quarta-feira, 15 de maio de 2019

quinta-feira, 25 de abril de 2019

• E ninguém desconfia dele?...

Notre-Dame foi consumida pelas chamas há já uma semana... E até agora ainda não se sabe o que causou tal desastre.

O fogo deve ter sido iniciado devido ao estaleiro de obras de reabilitação da catedral. Alguém deve ter feito asneira da grossa. Alguém que deve ter deixado, por exemplo, uma beata mal apagada junto a material combustível.

Parece que foi só na quarta-feira passada que o estado francês finalmente avançou com uma queixa-crime - contra desconhecidos tão-só, ainda assim - acerca desta calamidade. E eu exclamo: atão ninguém desconfia dele?...

Falo, como é mais que evidente, óbvio ululante, e etc., do bom velho e famoso Gaston Lagaffe!…

Então ninguém ainda se lembrou que a culpa desta merda toda deve ser dele, com toda a certeza???…

O Gaston deve ter posto os pés naquele malfadado estaleiro, não digo como um trabalhador mais, necessariamente, mas quiçá como visitante. Foi ver algum dos seus amigos, outro esgrouviado como ele, e desencadeou aquele fogaréu com alguma geringonça das suas. Na sua boa vontade queria aliviar o trabalho árduo desse amigo. É o costume nele. Mas todos sabemos qual o invariável resultado das iniciativas criativas de Lagaffe…

Julgo ser o único clarividente neste mundo dos deuses a vislumbrar isto… É que até tenho andado a espreitar se teriam aparecido na net alguns memes produzidos por outros que tivessem a mesma suspeita que eu… Mas nada! Nada de nada. Como é isto possível?…

E depois, como foi esta treta possível de acontecer num país do primeiríssimo mundo como a orgulhosa França?…

É que quando foi do incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil no Rio de Janeiro, em Setembro passado, os nossos irmãos tupiniquins desataram logo a bradar que aquilo só podia suceder naquela baderna de país… Afinal de contas, shit happens em qualquer lado!… 

E será que alguém se questionou já se haverá algum contrato de seguro contra incêndio que possa cobrir estes danos na catedral de Notre-Dame?… Se não há, parece-me grave. E se há, idem. Afinal, haverá quem beneficiará com tudo isto?…

Já para não falar demasiado também do facto de muitas grandes fortunas gaulesas se terem mobilizado tão mas tão depressinha para contribuirem para a reconstrução deste big monumento deles…

A ver vamos se igualmente o fariam se um dia, por hipótese mais que remotíssima, um plano mesmo, mesmo infalível para a erradicação da pobreza mundial fosse bolado por um político veramente genial.

Isso é que era de valor, digo eu!… Tanto o plano em si quanto um político ser genial.

domingo, 7 de abril de 2019

• Back to basics

Hoje vou voltar às origens. Quando este blog foi criado para ser a expressão do homo politicus latente dentro da minha conturbada alma.

Há muito tempo já que não expunha aqui neste blog uma opinião sobre a indigente vida política portuguesa. Mas agora tenho de o fazer. Não porque vêm aí umas eleições para o Parlamento Europeu. Não.

Apenas tão-só porque reparei recentemente em algo risível. Num partido político que já existirá há alguns anos. Mas que só captou a minha atenção com alguns outdoors que por aí estão a contribuir para a urbana poluição visual. E para a confusão das mentes dos turistas yankees que nos visitam.

Falo de algo denominado PDR, Partido Democrático Republicano. Uma muito discreta - quase invisível - organização edificada à volta duma personalidade que se presume interventiva e útil à nossa colectiva vida social. Personalidade esta que terá ganho pública fama à custa de outrora aparecer amiúde na pantalha lá de casa vociferando truculentos discursos.

As aves de arribação que nos desmandam vindas das terras do tio Sam, do lado oposto do Atlântico, ficam perplexas perante a bizarra nomenclatura de tal partido político. E não é para menos.

É que afinal a dita cuja coisa é democrata ou republicana?… Ou é uma coisa ou é outra, caramba!… As duas ao mesmo tempo não lhes cabe no real bestunto como tal é possível, como tal pode acontecer.

Parece-me tão incrível que os sábios padrinhos deste partido não tenham tido em linha de conta quando o baptizaram que poderiam causar este irritante coçar da cabeça aos americanos que deparassem com a sua existência, assim por acaso ao virar duma esquina…

Podiam ter-me evitado tanto embaraço e engasgamento quando sou solicitado a explicar porquê este nome tão estranho, o que é e para que serve… É que fico invariavelmente vazio de respostas a dar a estas curiosidades forasteiras. E assim passo cada vergonha…

Nos Estados Unidos da América os eleitores são confrontados com escolhas bem simples: ou é boi ou é vaca*. O PDR será um fenómeno muito hermafrodita para os seus gostos.
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* Melhor dito, as opções são entre elefante ou burro, simples assim e animalesticamente falando.

terça-feira, 5 de março de 2019

• A voz dos muros - XVII

Pois… E ainda por cima o que me levou a descobrir este pequeno tesourinho deprimente foi um twit de uma miúda que ironicamente comentou acerca desta foto o seguinte: “Quero um amor assim!”.

Aparentemente muitas alminhas indigentes que pululam entre nós - e não apenas aqui na Tugalândia - estão a dar uma mais que desmesurada importância ao maledetto ludopédio nas suas tristes e vazias vidinhas… Demasiada, mesmo!...

Será que ainda haverá um dia que alguém soltará um grito mais original, tais como: “És bela como a aprovação do Orçamento de Estado por unanimidade!”?…

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

• A praga do coaching

Recentemente passou-me debaixo das vistas um artigo de opinião assaz interessante… Com o título “Deus pode ir de férias…”.

Neste artigo, imbuído dum espírito meio ou quiçá totalmente clerical, encontrei contudo frases que me soaram a música para os meus ouvidos, quando as leio em surdina. Eis algumas:

“Parece que a nova religião do homem moderno 
é o empreendedorismo. De matriz materialista, ela substituiu
os santos do altar por fotografias de homens de sucesso,
e os seus livros sagrados são os de auto-ajuda.
O objectivo desta cultura é o sucesso, seja lá o que isso for!”

“Ou seja, vende-se a ideia de que o potencial dos indivíduos
é ilimitado e podem conquistar tudo o que querem,
se fizerem muita força…”

Abomino essa moda actual que é o coaching. Tenho para mim que o talento é algo quase inato ou fruto do acaso.

O talento não é muito passível de ser educado, se não houver de antemão uma sementezinha que desde sempre exista lá no fundo da alma de cada um de nós. Semente essa que se pode ser uma visão, um sentido de inovação, uma chama de criatividade.

Mas isto sou eu a falar, que sou uma old soul… 

O coaching tem de facto de vender essa ideia de que o potencial dos indivíduos é ilimitado. Mas um bom coach no fundo não acredita nisso. Só que não pode dizer outra coisa.

No coaching tem de se fazer por acreditar que a qualidade nascerá da quantidade.

É preciso incutir em todos a fé que o sucesso é alcançável por todos para que no final pelo menos alguns poucos cheguem a alcançá-lo efectivamente.

Uma das áreas de negócios que depende e promove muito o coaching é o marketing directo, com os seus esquemas em pirâmide. Onde as organizações têm de recrutar o maior número possível de aderentes, dando a ilusão a todos os recrutados que conseguirão sucessos absolutos. Sabendo de antemão que não vai ser assim. Mas é preciso que a ilusão passe.

Na persecução superior a tudo do sucesso das organizações, aqueles indivíduos mais débeis a quem a ilusão tenha caído e tenha feito mossa no seu ego têm de ser considerados danos colaterais.

Preocupações de carácter ético têm de ser esquecidas quando esses danos colaterais forem a esmagadora maioria e os casos de sucesso que se aproveitam uma escassa minoria. A bem da sustentabilidade ou sobrevivência de organizações deste carácter.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

• Apatia

É o que sinto. Apatia. Desinteresse por tudo. Autismo social. O mundo em meu redor em efervescência e eu sem ligar pevide.

Brexit, gilets jaunes, shutdown, a crise social na Venezuela, o cancro chamado bairro da Jamaica, etc.. E eu não quero saber muito de nada dessas tretas todas.

Refugiei-me nas notícias sobre um evento desportivo nos antípodas. Down under. O Australian Open. O acontecimento a que mais ligo nos meses de Janeiro destes últimos anos. O resto pouco me interessa.

Este ano tivémos o João Sousa a fazer um pouco mais do que em todos os outros anos da sua carreira. Chegou a umas semifinais dum Grand Slam. Mesmo que isso seja apenas em pares masculinos, já não é mau de todo. 

É claro que atingir a final seria ainda melhor. E esteve ao seu alcance. Mas tinha logo de ser travado por um gajo que é finlandês e a viver em Tallinn, na Estónia… Henri Kontinen, a fazer par com um aussie. Henri Kontinen que eu passei a admirar depois de ter ganho Wimbledon em pares mistos em 2016. A par com uma tenista inglesa com a qual nunca tinha jogado antes uma só partida antes do torneio. É o que se chama um “instant couple” de sucesso também instantâneo.

Em singulares o João Sousa foi travado por outro tipo que assaz admiro, Kei Nishikori. 

Ou não fosse ele um nipónico samurai... Quando se fala dele lembro-me sempre dum artigo que li numa revista americana nos anos 80 sobre a evolução lenta do tennis no país do sol nascente. Dizia-se que o Japão não parecia que iria conseguir alguma vez produzir campeões mundiais neste desporto. Agora tomem lá, yankees, com o Kei e sobretudo com a Naomi Osaka!...

Agora, durante estas duras duas semanas de verão austral em Melbourne o personagem que mais me prendeu a atenção foi o que apelidam de El Greco. Stefanos Tsitsipas.

Este helénico filho de mãe russa vai longe. Vai deixar rapidamente de ser o que eu chamo de "figurante das primeiras três rondas". O João Sousa também podia ter ido longe no início de se ter tornado pro. Agora já se vai fazendo tarde… Mas o Stefanos tem ar de quem não vai deixar passar as oportunidades que se lhe depararem de futuro. 

Foi cilindrado pelo Rafa, é certo. Mas acredito que sabe agora como o bater. O grego aprende. E depressa. E já está na hora do Rafa passar o testemunho em Roland Garros. Leiam bem o que vos digo, que me sinto possuído em modo Nostradamus!…

Como confessei num recente post doutro dos meus blogs, a minha inspiração para a escrita está a demorar a recomeçar neste novo ano de 2019. Então, em vez de assuntos sobre política mundial ou local, vai de discorrer sobre desporto. Mas ao menos desta feita não sobre o ópio do povo. Antes sobre tennis, um sport que sempre foi de cavalheiros e jogado por cavalheiros. Better than rugby and football.

And way better than politics.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

• Les gilets jaunes

Se há povo que gosta de uma boa revolução, esse povo é o francês.

Estes gauleses, que são loucos segundo o próprio Obélix, já nos deram esse importante marco da história universal que foi a Revolução Francesa, no séc. XVIII. Que começou com a tomada da Bastilha, onde muitos homens bons estavam arrecadados injusta e prepotentemente.

Depois no século passado deram-nos o Maio de 68. Que começou com uns protestos inconsequentes de estudantes universitários. E que alastrou depois a toda a população, sobretudo à classe operária.

Agora no séc. XXI temos um protesto que começou com camionistas por causa dum aborrecedor imposto sobre os combustíveis diesel, mas que até é bem intencionado, por pensar no ambiente. Parece é que a coisa foi a gota que fez transbordar o copo. 

E fez com que este movimento expontâneo e profundamente anárquico dos gilets jaunes passasse a contagiar toda uma classe média e média baixa, englobando até reformados, habitualmente cidadãos bem pacatos e que não têm tanta tendência a sair á rua e gritar pelos seus direitos. Tudo é reivindicável, hoje em dia.

Até mesmo isto, algo que me toca particularmente. Alguém que se lembrou de reivindicar um fisco mais justo, vejam só!... Singular e inusitado grito este, escrito nas costas do colete amarelo dum cidadão sénior de Rennes*, visto na foto ao lado.

Não há como os franceses para praticar a desobediência civil. Pour eux y a rien de mieux que une belle bagarre.

Em boa verdade, não há cidadãos mais rascas do que os franceses.

Liberté, Égalité, Fraternité. 


Este lema em essência é muito bonito. E temos a França como um dos estados mais democráticos deste mundo. A França como um dos baluartes deste planeta no progresso social e civilizacional. Tudo bem. E no entanto o pobre do povo francês não é feliz. Dá que pensar.

Français, il vous manque beaucoup d’amour.
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* Rennes, cidade capital da Bretanha francesa, ou melhor, Breizh. Que me é muito querida, pois já lá vivi.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

• Embalar a trouxa e zarpar

Quero partir. Não quero acabar esta minha presente existência aqui.

Aqui já dei o que tinha a dar. Quero ser uma grande mais-valia noutros lugares. Dos mais diversos e longínquos que imaginar se possa. E sei que posso sê-lo.

Mas só quero ir se puder formar parcerias.

Todo este paleio vem na sequência do que postei aqui neste blog no passado mês. Isto é apenas mais um reforço desse desejo.