sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

• Bell’s palsy

Bell’s palsy. Ou em tugalandês, paralisia de Bell. Ou ainda paralisia facial idiopática. Da qual estou a ser acometido pela segunda vez. A primeira foi há cerca de ano e meio, descrita aqui.

Desta feita poupei uns cobres ao SNS, Serviço Nacional de Saúde, e não fui entupir ainda mais uma urgência de qualquer hospital público, neste pico da costumeira gripe invernal.

Automediquei-me. Afinal, já vivi esta situação e comprovei que o antídoto prescrito resultou. De modo que era só repetir.

Desta forma queimei etapas. Não quis passar de novo horas numa cadeira de rodas desnecessariamente. Nem quis ter o meu corpo sagrado espetado por agulhas para me sugarem amostras de sangue. Nem fazer uma TAC, Tomografia Axial Computorizada.

Este incidente está a causar que 2020 comece de um modo rasca para mim. Com uma travagem às quatro rodas. Um inconveniente de carácter físiológico, a roçar também o psíquico, mas que me presenteia com um bem muito precioso: tempo.

Tempo que estou a usar para reflectir. A começar devagar e preguiçosamente a reflectir sobre o que eu quero fazer com o meu tempo doravante. 

E a conclusão a que me sinto mais tentado a chegar é… Nada.

Se eu tiver o poder de não fazer nada com o meu tempo, é isso mesmo que me apetece fazer. Nada.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

• HasSak ethno-folk ensemble


Hoje vai-se inaugurar neste blog uma nova rubrica, que rotularei de “Sublimemente belo”, com esta banda do Cazaquistão que se auto-intitula HasSak ethno-folk ensemble. Rubrica essa que já existe noutro blog da minha autoria, iniciada com este post que pode ser visualizado clicando aqui.

Eis o essencial do texto da sua apresentação oficial, aquando da divulgação de espectáculos que fazem fora do seu país natal:


HasSak é uma banda moderna que representa a fusão da música tradicional cazaque e de antigos hinos guerreiros dos cavaleiros turcos das estepes da Ásia central. Este bem talentoso grupo criativo está empenhada em restaurar os antigos instrumentos musicais, tais como Kobyz, Dombra, Sybyzgy, Saz Syrnay, Shan Kobyz, etc., mostrando um banquete auditivo sem precedentes. Os membros da banda são todos oriundos da Academia National de Música e do Conservatório de Música do Cazaquistão.

Eu sei, este é um blog sobre política… Mas o ambiente político em todo o mundo está tão banalizado e decepcionante… Todos os actores da cena política global são tão previsíveis…  Que até os dislates duma pirralha de 16 anos de idade se tornam de súbito mais atraentes. 

Vou deixando de ter o meu foco neste blog na política pura e dura. Vou-me virando mais para a cultura. A cidadania terrena também se faz com a cultura. E é mister conhecer o panorama cultural da todas as paragens deste planeta. 

Por isso me interesso assaz pela World Music. E aqui vou passar a divulgá-la. Para que as gentes saibam que até nos mais longínquos lugares desta terra também há coisas muito bem feitinhas.

Ou digam lá, caros leitores, se os vários videoclips desta tão curiosa banda cazaque - que se podem visualizar no seu canal do YouTube - não são esplendidamente bem produzidos!…

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

• I don't care

I just don't care about anything, whatsoever. I just let it be. Which were the words of wisdom that mother Mary would come to a certain guy when he would find himself in times of trouble.

Eventually, there comes a day in our lives that we all have to let it be. I think such a day has arrived to me.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

• This sunshine...

“I hate to be leaving this sunshine, this bright daylight!…”
I’ve heard this from one of the passengers on the car I was driving*. From a londonian lady that was about to fly back to her city. I was almost dropping her off at the Lisbon airport Terminal 1.
“This sun warmth, you can feel it up to your bones.”, she added to another female colleague of her in the back seat of my fancy and new black Mercedes E Class, both of them.
These two ladies had just finished to participate on an international event that had been promoted by the Lisbon City Council, named “World Cities Culture Summit Lisbon 2019”. 
I may be fed up of living here in the so called “sunny Lisbon”. I sure would like to live elsewhere during the summertime. I would like to live much closer to the one I love, even if not with her under the same roof, anymore.
But that doesn’t make me forget that I still live here, in what might be one of the most popular tourist destinations in the whole world, if not the most popular of them all, in terms of city break destination.
We can see happiness stamped in the faces of the hordes of foreigners that fill up the streets in the center of Lisbon, at every hour of the day and night.
This city is no longer the same without them. We need them like a garden needs flowers to be spread all over it. We need them to make us locals remember that we live in a quite cool piece of paradise.
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* I’m a limo driver, sometimes, folks. Other times I play another one of my roles in this global society, being a tour guide.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

• Já acabou? Mas...

No calendário, o Verão acabou. E eu nem dei por ter começado.

Por mim, tenho esta crença que ainda havemos de ter neste final de Setembro - já dentro do período oficial do Outono - e a entrar por Outubro e Novembro vários dias, senão mesmo semanas, de um calorzinho gostoso.

Mais gostoso ainda quando vem nesta época do ano. E ainda mais por não o termos sentido nos meses em que era suposto ter dito presente.

E porque tenho esta fé que vamos usufruir de tempo quentinho em breve, é uma lástima que as piscinas públicas municipais ao ar livre já estejam encerradas. 

Chega a 15 de Setembro e é sempre assim. As aulinhas arrancam e os municípios declaram o verão concluído. Os putos já não poderão frequentar as piscinas porque estão fechados nesses campos de concentração chamados escolas. Portanto, não vale a pena manter as piscinas abertas, porque ficarão vazias de gente.

Errado!... Acontece que a 15 de Setembro ainda há muito boa gente que quer apreciar férias estivais tardias. Que é quando estas sabem melhor. E ainda há tanto turista que deve achar um absurdo piscinas fechadas com este verão que se arrasta por mais dias aqui nestas paragens do que nas suas setentrionais terras de origem.

O que me vale é que alguns hotéis mantém as suas piscinas abertas, fazendo render o peixe até bem mais tarde. Porque os seus hóspedes assim o devem exigem. Cheios de razões.

A mim, que deixei este último verão - que em 2019 resolveu passar no anonimato - fugir-me debaixo dos pés sem o ter podido aproveitar minimamente, sem tomar um único banho de mar, o que me resta agora é rumar áquela saudosa piscina da minha infância: a do Hotel das Arribas, na Praia Grande, em Sintra.

O que conto cumprir já… amanhã.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

• Feias?…

No domingo passado estive pela tardinha a descontrair num parque. No Parque da Cidade de Loures ou Parque Adão Barata. Nessa cidade de Loures, considerada uma mais entre “As 10 cidades mais feias de Portugal”. Junto com a minha pobre Odivelas.

Assim de repente prenderam a minha atenção um pai e seus dois filhos brincando com uma bola de futebol. Eles são russos. Eu sei disso porque os ouço falando. Não são turistas. São migrantes. E eu sinto-me bem por ver que eles parecem bem felizes por estarem a viver aqui, neste seu país de acolhimento.

Os miúdos vestem ambos camisolas do Barça. Um com Neymar escrito nas suas costas. E o outro com Messi e o braço esquerdo ao peito. Mas isso não o faz correr menos do que o primeiro.

O sol brilha nessa tarde em Loures sem ser abrasador. E todas as pessoas neste parque parecem também felizes como aquela família eslava. Será justo então atribuir à cidade de Loures o rótulo de feia?…

Hoje nesta Tugalândia as cidades, feias ou não, estão a tornar-se em torres de Babel. E isso é tão melhor do que se continuasse a ouvir apenas a língua portuguesa pelas suas ruas. E sobretudo nos seus parques. Porque nas ruas até pode não ser bem assim, mas nos parques somos mesmo todos filhos de um mesmo deus.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

• Cortesãs

Madrugada do último sábado para domingo. Estou a cumprir um serviço de motorista à disposição total 24 horas para três cavalheiros. Vindos dum país da África equatorial rico em petróleo. Um deles é ministro, os outros dois seus assessores. 

Graças a estes clientes dessa noite, estou a tirar um doutoramento* instantâneo sobre a vasta oferta lisboeta de casas de strip... Até já sei os horários de cor e salteado!... Para saber quanto vão durar as secas.

São quase quatro da manhã. Espero dentro duma van Mercedes classe V preta com vidros fumados que os meus cavalheiros se divirtam como bem podem ou à grande e à francesa dentro dum antro que dá pelo nome de Paquiderme Albino.

Reparo nos vários usuários dessa casa engraçada que entram e saem desta amiúde. Regra geral, são uns senhores meio grisalhos, acompanhados por meninas vistosas no trajar e na beleza corporal.

Como me estou a sentir nesse árduo turno nocturno como uma prostituta do volante, enceto a imaginar como serão afinal as rotinas laborais destas raparigas. Já que não tinha sono e havia que ocupar a mente com alguma actividade.

Vem-me à memória um poema dum autor que admiro. Este, que transcrevo abaixo:

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a croa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.

…de Manoel Maria Barbosa du Bocage,
para quem faltou a estas aulas na escolinha.

Subitamente um dos meus bons rapazes vem cá fora, chega perto do nosso veículo e solicita-me que me comece a mexer com este.

Os clientes eram em número de três... E as Nises também. A paródia dentro da Viano foi assim a seis. Porque eu cá não tive direito a nada. Aliás, era minha prioritária missão transportar toda esta gente com a conveniente rapidez e em segurança até ao design hotel de cinco estrelas onde os moços se hospedavam, com todas as realescas mordomias a que têm direito, por supuesto.

Uma vez lá chegados, dispensaram os meus serviços até ao fim desse turno. De modo que pude recolher também aos meus caseirinhos aposentos. Que a noitada seguinte poderia ser mais do mesmo. E era mister que eu proporcionasse a mim mesmo algum repouso do guerreiro. Ou da ama seca de adultos. Dito assim para ficarmos por aqui nesta peculiar saga. Ou antes, dantesca comédia divina. Ou de humanos costumes.

Que não se veja neste arrazoado todo qualquer juízo de valores. Até porque eu serei porventura um dos últimos moicanos à face da Terra a ter moral para fazê-lo.

E “prontes”… Esta é a minha vidinha. Podia ser pior.
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* Um dia ainda me especializo a organizar tours nestas andanças vespertinas… Why not?…

terça-feira, 25 de junho de 2019

• Smartphone zombies

Smartphone zombies - também designados smombies, neologismo criado numa recorrente aglutinação destes dois vocábulos anglo-saxónicos iniciais - são uma abjecta praga dos tempos modernos.

Ainda eu me julgo um cidadão rasca… Mas há quem abuse mais do que eu da rasquice. 

Eu também posso passar por um smartphone zombie, por vezes. Quando estou a tomar o café matinal na cafetana de meu costume pessoal. Aí dou azo à minha faceta anti-social, fechando-me na minha concha e vidrando-me no meu telefone móvel*.

Creio no entanto que sou capaz de reconhecer quando este acto se começa a tratar de uma adição e sei quando parar. Mas a maior parte das pobres alminhas com que nos cruzamos em transportes públicos - nomeadamente no Metro, do qual sou um bom utente, ainda… - não conseguem ganhar essa consciência. E não sabem quão ridículas se tornam. O que vale é que o ridículo não mata...

Há mais vida do que aquela de que são espectadores nos écrans dos seus celulares!… 

Há tanta vida a acontecer ao seu redor. Tanta gente bonita que lhes passa despercebida. Porque dispensam tanta da sua preciosa atenção a mensagens em grupos de WhatsApp que quase só servem para partilhar boçalidades? Ou posts vazios de um real interesse de mânfios que nem bem conhecem no Feicebuque?

E se não são mensagens ou posts em redes sociais, porquê tanta conversa jogada fora no caminho de regresso a casa, com o telelé sempre colado ao ouvido? Ou pior, com o auricular. Parecendo mesmo uns tontinhos que estão a falar sozinhos. Solilóquios sempre vociferados em altos valores de decibéis...

Para quê tanto treco-lareco inútil?… E porque é que todos ao lado têm de gramar com detalhes parvos de vidas alheias? Porque é impossível muitas vezes abstrairmo-nos completamente desse ruído ambiente…

Há que introduzir nos currículos escolares a aprendizagem do uso racional das novas tecnologias, sobretudo desse objecto ainda tão novo que é o telefone móvel. Antes que venha a ser tarde demais. Antes que venhamos a ser todos rascas demais.
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* A palavra “telemóvel” não consta do meu vocabulário. Afiançaram-me um dia que tal designação seria uma marca registada dum antigo operador de rede móvel, a TMN, e que não deveria ser usada pelos outros operadores. Ao invés uso a expressão “telefone móvel”. Mas devo ser o único…