreciar férias estivais tardias. Que é quando estas sabem melhor. E ainda há tanto turista que deve achar um absurdo piscinas fechadas com este verão que se arrasta por mais dias aqui nestas paragens do que nas suas setentrionais terras de origem.

O que me vale é que alguns hotéis mantém as suas piscinas abertas, fazendo render o peixe até bem mais tarde. Porque os seus hóspedes assim o devem exigem. Cheios de razões.

A mim, que deixei este último verão - que em 2019 resolveu passar no anonimato - fugir-me debaixo dos pés sem o ter podido aproveitar minimamente, sem tomar um único banho de mar, o que me resta agora é rumar áquela saudosa piscina da minha infância: a do Hotel das Arribas, na Praia Grande, em Sintra.

O que conto cumprir já… amanhã.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

• Feias?…

No domingo passado estive pela tardinha a descontrair num parque. No Parque da Cidade de Loures ou Parque Adão Barata. Nessa cidade de Loures, considerada uma mais entre “As 10 cidades mais feias de Portugal”. Junto com a minha pobre Odivelas.

Assim de repente prenderam a minha atenção um pai e seus dois filhos brincando com uma bola de futebol. Eles são russos. Eu sei disso porque os ouço falando. Não são turistas. São migrantes. E eu sinto-me bem por ver que eles parecem bem felizes por estarem a viver aqui, neste seu país de acolhimento.

Os miúdos vestem ambos camisolas do Barça. Um com Neymar escrito nas suas costas. E o outro com Messi e o braço esquerdo ao peito. Mas isso não o faz correr menos do que o primeiro.

O sol brilha nessa tarde em Loures sem ser abrasador. E todas as pessoas neste parque parecem também felizes como aquela família eslava. Será justo então atribuir à cidade de Loures o rótulo de feia?…

Hoje nesta Tugalândia as cidades, feias ou não, estão a tornar-se em torres de Babel. E isso é tão melhor do que se continuasse a ouvir apenas a língua portuguesa pelas suas ruas. E sobretudo nos seus parques. Porque nas ruas até pode não ser bem assim, mas nos parques somos mesmo todos filhos de um mesmo deus.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

• Cortesãs

Madrugada do último sábado para domingo. Estou a cumprir um serviço de motorista à disposição total 24 horas para três cavalheiros. Vindos dum país da África equatorial rico em petróleo. Um deles é ministro, os outros dois seus assessores. 

Graças a estes clientes dessa noite, estou a tirar um doutoramento* instantâneo sobre a vasta oferta lisboeta de casas de strip... Até já sei os horários de cor e salteado!... Para saber quanto vão durar as secas.

São quase quatro da manhã. Espero dentro duma van Mercedes classe V preta com vidros fumados que os meus cavalheiros se divirtam como bem podem ou à grande e à francesa dentro dum antro que dá pelo nome de Paquiderme Albino.

Reparo nos vários usuários dessa casa engraçada que entram e saem desta amiúde. Regra geral, são uns senhores meio grisalhos, acompanhados por meninas vistosas no trajar e na beleza corporal.

Como me estou a sentir nesse árduo turno nocturno como uma prostituta do volante, enceto a imaginar como serão afinal as rotinas laborais destas raparigas. Já que não tinha sono e havia que ocupar a mente com alguma actividade.

Vem-me à memória um poema dum autor que admiro. Este, que transcrevo abaixo:

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a croa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.

…de Manoel Maria Barbosa du Bocage,
para quem faltou a estas aulas na escolinha.

Subitamente um dos meus bons rapazes vem cá fora, chega perto do nosso veículo e solicita-me que me comece a mexer com este.

Os clientes eram em número de três... E as Nises também. A paródia dentro da Viano foi assim a seis. Porque eu cá não tive direito a nada. Aliás, era minha prioritária missão transportar toda esta gente com a conveniente rapidez e em segurança até ao design hotel de cinco estrelas onde os moços se hospedavam, com todas as realescas mordomias a que têm direito, por supuesto.

Uma vez lá chegados, dispensaram os meus serviços até ao fim desse turno. De modo que pude recolher também aos meus caseirinhos aposentos. Que a noitada seguinte poderia ser mais do mesmo. E era mister que eu proporcionasse a mim mesmo algum repouso do guerreiro. Ou da ama seca de adultos. Dito assim para ficarmos por aqui nesta peculiar saga. Ou antes, dantesca comédia divina. Ou de humanos costumes.

Que não se veja neste arrazoado todo qualquer juízo de valores. Até porque eu serei porventura um dos últimos moicanos à face da Terra a ter moral para fazê-lo.

E “prontes”… Esta é a minha vidinha. Podia ser pior.
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* Um dia ainda me especializo a organizar tours nestas andanças vespertinas… Why not?…

terça-feira, 25 de junho de 2019

• Smartphone zombies

Smartphone zombies - também designados smombies, neologismo criado numa recorrente aglutinação destes dois vocábulos anglo-saxónicos iniciais - são uma abjecta praga dos tempos modernos.

Ainda eu me julgo um cidadão rasca… Mas há quem abuse mais do que eu da rasquice. 

Eu também posso passar por um smartphone zombie, por vezes. Quando estou a tomar o café matinal na cafetana de meu costume pessoal. Aí dou azo à minha faceta anti-social, fechando-me na minha concha e vidrando-me no meu telefone móvel*.

Creio no entanto que sou capaz de reconhecer quando este acto se começa a tratar de uma adição e sei quando parar. Mas a maior parte das pobres alminhas com que nos cruzamos em transportes públicos - nomeadamente no Metro, do qual sou um bom utente, ainda… - não conseguem ganhar essa consciência. E não sabem quão ridículas se tornam. O que vale é que o ridículo não mata...

Há mais vida do que aquela de que são espectadores nos écrans dos seus celulares!… 

Há tanta vida a acontecer ao seu redor. Tanta gente bonita que lhes passa despercebida. Porque dispensam tanta da sua preciosa atenção a mensagens em grupos de WhatsApp que quase só servem para partilhar boçalidades? Ou posts vazios de um real interesse de mânfios que nem bem conhecem no Feicebuque?

E se não são mensagens ou posts em redes sociais, porquê tanta conversa jogada fora no caminho de regresso a casa, com o telelé sempre colado ao ouvido? Ou pior, com o auricular. Parecendo mesmo uns tontinhos que estão a falar sozinhos. Solilóquios sempre vociferados em altos valores de decibéis...

Para quê tanto treco-lareco inútil?… E porque é que todos ao lado têm de gramar com detalhes parvos de vidas alheias? Porque é impossível muitas vezes abstrairmo-nos completamente desse ruído ambiente…

Há que introduzir nos currículos escolares a aprendizagem do uso racional das novas tecnologias, sobretudo desse objecto ainda tão novo que é o telefone móvel. Antes que venha a ser tarde demais. Antes que venhamos a ser todos rascas demais.
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* A palavra “telemóvel” não consta do meu vocabulário. Afiançaram-me um dia que tal designação seria uma marca registada dum antigo operador de rede móvel, a TMN, e que não deveria ser usada pelos outros operadores. Ao invés uso a expressão “telefone móvel”. Mas devo ser o único…

terça-feira, 28 de maio de 2019

• Como votou um cidadão rasca

Nestas últimas eleições europeias sinto por uma primeira vez que ganhei. Que apostei no cavalo certo.

Votei no fofinho PAN, Pessoas, Animais e Natureza

Creio que nunca antes tinha sido este partido a minha escolha. E a minha filhota também, talvez por ter colada a ela a alcunha de "raposinha", herdada da sua mamã.

Em eleições “a sério” não vou por aí. Boto sempre a cruz no quadrado do mui nobre Partido Socialista. Mas em autárquicas e europeias dou à minha tão conturbada mente liberdade de voto. O Bloco de Esquerda e o Partido Livre já foram outrora escolhas pessoais. Esporadicamente.

Até ao domingo passado eu estava colocado na classe dos tontos indecisos. E vai não vai, estive quase para pensar em honrar o partido Iniciativa Liberal com a minha benção. Mas depois emendei a mão… Achei pouco inteligente este partido hostilizar o PS em alguns dos seus cartazes. Logo, não ia dar o meu voto a gente menos esperta.

A gente que se diz liberal mas que alinha com PSD’s, Alianças e CDS’s da vida, sendo crítica da nossa bendita Geringonça. Já o PAN não cai no mesmo erro. E até consegue elogiar algumas vozes mais rebeldes do PS, como se pode ver no cartaz ao lado...

Mas quanto aos cartazes do IL, até que eles tinham um que  deu nas vistas pelas ruas de Lisboa e que eu aprovo e aplaudo!… Este aqui ao lado mostrado, inspirado no mote da Internacional, mas onde se substitui os velhos proletários pelos actuais contribuintes que andam uma beka adormecidos.

Bem esgalhado!...  ;-)

Sim, é mister que estes últimos se unam. Até uma personagem com a qual não posso nutrir simpatia política, o shôr engenheiro Mira Amaral, disse um dia em uma conferência qualquer onde nada se pode aprender, citando um tal dum relatório doutro senhor, Michael Porter, um yankee a quem em tempos idos encomendaram um diagnóstico sobre o status quo do nosso pobre pequeno país…

Resumindo e concluindo, dizia o tal do Porter, entre outras coisas aonde identificou factores em que o nosso país tinha grande margem de progressão rumo á perfeição que… O fisco tinha de deixar de encarar todos os contribuintes como alvos a abater.

O Livre podia ter continuado a ser uma opção. E era bom que o conseguisse, a bem duma cada vez maior pluralidade de vozes, que eu creio tão desejável. Só que desta feita optei pelo voto útil. E prestei alguma atenção a sondagens que davam o PAN com boas hipóteses de eleger pelo menos um deputado europeu.

Eu sei, isto é rasca. Devia ter votado mais em consciência com aquilo em que mais acredito. Mas aí não era no Livre que eu punha a cruz. Aí para ser coerente, teria de ser no PS. E eu quis beneficiar um dos pequenitos, em detrimento dum grande partido.

Rematando todo este arrazoado sem nexo, fiquei particularmente contente com o facto do PAN ter ultrapassado o asquerosamente demagogo CDS* em distritos como Setúbal e Faro - e por uma unha negra isso também não acontecia em Lisboa - e o anacrónico** PCP - ou com mais rigor a velha coligação CDU, que incluí os Verdes - em vários distritos do norte desta valente Lusitânia.

E uma vez mais, como diz António Costa, "É geringonça mas funciona!". In your face, dona Assunção Cristas!...Parabéns a vocês também, Bloco de Esquerda.
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* Nalguns casos foi mesmo uma valente abada que o PAN deu ao CDS... Eu se fosse centrista - hipótese totalmente impossível - pintava a minha face de negro!...

** Digo anacrónico porque ainda estão no tempo da K7 (mais conhecida por cassete). Nem sequer evoluíram para CD’s. E já vamos hoje na época do mp3… O velho Jerónimo de Pirescouxe bem podia dar o lugar a alguém com sangue novo… Mas qual seria o jovem comuna que não se importaria de ser visto à frente dum partido cada vez menos sexy?… Nenhum, digo eu.

quarta-feira, 15 de maio de 2019