domingo, 31 de janeiro de 2010

• Os contabilistas

Daniel Bessa, ilustre economista português, figura pública a quem se deve merecida consideração - pelo menos eu assim julgo e julgarei - veio fazer a devida defesa da sua corporação numa coluna do semanário "Expresso", habitualmente no canto inferior direito da primeira página do caderno de Economia. Onde habitualmente Manuela Ferreira Leite também bota faladura, facto a não negligenciar.

Nessa coluna faz-se-nos a lembrança da valia dos ditos contabilistas, como travão dos ímpetos dos visionários deste mundo. Pequena valia, digo eu...

Porque os contabilistas parecem sempre gostar ou ter a obrigação de fazer contas, segundo as palavras do próprio Daniel Bessa, do que é preciso gastar numa dada iniciativa inovadora. O que é concreto, palpável. E não terem o mesmíssimo prazer ou sequer conforto em fazer as contas do que essa iniciativa inovadora pode proporcionar como benefícios. Que já não será concreto nem palpável, que será antes incerto. O desconhecido. E o contabilista típico tem medo do desconhecido.

Que contabilista teria alguma vez aprovado, se todo o poder para isso possuisse, que se gastasse o que se gastou na epopeia dos descobrimentos portugueses ou na conquista da Lua por parte da americana NASA? Ou falando em exemplos de obras públicas, o túnel do Canal da Mancha? Eu presumo que nenhum.

Esta jura eu aqui faço: eu jamais entregarei o poder pelo meu voto nas mãos de um contabilista.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

• Os velhos do Restelo

"Chegou a altura de o PSD se emancipar dos velhos do Restelo", Pedro Passos Coelho dixit.

Eu não acho que o PSD faça assim tanta falta à nossa democracia. Talvez só um pouco menos do que Pedro Passos Coelho fará. Mas justamente porque isto é uma democracia, há quem pense diferente de mim e pode pensá-lo. E esses que se preocupam com este partido ideologicamente algo artificial deveriam talvez escutar este senhor, que é um dos seus pares mais na ribalta nos tempos mais recentes.

Eu apreciei a tirada deste rapaz. Isto porque também já usei o mesmo conceito ao falar do PSD. Na última campanha eleitoral, passeava eu uma tarde de verão na capital, a galhofar com os meus botões, e eis senão quando um jovenzito anafado, cara de MBA da Católoca, interpela-me mostrando um panfleto com a cara da Manelita F. Leite e eu viro-me p'ra ele e declinei educadamente tão generosa oferta. E rematei o curto diálogo que tinhamos entretanto entabulado afirmando-lhe que eu nunca iria votar num "velho do Restelo". Era contra a minha filosofia de vida.

E se já não alinho com "velhos do Restelo", quando estes então acumulam ainda cargos de contabilistas, aí é que a vaca vai p'ró brejo. Fazer do pressuposto "não há guito, não há guito e não há guito, prontos!" uma bandeira eleitoral foi do mais horrendo que eu já assisti na vida desta nossa senhora democracia cerca de uma década mais nova do que eu.

Julgo que se a Manela tivesse ganho as passadas eleições - cheguei a ter pesadelos desses, confesso... - o Magalhães iria por certo parar de ser distribuido aos nossos petizes.

Julgo também que foi um antepassado da Manela que terá feito o funesto lobbying junto do nosso rei que terá tido como consequência o Magalhães (Fernão de) ter tido de ir sacar os subsídios adequados à sua empresa de circum-navegação aos reis católicos de Castela.

Li que alguns analistas políticos cuidaram que Pierre Pas Lapin aludia ao prof. Marcelo quando evocou estes velhos do Restelo. Não vou por aí. Acho que era mesmo a Manela que ele visava. A Manela e aqueles que não querem o TGV a sair do papel agora. Mas depois constato que ele, P.P. Coelho também assim pensa... Atão afinal são quase todos "velhos do Restelo"! Quem é que se aproveita, afinal?

É o que digo desde o princípio: o PSD não faz assim tanta falta à nossa democracia. Por mim, dr. Balsemão, deixe lá o suicídio colectivo ter o seu livre curso. As teorias de Darwin tanto se podem aplicar às espécies animais como aos partidos políticos. Os menos adaptados têm mesmo de desaparecer, mais tarde ou mais cedo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

• O Gato Fedorento

"O Gato Fedorento esmiúça os sufrágios" terminou. Era um formato que tinha a sua lógica durante a dupla campanha eleitoral recente. Quando esta acabou, esgotou-se a sua razão de existir. É pena. Porque depois de assumir o poder, os nossos governantes - e respectiva oposição - deveriam ter direito a estes eficientes bobos da corte pós-modernos a atazaná-los continuadamente.

Enquanto duraram, a previsível ciumeira do jornalista comum não podia deixar de ser manifestada... Um dos que a personificou foi o afamado colunista Miguel Sousa Tavares, que também é um cruzado que se bate contra blogs e bloggers mais mauzinhos para a sua pessoa... No que não deixa de ter alguns argumentos válidos.

Os profissionais da imprensa não gostaram, obviamente, que os Gatos tivessem tido uma tão grande abertura dos políticos às suas solicitações de entrevistas.

E que os Gatos pudessem ter colocado tantas questões dificeis a estes seus convidados, quando normalmente estes últimos só se sujeitam a entrevistas com a discussão prévia de um gyuião, para evitar embaraços públicos.

E que agora o nível da discussão das questões públicas tenha descambado para a piadola fácil.

Mas porque é que os jornalistas tinham de ser assim??? Porquê essa azeda ciumeira? Acaso nenhum terá estudado História?... É que já desde Gil Vicente que os poderosos desta nação quase só podiam ser criticados pela via da comicidade.

Vá, vão lá rever mas é as vossas carreiras profissionais. Palhaços...

domingo, 11 de outubro de 2009

• Como eu votei

Hoje votei para a Presidência da Câmara Municipal de Odivelas em Hernâni Carvalho. Apesar de alguns detalhes que me desgostaram nesta campanha, mantive a determinação que tinha de pagar para ver alguém diferente à frente do meu município. Alguém que parece que é mesmo escolhido por mim, por todos nós, e não por um aparelho partidário em nosso lugar.

(fonte da imagem acima: Folheto de candidatos da Junta de Freguesia de Ramada)

Para a Assembleia Municipal, obedecendo à lei das compensações que o povo amiúde e sagazmente segue, continuo a depositar confiança no PS. Isto porque uma das coisas que me desgostaram foram as arruadas - palavra tão em voga nestas campanhas recentes - feitas com os "jovens" de t-shirt azul escura com o nome do seu candidato ao peito, mostrados na foto em cima, à laia de parada de claque de clube de futebol, com gritaria tribal em tom provocatório das claques das facções adversárias. Não quero que o meu voto sirva para dar emprego a estes "bébés" nem que os meus impostos um dia os sustentem.

Por fim, votei para a Junta de Freguesia no Bloco de Esquerda. Mais uma vez, para não pôr os ovos todos no mesmo cesto. E porque me cativou um cartaz do Bloco que vi ontem, não no meu concelho ou freguesia, mas na Ericeira. O puto que vi nesse cartaz tinha cara de g'anda bacano. E proclamava que queria ser parte da solução. É um chavão já gasto pelos gurus de gestão de empresas e ainda não o tinha visto associado a um ideal de esquerda.

Houve ainda mais uma razão para esta minha escolha singular: a minha filhota vive num município gerido por uma autarca do BE...

OK, no seu conjunto, estas minhas escolhas não aparentam ter tido muita racionalidade. Mas talvez seja assim que muitos de nós votamos.

Não encontrei uma imagem desse dito cartaz visionado nas ruas da Ericeira que aparecesse na web, mas aqui vai em seu lugar outro cartaz do BE em baixo:
(fonte da imagem acima (retocada): blog "Portugal minha terra meu país")

Já que inseri este cartaz aqui, calha mesmo enfiar também esta questão retardada, que já devia ter sido metida antes do fim da campanha para a Assembleia da República: reinvidicar "Justiça na Economia", como que a pedir protecção para os mais fracos, não vos parece o mesmo que pedir que uma partida de rugby seja jogada sem porrada, para que os mais enfezados não façam dói-dóis?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

• O nosso George Bush...

Cavaco Silva sempre me fez lembrar um figo seco do Algarve. Pela sua fisionomia e pela secura dos seus ideais de economista ascético.

Agora descubro que este personagem decorativo que arquivámos, todos nós eleitores, em Belém, à míngua de outro lugar onde o arrecadar, é igualmente seco de conhecimentos práticos adquiridos no dia-a-dia pelo cidadão comum.

Então não é que só agora o Senhor Presidente descobriu, com espanto mal disfarçado, que os computadores que todos usamos e ele também não são absolutamente seguros? Então não é que uns peritos informáticos lhe fizeram a extraordinária revelação que podem existir vulnerabilidades, segundo as suas próprias palavras? Então não é que ele nos disse isto como se uma grande notícia se tratasse?

Já sabiamos os políticos como seres distantes do país real. Mas da própria vida real?

E por aqui me fico, que já muitos antes de mim bateram no ceguinho e eu não quero ser mauzinho...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

• Introdução (retardada)

Este blog nasceu filho de um outro blog meu, "Ideias Peregrinas (ou talvez não)", de onde resolvi purgar para aqui as ideias políticas.

Sobreveio-me a tentação de usar aquele recém-criado blog - só tem uns mesitos... - para intervir na causa pública. Também quis botar faladura, nesta época de campanhas eleitorais e de debate sobre a nossa vida colectiva futura. Andámos p'rái a ouvir umas propostas malukas e, por isso, tive de dizer das minhas...

Mas agora quero separar as águas, tal como se faz nas ETARs. A Política é uma Porca, como nos lembrou o mestre Raphael Bordallo Pinheiro um dia numa caricatura.

Posto isto, vou deixar os meus ideiais mais "limpinhos" no outro blog e aqui vou chafurdar à vontade. Espero de quem me possa ter seguido até à data a vossa compreensão.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

• MMS - Movimento Mérito e Sociedade

Esta gente só me dá trabalho...

Mais uma para a série "Demagogia? Não, obrigadinha...". Agora aparecem estes, o MMS - Movimento Mérito e Sociedade, a querer correr com todos os membros da classe política lusa actual para a... Conchichina?... É boa!... Eu conhecia era a Cochinchina. Ora aqui está uma boa contribuição para a rúbrica "O caçador de pérolas" do blog "Reflexões de um cão com pulgas" de Pedro Aniceto, do qual recomendo a visita frequente.

Ah, e já agora, é evidente que eu não subscreveria tal ideia peregrina. Porque não é uma ideia elegante, carece bastante de urbanidade. Porque é um ideia perigosa e que até nos poderá levar a equacionar o reverter os seus efeitos para os autores desta, o que seria muito bem feito... E porque nunca daria o meu voto a quem deixa passar um erro de língua portuguesa tão flagrante.
(fonte das imagens deste post: site do MMS)