terça-feira, 5 de março de 2019

• A voz dos muros - XVII

Pois… E ainda por cima o que me levou a descobrir este pequeno tesourinho deprimente foi um twit de uma miúda que ironicamente comentou acerca desta foto o seguinte: “Quero um amor assim!”.

Aparentemente muitas alminhas indigentes que pululam entre nós - e não apenas aqui na Tugalândia - estão a dar uma mais que desmesurada importância ao maledetto ludopédio nas suas tristes e vazias vidinhas… Demasiada, mesmo!...

Será que ainda haverá um dia que alguém soltará um grito mais original, tais como: “És bela como a aprovação do Orçamento de Estado por unanimidade!”?…

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

• A praga do coaching

Recentemente passou-me debaixo das vistas um artigo de opinião assaz interessante… Com o título “Deus pode ir de férias…”.

Neste artigo, imbuído dum espírito meio ou quiçá totalmente clerical, encontrei contudo frases que me soaram a música para os meus ouvidos, quando as leio em surdina. Eis algumas:

“Parece que a nova religião do homem moderno 
é o empreendedorismo. De matriz materialista, ela substituiu
os santos do altar por fotografias de homens de sucesso,
e os seus livros sagrados são os de auto-ajuda.
O objectivo desta cultura é o sucesso, seja lá o que isso for!”

“Ou seja, vende-se a ideia de que o potencial dos indivíduos
é ilimitado e podem conquistar tudo o que querem,
se fizerem muita força…”

Abomino essa moda actual que é o coaching. Tenho para mim que o talento é algo quase inato ou fruto do acaso.

O talento não é muito passível de ser educado, se não houver de antemão uma sementezinha que desde sempre exista lá no fundo da alma de cada um de nós. Semente essa que se pode ser uma visão, um sentido de inovação, uma chama de criatividade.

Mas isto sou eu a falar, que sou uma old soul… 

O coaching tem de facto de vender essa ideia de que o potencial dos indivíduos é ilimitado. Mas um bom coach no fundo não acredita nisso. Só que não pode dizer outra coisa.

No coaching tem de se fazer por acreditar que a qualidade nascerá da quantidade.

É preciso incutir em todos a fé que o sucesso é alcançável por todos para que no final pelo menos alguns poucos cheguem a alcançá-lo efectivamente.

Uma das áreas de negócios que depende e promove muito o coaching é o marketing directo, com os seus esquemas em pirâmide. Onde as organizações têm de recrutar o maior número possível de aderentes, dando a ilusão a todos os recrutados que conseguirão sucessos absolutos. Sabendo de antemão que não vai ser assim. Mas é preciso que a ilusão passe.

Na persecução superior a tudo do sucesso das organizações, aqueles indivíduos mais débeis a quem a ilusão tenha caído e tenha feito mossa no seu ego têm de ser considerados danos colaterais.

Preocupações de carácter ético têm de ser esquecidas quando esses danos colaterais forem a esmagadora maioria e os casos de sucesso que se aproveitam uma escassa minoria. A bem da sustentabilidade ou sobrevivência de organizações deste carácter.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

• Apatia

É o que sinto. Apatia. Desinteresse por tudo. Autismo social. O mundo em meu redor em efervescência e eu sem ligar pevide.

Brexit, gilets jaunes, shutdown, a crise social na Venezuela, o cancro chamado bairro da Jamaica, etc.. E eu não quero saber muito de nada dessas tretas todas.

Refugiei-me nas notícias sobre um evento desportivo nos antípodas. Down under. O Australian Open. O acontecimento a que mais ligo nos meses de Janeiro destes últimos anos. O resto pouco me interessa.

Este ano tivémos o João Sousa a fazer um pouco mais do que em todos os outros anos da sua carreira. Chegou a umas semifinais dum Grand Slam. Mesmo que isso seja apenas em pares masculinos, já não é mau de todo. 

É claro que atingir a final seria ainda melhor. E esteve ao seu alcance. Mas tinha logo de ser travado por um gajo que é finlandês e a viver em Tallinn, na Estónia… Henri Kontinen, a fazer par com um aussie. Henri Kontinen que eu passei a admirar depois de ter ganho Wimbledon em pares mistos em 2016. A par com uma tenista inglesa com a qual nunca tinha jogado antes uma só partida antes do torneio. É o que se chama um “instant couple” de sucesso também instantâneo.

Em singulares o João Sousa foi travado por outro tipo que assaz admiro, Kei Nishikori

Ou não fosse ele um nipónico samurai... Quando se fala dele lembro-me sempre dum artigo que li numa revista americana nos anos 80 sobre a evolução lenta do tennis no país do sol nascente. Dizia-se que o Japão não parecia que iria conseguir alguma vez produzir campeões mundiais neste desporto. Agora tomem lá, yankees, com o Kei e sobretudo com a Naomi Osaka!...

Agora, durante estas duras duas semanas de verão austral em Melbourne o personagem que mais me prendeu a atenção foi o que apelidam de El Greco. Stefanos Tsitsipas.

Este helénico filho de mãe russa vai longe. Vai deixar rapidamente de ser o que eu chamo de "figurante das primeiras três rondas". O João Sousa também podia ter ido longe no início de se ter tornado pro. Agora já se vai fazendo tarde… Mas o Stefanos tem ar de quem não vai deixar passar as oportunidades que se lhe depararem de futuro. 

Foi cilindrado pelo Rafa, é certo. Mas acredito que sabe agora como o bater. O grego aprende. E depressa. E já está na hora do Rafa passar o testemunho em Roland Garros. Leiam bem o que vos digo, que me sinto possuído em modo Nostradamus!…

Como confessei num recente post doutro dos meus blogs, a minha inspiração para a escrita está a demorar a recomeçar neste novo ano de 2019. Então, em vez de assuntos sobre política mundial ou local, vai de discorrer sobre desporto. Mas ao menos desta feita não sobre o ópio do povo. Antes sobre tennis, um sport que sempre foi de cavalheiros e jogado por cavalheiros. Better than rugby and football.

And way better than politics.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

• Les gilets jaunes

Se há povo que gosta de uma boa revolução, esse povo é o francês.

Estes gauleses, que são loucos segundo o próprio Obélix, já nos deram esse importante marco da história universal que foi a Revolução Francesa, no séc. XVIII. Que começou com a tomada da Bastilha, onde muitos homens bons estavam arrecadados injusta e prepotentemente.

Depois no século passado deram-nos o Maio de 68. Que começou com uns protestos inconsequentes de estudantes universitários. E que alastrou depois a toda a população, sobretudo à classe operária.

Agora no séc. XXI temos um protesto que começou com camionistas por causa dum aborrecedor imposto sobre os combustíveis diesel, mas que até é bem intencionado, por pensar no ambiente. Parece é que a coisa foi a gota que fez transbordar o copo. 

E fez com que este movimento expontâneo e profundamente anárquico dos gilets jaunes passasse a contagiar toda uma classe média e média baixa, englobando até reformados, habitualmente cidadãos bem pacatos e que não têm tanta tendência a sair á rua e gritar pelos seus direitos. Tudo é reivindicável, hoje em dia.

Até mesmo isto, algo que me toca particularmente. Alguém que se lembrou de reivindicar um fisco mais justo, vejam só!... Singular e inusitado grito este, escrito nas costas do colete amarelo dum cidadão sénior de Rennes*, visto na foto ao lado.

Não há como os franceses para praticar a desobediência civil. Pour eux y a rien de mieux que une belle bagarre.

Em boa verdade, não há cidadãos mais rascas do que os franceses.

Liberté, Égalité, Fraternité. 


Este lema em essência é muito bonito. E temos a França como um dos estados mais democráticos deste mundo. A França como um dos baluartes deste planeta no progresso social e civilizacional. Tudo bem. E no entanto o pobre do povo francês não é feliz. Dá que pensar.

Français, il vous manque beaucoup d’amour.
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* Rennes, cidade capital da Bretanha francesa, ou melhor, Breizh. Que me é muito querida, pois já lá vivi.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

• Embalar a trouxa e zarpar

Quero partir. Não quero acabar esta minha presente existência aqui.

Aqui já dei o que tinha a dar. Quero ser uma grande mais-valia noutros lugares. Dos mais diversos e longínquos que imaginar se possa. E sei que posso sê-lo.

Mas só quero ir se puder formar parcerias.

Todo este paleio vem na sequência do que postei aqui neste blog no passado mês. Isto é apenas mais um reforço desse desejo.

sábado, 20 de outubro de 2018

• Quem quer adoptar um blogger?

Há já uns largos anos que eu lancei aqui num post deste mesmo blog um grito… Este, aqui em baixo:

Oi!!!... Haverá aí alguém que queira adoptar um blogger?

Apetecia-me voltar hoje a repeti-lo.

Adoptando a mesma expressão facial - ou focinhal - deste cachorrinho Labrador na foto acima. Porque posso ser igualmente fofo e kiduxo, para alguém que me queira a seu lado em permanência e como missão primordial na minha vida.

Em 2011 eu queria mesmo emigrar. Hoje já não é tanto assim. Hoje o meu Presidente da República já não é alguém que me envergonhe. E outras coisas mais entretanto evoluíram um pouco por aqui.

Segundo o site InterNations.com, eu vivo actualmente num país que é neste planeta Terra um dos que tem uma das melhores qualidades de vida para todos aqueles que nos habituámos a designar de um modo geral por expats - ou seja, estrangeiros, "camones", whatever... - que nele vivem.

Nada mau!… E isso de facto sente-se no ar nas ruas de Lisboa e do Porto. E até nas mais incógnitas cidades e aldeias do interior. Lê-se a felicidade no rosto dos forasteiros que escolheram aqui residir.

Em 2011 ocorreu-me traduzir o tal grito em várias e variadas línguas que se falam ao redor deste mundo. Lembrei-me, pois, desta estranha língua:

Onko joku siellä valmis hyväksymään bloggaajan?

Mas olvidei est’outra:

Kas keegi sealt on valmis bloggerit vastu võtma?

Entretanto, fui por breves mas intensos e gloriosos dias adoptado por uma dona - deveria talvez dizer donna, em italiano - que fala ambos estes idiomas. Sendo um a sua língua materna.

Vou ver se aprendo a rezar como deve ser, para que se repita comigo outra adopção do mesmo género. 

Porque eu mereço, caramba!... Porque há-de existir também alguém neste mundo dos deuses que me mereça. Tal qual como sou, com todas as minhas imperfeições mas todavia com algumas qualidades. Como toda a gente.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

• A voz dos muros - XVI

Pois. E este mês foi tão mágico para o rapaz aqui que contado nem dará para acreditar.

Aos deuses que seguem e guiam os meus passos errantes neste incerto planeta venho portanto deixar o meu solene agradecimento pelas venturas concedidas.

domingo, 5 de agosto de 2018

• Humor rasca

Como cidadão rasca a preceito que sou - e também kota - não me fica mal de todo no curriculum vitae dizer que aprecio a leitura desse clássico da imprensa internacional que é a revista Playboy. A original, a americana, e todas as suas filhotas que pululam nos mais variados países deste mundo dos deuses.

Aliás, já aqui neste blog, há muitos, muitos anos, fiz uma referência a um particular cartoon que achei muito elucidativo dessa dúvida eterna que sobre todos nós sempre pairou.

Hoje vou fazer mais do mesmo. Reproduzir aqui outro curioso cartoon. Que tem outra vez o mesmo cenário: a cama. Esse lugar mítico - ou místico - tão adequado à revelação de grandes verdades ou a piadas mais desconcertantes…

Uma vez que na política mundial - e até na doméstica, graças a um certo vereador da CML - a silly season deste ano já nem nos faz rir… É então mister encontrar fontes alternativas de entretenimento do povo. E mesmo um serviço público que aqui presto. Enfim, vá...

quarta-feira, 18 de julho de 2018

• Paralisia

Já deixei registado noutro blog meu que fui acometido duma ligeira moléstia, uma dita “paralisia facial idiopática”. Há duas semanas atrás.

Uma coisa que é uma beka chata mas que passa com o tempo. Apenas há que ser paciente. E eu assim tenho feito e faço, paciento.

E enquanto paciento, aqui dentro da minha concha, tenho tempo para observar o mundo. Um pouco mais atentamente.

E o mundo todo também parece ter estado sofrendo duma paralisia.

Paralisado e suspenso o mundo se quedou acerca da sorte dos competidores nesse evento maior que foi o Campeonato do Mundo de Football na Rússia.

E até eu me deixei alienar, apesar de pouco procurar ligar ao que se passa no ludopédio globalizado… Porra para este poder que o football tem sobre as nossas mentes fracas!… Ou talvez só a minha…

Já agora, Спасибо, Россия. Jolly good show you have performed. Organização impec!...  ;-)

Paralisado e suspenso o mundo se quedou acerca da sorte de doze miúdos e de um adulto que os deveria orientar mas que se deixaram aprisionar numas entranhas profundas da mãe-natureza. Falta de respeito à nossa mãe que esta não perdoou. 

E enquanto o planeta inteiro ficou ansioso do desfecho da operação de salvamento dos petizes, tivemos que gramar com reportagens televisivas, arrastadíssimas de horas e horas contínuas, que não deixavam espaço a mais nenhum outro acontecimento. Recheadas de comentários de experts de mergulho em grutas que repetiram até á exaustão banalidades. Impulsionados por repórteres que já não sabiam mais o que perguntar e repetiam as mesmíssimas questões vezes sem conta também.

No meio disto tudo, a morte de mais de cem cidadãos de um país altamente desenvolvido devido a uma catástrofe natural, inundações fora do comum, passou em branca nuvem!… 

Lição a tirar desta calamidade: a civilização nada pode ainda contra a natureza. Nem aqui no meu pobre Portugalito, nem na Califórnia, a sua prima de famílias ricas, nem no expoente tecnológico do Japão. 

Voltando aos nossos rapazes futebolistas siameses, tanto se noticiou que estes queriam já no hospital tirar a barriga de misérias com um manjar local que se chama “phad ka pao” que até a mim me apetece provar um dia essa exótica iguaria.

Fica gravado na minha to-do list. É uma coisa simples, carne picada frita numa sertã e salteada com manjericão, acompanhada com arroz branco. Mas é capaz de ser bão.

Paralisado e suspenso o mundo se quedou também acerca de quaisquer novas diatribes e manobras de marketing político do presidente da nação mais poderosa desta Terra. 

E parece que ninguém consegue fazer ouvir a sua voz de contraditório nos media!… Para dizer que o rei vai nu. Que Trump é um saco cheio de coisa nenhuma. Um pastel de vento.

Ainda anteontem o bom do Donald e o bacano do Vladimir resolveram marcar um rendez-vous no quintal do vizinho deste último. E lá foram desassossegar os coitados dos pacatos dos habitantes de Helsinki. Para quê?… Que sumo espremido é que saiu desta tão alardoada importante cimeira dos dois maiores líderes mundiais?… Alguém me diz?…

Bem, e agora?… Quando é que vamos sair deste torpor?… Será que vamos ter de esperar pela costumeira rentrée?… Ou esta silly season deste ano vai eternizar-se?… Já não me espantava nada. Os deuses estão a lograr paralisar-nos. E isso até pode não ser mau de todo.