quarta-feira, 7 de setembro de 2016

• Migrações

Dizem os nossos amigos antropólogos que a humanidade nasceu no continente africano...

É lá ao menos, no vale de Awash, na região de Afar, Etiópia, que se encontrou resquícios do esqueleto de um hominídeo da espécie Australopithecus afarensis, tido como o mais antigo que se conhece até aos dias de hoje. A famosa Lucy, assim “baptizada” pelos Beatles.

A Lucy e a sua “turma” serão, portanto, os antepassados comuns de todos nós, humanos que habitamos em todos os cantos deste planeta.

Terá sido, então, daquela região de Afar na Etiópia que os primeiros seres inteligentes emigraram ao longo de inúmeros anos para longe dali. Inicialmente - a geografia o impõe e a história o terá confirmado -, através da península do Sinai para o Médio Oriente e em seguida para a Europa. Mais tarde para o Oriente longínquo da Ásia de leste e mais tarde ainda para as Américas, através do estreito de Bering. Isto é ponto assente.

O que levou aqueles pobres australopitecos a querer zarpar um belo dia da sua região natal?… A necessidade de sobrevivência, supõe-se. O mesmo impulso que empurra os actuais migrantes africanos a sair do seu exangue continente negro e a tentar cruzar desta vez o Mar Mediterrâneo em barcos de borracha mais que superlotados. A História repete-se, afinal de contas.

Nós, os descendentes da Lucy que vivemos aqui na Europa há já largos séculos não gostamos no entanto deste impulso dos nossos primos afastados…

Ah, já não cabem mais aqui!…”, dizemos a eles. 

Pois!… No princípio não havia aqui ninguém na Europa. Cabiam cá todos nessa altura. Quem veio para cá ocupou a terra e desenvolveu civilizações. Melhor e mais rapidamente do que os que deixámos para trás em África. Até aqui, tudo bem!…

Já não me parece bem é estarmos melhor de vida agora e não querermos partilhar essas melhorias com aqueles de quem os nossos pais e avós nasceram.

E não fomos nós, os europeus vivinhos da Silva, que criámos essas melhorias. Não. Nascemos todos já a usufruirmos destas. Podíamos bem não ser sacanas nem meter nojo e deixar que outros gozem também da nossa supostamente boa vidinha. E que de alguma forma todos juntos fizéssemos esta vidinha aqui poder ser ainda melhor do que já é. Numa win-win situation.

Mas para tal é preciso ter tomates!... Para querer abarcar uma tal façanha ilustre. E tomates é o que nós, que fomos ficando branquelas, não soubemos ir conservando no nosso ADN. Não tanto como os escurinhos que querem invadir o nosso espaço vital e a nossa zona de conforto. Ameaçando-a.

Francamente!… Dizemo-nos tanta vez tão mais civilizados do que eles. Mas essa nossa civilização ocidental, a par do bem-estar que nos trouxe, também desenvolveu esse tumor - que tanto quanto eu presumo, ainda pode ser considerado benigno, logo em tempo de ser combatido - que é a economia liberal*. Que, se não nos cuidamos, ainda vai dar cabo dessa civilização tão arduamente edificada. E da própria humanidade em si. 

Vamos lá mazé investir mais nos humanos. Nos que já cá vivem e nos que querem vir para aqui viver. Em vez de investirmos tanto em acções, dívidas públicas, activos tóxicos (ou mesmo não tóxicos), com dinheiro que artificialmente criamos em bancos de dados electrónicos.

Tanto maldito dinheiro virtual, não-físico, que p’rái andaram a inventar a partir do nada!… Somas astronómicas que tão rapidamente são criadas numa memória dum computador como desaparecem num ápice!… Quando é que vamos encarar de frente com olhos de ver a estupidez da coisa?… Ou será que já atingimos o ponto de não-retorno da estupidez humana rumo a esse infinito para o qual Einstein nos alertava?…

Enfim, lá estou eu uma vez mais a dar uma de louco demagogo… 
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* Liberal ou neo-liberal, ou seja lá como for que se queira baptizar essa porra!…

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