domingo, 1 de abril de 2012

• É na Terra Não é na Lua - o filme

Cartaz do filme
"É na Terra Não é na Lua"
Fui assistir a este interessantíssimo documentário na sua noite de estreia, no passado 29 de Março, no Cinema City Alvalade, nesta desgraçada capital Lisboa.

Em boa hora o fiz!… Porque esteve para me dar a louca de ir viver por uns tempos para estas paragens açorianas. Até cheguei a contactar a respectiva Câmara Municipal do Corvo, oferecendo-me como voluntário para qualquer tipo de trabalho ou missão comunitária a exercer naquela ilha. Que pancada a minha, senhores...

Se bem que rasca até à medula, eu sou mais um cidadão urbano do que rural. Embora às vezes me fuja a tendência para o contrário, nem sei explicar porquê... O que sucede é que o Corvo já muito pouco terá da ruralidade de antanho, a avaliar pelo que absorvi.

Chocaram-me alguns fenómenos retratados neste filme. Como por exemplo: uma ilha com ainda não poucas vaquinhas produtoras de bom leite, com idílicas pastagens a ajudar, importa… paletes de pacotes tetra-brik de leite dos lacticínios Nova Açores, às carradas!!!

Existe na ilha uma queijaria que parece tender para abandonar a sua actividade. E esta seria a principal entidade a absorver o leite mugido localmente. E nas imegens recolhidas, esse leitinho parece ser-nos mostrado que vai - literalmente - para os porcos.

É que já nem uma pequena produtora de queijo artesanal demonstra ter vontade de vender os queijinhos que diz manufacturar com amor e carinho. E só a vemos agora a marcar presença na missa quotidiana das 16 horas, para rezar seus terços mecanicamente.

E depois, os corvinos até podiam para mim ser todos pessoas simples. Ou até simplórias, que não vinha mal ao mundo nenhum por isso e até era uma coisa genuína. Mas não…

Tinham de acolher no seio da sua comunidade alguns idiotas também, como no resto do mundo dito civilizado. E isso é que me dá uma destas revoltas aos fígados...

Um gajo que levou p'rá ilha a mania do tuning. E circula feito chunga com um Peugeot 207 diesel pelas ruas da pequena vila sempre com o som a bombar, mal o veículo arranca. 

Outro tipo, senão o mesmo, achou que era premente trazer para aquele fim de mundo um Audi TT descapotável, havendo apenas praticamente uma única estrada para curtir o prazer de conduzir!…

Mas o campeão do pouco juízo foi um político local do PPM que tinha como principal cavalo de batalha, insurgindo-se contra os governos da república portuguesa e o regional dos Açores, pelo facto dos serviços locais da administração fiscal funcionarem de forma sazonal. Apenas alguns dias por mês. Impedindo os corvinos de cumprirem os seus deveres atempadamente com o fisco. Oh, c'um caraças!!!…

Quem dera que a repartição de finanças cá da zona funcionasse assim! C'a g'anda tótó!… Ou eu não estou a ver bem a cena, ou então o fisco nos Açores não chateia apenas o povo contribuinte para pagar. Também será como que umas grandes tetas para todos mamarem.

Mas de resto, os corvinos mais antigos são uns queridos. A D. Inês Inêz, então, é a melhor de todos. E continuo a julgar que vale a pena visitar a ilha por um dia ou dois.

Só não vale a pena é fugir para lá, acreditando que esqueceremos os nossos problemas. Sobretudo os do foro sentimental.
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Uma palavra final para os autores, que deixei também registada no guestbook do site oficial do filme:

Parabéns, Gonçalo Tocha e Dídio Pestana. O vosso documentário é de um humanismo extraordinário. E vocês foram dois excelentes voyeurs dessa realidade singular que é a vida no Corvo. Do belo e do grotesco. 

Obrigado pelo que foram buscar para nos dar a todos nós, corvinos e não-corvinos. 
Giuseppe

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