sexta-feira, 27 de agosto de 2010

• Plano Inclinado

Não sei se alguém já reparou mas existe há já largo tempo um programa de televisão na SIC Nutícias intitulado "Plano Inclinado".

Nele se exerce a má língua, numa vertente bem portuguesinha. Exercício jornalístico demasiado fácil.

É fundamental que exista um programa como este. É preciso escutar todas as vozes. Mesmo aquelas que o povo costuma dizer que suspeita que não cheguem ao céu. Mas mais urgente será haver outras vozes diversas destas, que não promovam apenas a natural tendência negativista da raça lusitana.

É preciso escutar vozes optimistas. Bem sei que será um exercício mais difícil, mas por isso mesmo, também um desafio a tomar preferencialmente por todos aqueles que se julguem homens com H grande.

Por aquilo que atrás fica expresso, sugiro à comunicação social, sobretudo às estações de televisão que têm um "Plano Inclinado" que inaugurem com urgência um novo programa ou rubrica que funcione como o antídoto social contra todo o veneno destilado e já disseminado no corpo da nossa sociedade hipocondriacamente doentia.

E já agora, que seja não só algo que incuta optimismo - em doses homeopáticas, porque o optimismo é medicina demasiado forte para o tuga típico - mas que ponha as questões que são fundamentais serem postas e que dê as respostas inteligentes.

Vamos a um exemplo, para as pessoas melhor poderem compreender. Se forem atentos, caros leitores, já terão reparado que quando o governo anuncia uma medida que, á larga maioria da sociedade portuguesa até pode parecer benéfica, - e falo aqui duma iniciativa governamental, mas podia referir também uma prposta de lei apresentada por um qualquer partido da oposição - a reacção pavloviana de todo e qualquer partido que ao governo não pertença é de imediato não mostrar qualquer sinal de aprovação implícita dessa medida e antes realçar qualquer aspecto menos positivo desta.

Ou seja, nunca recebemos comentários inteligentes e racionais mas apenas opiniões condicionadas por um perverso instinto animal político.

É necessário constituirem-se think tanks que dissequem as questões assim: "OK, esta medida X vai ser criada. Que benefícios comuns ela irá gerar? Poderemos nós, os visionários deste think tank, antever outros benefícios, para além dos já anunciados pelos promotores desta medida? Quais os custos que a obtenção desses benefícios exigirão? Valerão a pena? Poderemos minorizar esses custos de alguma forma?".

Tudo isto reflectido evitando ao máximo quaisquer condicionalismos.

Um último exemplo, este mesmo concreto e de uma iniciativa com a qual nem sequer concordo de princípio: o PSD fez uma proposta de revisão constitucional. Ouvi sobretudo criticar esta proposta pela inoportunidade temporal da aparição desta. Pouco escutei discutir sobre as alterações contidas na proposta.

Quem sabe, até podiam ser dignas de análise cuidada... Pedro Passos Coelho ainda me merece um crédito de benefício de dúvida em relação à sua valia de reformista. E nós, portugueses, precisamos de reformistas valorosos. Não os deviamos maltratar, como andamos a fazê-lo com José Sócrates.

Assim estamos como que a matar a galinha dos ovos de ouro.

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