terça-feira, 25 de junho de 2019

• Smartphone zombies

Smartphone zombies - também designados smombies, neologismo criado numa recorrente aglutinação destes dois vocábulos anglo-saxónicos iniciais - são uma abjecta praga dos tempos modernos.

Ainda eu me julgo um cidadão rasca… Mas há quem abuse mais do que eu da rasquice. 

Eu também posso passar por um smartphone zombie, por vezes. Quando estou a tomar o café matinal na cafetana de meu costume pessoal. Aí dou azo à minha faceta anti-social, fechando-me na minha concha e vidrando-me no meu telefone móvel*.

Creio no entanto que sou capaz de reconhecer quando este acto se começa a tratar de uma adição e sei quando parar. Mas a maior parte das pobres alminhas com que nos cruzamos em transportes públicos - nomeadamente no Metro, do qual sou um bom utente, ainda… - não conseguem ganhar essa consciência. E não sabem quão ridículas se tornam. O que vale é que o ridículo não mata...

Há mais vida do que aquela de que são espectadores nos écrans dos seus celulares!… 

Há tanta vida a acontecer ao seu redor. Tanta gente bonita que lhes passa despercebida. Porque dispensam tanta da sua preciosa atenção a mensagens em grupos de WhatsApp que quase só servem para partilhar boçalidades? Ou posts vazios de um real interesse de mânfios que nem bem conhecem no Feicebuque?

E se não são mensagens ou posts em redes sociais, porquê tanta conversa jogada fora no caminho de regresso a casa, com o telelé sempre colado ao ouvido? Ou pior, com o auricular. Parecendo mesmo uns tontinhos que estão a falar sozinhos. Solilóquios sempre vociferados em altos valores de decibéis...

Para quê tanto treco-lareco inútil?… E porque é que todos ao lado têm de gramar com detalhes parvos de vidas alheias? Porque é impossível muitas vezes abstrairmo-nos completamente desse ruído ambiente…

Há que introduzir nos currículos escolares a aprendizagem do uso racional das novas tecnologias, sobretudo desse objecto ainda tão novo que é o telefone móvel. Antes que venha a ser tarde demais. Antes que venhamos a ser todos rascas demais.
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* A palavra “telemóvel” não consta do meu vocabulário. Afiançaram-me um dia que tal designação seria uma marca registada dum antigo operador de rede móvel, a TMN, e que não deveria ser usada pelos outros operadores. Ao invés uso a expressão “telefone móvel”. Mas devo ser o único…

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