sábado, 6 de fevereiro de 2016

• O que faz falta…

…É avisar a malta / Do que faz falta.

Assim cantava esse ilustre bardo lusitano que é Zeca Afonso.

Nem por acaso, estive no último dia do passado mês de Janeiro, num domingo algo sombrio, na Associação José Afonso. Ao pé da nossa podre Assembleia da República, na Rua de São Bento, nesta Lisboa. Num evento intitulado “Where does art end? Where does politics start? From Performance to Actionism.”, promovido por uma associação que se nomeou como Russofonia.

Evento no qual aprendi algo sobre mim. Que eu tenho levado a minha existência sempre pelo lado da transgressão.

Na transgressão sobretudo aos medos incutidos em todos nós pela vida em sociedade. E reflicto nestes últimos anos essa transgressão em algo que poderá benevolamente ser classificado de arte nesta escrita aqui mesmo, neste blog, um vosso criado.

Nunca fiz performances num espaço público, como as que nos foram mostradas num video neste evento. É mais no recato solitário do meu quarto que eu transgrido escrevinhando. Com quase nula visibilidade. Mas é o que eu sei fazer.

Talvez um dia faça uma performance. Quem sabe… À porta duma qualquer Repartição de Finanças, o meu inimigo e ódio de estimação. Ou a parte de toda a máquina opressora de cidadãos do estado português que mais necessita de ser revista.

Porque creio que a lendária, proverbial ou histórica malvadez congénita da nação portuguesa, que em tempos idos produziu abjecções contra a humanidade, como os Tribunais do Santo Ofício, vulgo Inquisição, parece estar remanescentemente depositada nos recônditos princípios da missão e valores do Fisco nacional.

Bom, mas isso são coisas só minhas. E há questões muito mais importantes do que apenas as minhas, pessoais. Como por exemplo, a urgência duma reforma dos vários e variados sistemas de justiça nacionais neste planeta dos humanos.

No topo deste post, Barack Obama, himself, a avisar a malta do que faz falta!… ou um presidente dos Estados Unidos da América armado em activista. A bem e em fim de mandato, quando todos os presidentes se soltam mais de quem lhes puxa os cordelinhos.

Os EUA, Estados Unidos da América, auto-proclamada a maior democracia do mundo. Com uma das maiores percentagens de prisioneiros - cidadãos seus que estão ou foram alguma vez na sua vida encarcerados em penitenciárias - per capita no mundo inteiro. Há algo de errado nisto. Óbvio ululante.

Não sei bem porquê, quando vi hoje esta citação de Obama a que aqui procuro dar um eco local, vislumbrei um qualquer elo de ligação, mesmo ténue, com a matéria de facto do evento que presenciei no domingo anterior. Talvez por se ter evocado de soslaio outro líder mundial, Wladimir Putin...

Esta causa de Obama é, também e aliás, a grande luta de outro activista norte-americano, o cantor John Legend, do qual sou fan enquanto artista e cidadão.

É preciso um novo grito hoje em dia. E esse grito é…

Activistas de todo o mundo uni-vos!… 

Até porque os proletários estão irreversivelmente em vias de extinção, tal como o trabalho e o emprego, sua razão última de existirem. Um dia todos os proletários serão robots ou aplicações informáticas.

E também porque como lembrou um dos oradores neste notável evento, João Garcia Miguel, activistas e/ou (sic) "artistas são, paradoxalmente, daqueles cidadãos* em quem mais podemos confiar". Médicos, advogados, engenheiros, políticos, empresários, economistas - sobretudo estes últimos - todos nos faltam à verdade

Seja por um sempre convenientemente alegado "sentido de estado". Ou por um suposto dever profissional. Ou por uma lealdade, que tantas vezes esquecemos dever em primeiro lugar a nós próprios e à verdade e não a interesses particulares. E é claro, a lista de honradas classes profissionais não acabaria por aqui, longe disso...

Artistas do mundo inteiro são o último reduto da verdade, como também bem falou este orador que acima citei. E eu acrescento da pureza e da nobreza de sentimentos, também.
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* Que a priori julgaríamos preconceituosamente "rascas", porventura...

2 comentários:

Anônimo disse...

Não quis que o patinho morresse!
Uma interessante reflexão.
Luísa Guerreiro Mendes

Giuseppe Pietrini disse...

Obrigado por ter salvo o patinho, Luísa. E pelo comentário também.

Beijim!... ;-)
Giuseppe