segunda-feira, 5 de novembro de 2012

• O Ar, esse activo menosprezado

Hoje estou com uma veia neo-liberal, economicista e fiscalista, tudo junto. E com vontade de contribuir com uma modesta achega para a tão propagada "refundição" deste nosso país.

É que vejamos… os antigos gregos nos ensinaram que tudo na mãe natureza é constituído por quatro elementos essenciais: a terra o ar, a água e o fogo. E de todos estes só o ar ainda é de borla! Porquê?…

Antigamente, se queriamos terra para os vasos das plantas lá de casa, aqui pelas minhas bandas diziamos que iamos "roubar" - sim, assim mesmo, roubar, com sentimento de culpa, mas poucochinho, claro!… - com uma enxada, uma pá e um balde o bom do solo arável que existe no cimo da Serra da Amoreira, lugar bendito. isto porque se fôssemos a um horto, tinhamos de pagar os sacos de terra boa para as hortências.

A águinha, como por exemplo aquela engarrafada da Voss, também tem um preço. Altíssimo, se dentro da sua minimalista embalagem de vidro de design moderno; muito menos caro na factura se tirada da torneira de qualquer casa na região rochosa da Noruega onde este H2O mineral brota. Mas de resto em ambos os casos é da mesmíssima água que se trata. Ah, pois! Não sabiam ainda esta?...

No que toca ao fogo, os fósforos, os isqueiros, as acendalhas, os briquetes, o álcool ou o carvão, tudo isto tem de se adquirir com aquilo com que se compram os melões. 

Agora o ar não. Sempre foi de borla. E não é justo que este status quo se mantenha por mais tempo.

Um estado, nomeadamente o português, hoje tão depauperado, além de ter de garantir a sua soberania sobre a terra dos seus solo e subsolo e da água dos seus rios e mares também deveria garantir essa soberania sobre o ar acima da nossa lusitana terra e mar.

Além disso, o ar que respiramos, afinal, não é mais do que um produto de consumo. E o estado português sustenta instituições que têm de zelar pela boa qualidade do ar, esse produto tão corrente. Logo, pela lógica do utilizador-pagador, tão em voga, o estado deveria procurar com um imposto garantir a existência dessas instituições e a manutenção do serviço público por estas prestado.

E o pior é que não é só o estado a menosprezar este activo tão valioso e essencial á economia. O sector privado também anda cego.

Senão vejamos: qualquer puto viciado em snifar cola de contacto pode ir encostar-se ao muro de qualquer fábrica de colas e vernizes em laboração para apanhar uma g'anda moca à pala! E quais de nós não gostam de usufruir de borla daquele odor açucarado que se espalha pela atmosfera às 2h da manhã na vizinhança de pastelarias com fabrico próprio? Ou o das panificadoras…

E ainda estamos apenas no plano do ar aditivado com compostos artificiais! Ainda faltará abordar a temática do ar não poluído. E sobre isso, há uma consequência desta crise socio-económica vigente que ainda ninguém parece ter notado. Estamos a ficar com o ar cada vez mais puro.

O sector industrial português está em desaceleração. Donde os níveis da sua inerente poluição se revêem em baixa. E o ar fica mais respirável. Para usufruto dos senhores da Troika e dos turistas seus conterrâneos, que não têm um ar tão puro lá nos países donde vieram! Não é justo! Se provocam a ruína do nosso tecido industrial, com esta austeridade torpe que tanto penaliza o consumo, deviam agora pagar por virem para cá gozar este ar limpo, que cá sempre o foi e ainda ficou melhor do que nas Alemanhas desta vidinha…

Vá, senhores governantes do meu país, vamos agora também fazermo-nos caros com esta corja de abutres que nos anda a comer as papas em cima de nossas cabeças! E não só com estes! Agora, quem quiser o nosso ar fresco matinal, esta mescla com toques suaves de maresia e de cheiro a campo*, seja um honesto autóctone ou um forasteiro bandido, vai ter de sacar dos dobrões, qu'é bem feito!
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* Cheiro a campo esse que é devido à bela da bosta das nossas pachorrentas vaquinhas, alimentadas por pastos bem verdes. E não com aquelas porcarias das rações animais que só anglo-saxónicos podiam ter inventado, com as manias que estes têm de pôr a economia acima de tudo. Perdoai-me, leitores... mas gente com essa filosofia e a que concorda com os sofismas que hoje aqui proclamei, o que mereciam era mandá-los todos à m...

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