segunda-feira, 25 de maio de 2026
• Pura alegria
Não é a terra que me viu nascer. Eu fui parido no bairro de Alvalade em Lisboa. Numa clínica privada que hoje em dia - ironicamente - é um lar de idosos. Mas eu aprendi a gostar de Torres Vedras no ano passado.
Fiz questão de ir ontem ao Jamor. Testemunhar aquilo a que se chama a festa da Taça. E vi um mar de gente tão desequilibrado que me deu a sensação de haver ali 1 adepto do Torreense para 10.000 do Sporting. Era tão grande assim a danada da desproporção. Digo, cá fora do vetusto Estádio Nacional.
Eu sou do leão, por causa do nome do bairro onde vim ao mundo. Mas fiquei desgostado com o carácter acéfalo daquela mole humana toda. Não me revejo naqueles adeptos. Pareciam não destoar dos burgessos dos benfiquistas na sua patetice…
Em surdina desejei na altura que todos aqueles energúmeros parassem de quedar-se naquele estado assaz estupidificante de incontida euforia. Como se o que viria a seguir fossem favas contadas. Como se a sorte ou o azar não entrassem na equação.
O universo deve ter ouvido as minhas pragas àquela turbe. Não presenciei o jogo, não havia bilhetes e deveriam ser caros, claro. Abandonei aquele pic-nic enorme e pus-me a salvo da boçalidade. O SCUT fez o resto. Fiquei feliz. Se fosse ao contrário não teria ficado.
Aqui deixo algumas capas de jornais deste dia histórico. Com o devido destaque para aquele que tem a melhor manchete, "ninguém leva a mal". E quem levar é só estúpido.
domingo, 17 de maio de 2026
• Kubark
Há uma semana atrás estive a visitar o Museu do Aljube, em Lisboa, tal como conto neste outro post doutro blog meu.
Uma visita que recomendo a quem não tem memória do período bem negro da história de Portugal - o chamado Estado Novo - e da própria humanidade em que alguns de nós viveram no século passado. Entre os quais me incluo, mas dentre aqueles com a "RAM" intacta.
Um dos factos que mais relevância me despertou neste museu foi a história da PIDE, Polícia Internacional e de Defesa do Estado, e dos seus métodos de acção. Ali descobrimos algo de que já poderíamos suspeitar, ou seja, das relações que esta instituição repressiva teve com outras congéneres de países estrangeiros.
Entre estas, uam estreita e regular colaboração com as SS e a Gestapo da Alemanha nazi e a polícia secreta de Mussolini, a OVRA, Organizzazione per la Vigilanza e la Repressione dell'Antifascismo, eram, claro, perfeitamente expectáveis de terem acontecido. Mas após o final da segunda guerra mundial e a extinção do regime hitleriano, eis que a portuguesinha PIDE teve que se virar para outras parcerias. Desta vez de regimes ditos democráticos.
KUBARK era o criptónimo ou nome de código secreto da CIA, Central Intelligence Agency, utilizado para se referir à própria CIA ou num sentido mais lato aos Estados Unidos da América. Alcunha que, suponho eu, terá sido encetada durante o período da guerra fria.
Um documento daquela sinistra agência mantido top secret até 1996, o famoso Kubark Counterintelligence Interrogation, foi o guia inspirador para os inspectores pidescos que se encarregavam de arrancar a suposta verdade da boca de opositores ao bota d’elástico, o querido António de Oliveira Salazar.
Que aliás defendia que todos esses malandrecos desses meliantes não passariam de perigosos bombistas e que para poupar vidas de homens, mulheres e crianças das acções dessa gentinha justificava-se que se lhes aplicassem - assim como quem não quer a coisa - uns valentes safanões. Cínico de merda!...
Naquele assaz ilustre documento se sintetizava então a ciência exacta de dominar completa e eficazmente a alma duma outra pessoa. Até ao ponto de esta deixar de ser uma pessoa.
Assim se perpetuou a tortura em pleno século XX no meu país. E ainda há quem diga que esses é que eram bons tempos…
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