segunda-feira, 26 de março de 2012

• Foi despedido? Reaja!...

Imagine o meu caro leitor que está muito bem da sua vidinha, a passear e tudo, numa bela tarde de sol. Eis senão quando, alguém longe do lugar onde você se encontra se lembra de seu nome para entrar numa lista. E pede a uma qualquer HR department assistant - geralmente designam uma estagiária para estas cenas - para entrar em contacto com o seu nr. de telefone móvel…

Pum! Tás morto. Foste convocado para aparecer um quarto de hora antes da tua hora de entrada ao serviço quotidiano. Vais levar um chá de duas pessoas a contar-te sobre medidas extraordinárias. A dizer-te que como tu há mais uns quatro ou cinco que vão ser alvo dessas medidas. E que já não precisas de trabalhar nesse dia.

Tudo bem! Tu até não estavas já a ter pica nenhuma no que fazias. Isto até é uma oportunidade para dar uma reviravolta neste marasmo de vida. Okay. Mas…

Se nos dão um coice, porque não podemos ripostar só um pouquinho? Só p'ra chatear…

Eu racionalizei a conjuntura assim: nos dias de hoje, o mercado de trabalho deteriora-se a olhos vistos. Todos os dias se perdem vários postos, sem haver uma renovação desse número com outros novos em quantidade suficiente. Ou seja, aqui cada vez somos menos úteis, cada um de nós que cai nas malhas do desemprego.

Então, o que fazer? Rumar a outras paragens onde as capacidades e energias nossas ainda possam servir a uma comunidade. E a esses oferecer os nossos préstimos como voluntários. Por vezes quem mais precisa de nós nem sempre poderá porventura dar-nos a retribuição do nosso tempo, esforço e dedicação de que mais carecemos ou que ambicionamos.

Mas então, dir-me-ão, com isso nada resolvemos da nossa vida e continuaremos na fossa! Não tem de ser necessariamente assim…

Eu passo a explicar. Hoje em dia, um voluntário que se oferece para ir ajudar com o seu savoir-faire um pequeno país que dele precise, como Timor Leste ou São Tomé e Príncipe, ou um território remoto dentro das nossas fronteiras, como a ilha do Corvo, tem de garantir previamente a sua subsistência durante a sua missão. Como? Recorrendo a um patrono.

E onde encontrar esse Mecenas, se anda tudo à rasca nos dias que correm? E por isso as empresas dispensam trabalhadores, como se expulsassem anticorpos. Ora, vejam bem, a primeira porta a quem fui bater foi justamente aquela que se me fechou nas costas.

Apelei à consciência e à responsabilidade social de quem me demitiu. Para patrocinar toda e qualquer acção de voluntariado em que eu possa vir a ser engajado. A empresa talvez já não possa suportar o custo do meu salário. Mas as organizações têm sempre verbas que reservam para doações a causas sociais. E os estados incentivam isso com reduções nos impostos a cobrar.

De modos que é isto. Tomemos esta atitude. Digamos "Okay, vocês já não podem continuar a pagar-me. Já não vos sou necessário, tão pouco. Mas há-de haver alguém, algures neste mundo, que precise de mim. Como eles podem não ter dinheiro, eu dou-me como voluntário. Vocês assim abonam-me nesta iniciativa?…".

É uma ideia doida, eu bem sei. Mas já não tenho nada mais a perder. E pu-la em prática.

Porque interiorizei que o meu futuro está no voluntariado. Quero voltar a sentir-me útil. Se tiver de o ser no terceiro mundo, que seja. Esta maldita civilização ocidental está a prazo a reduzir-nos todos a tipos rascas, mesmo!...

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