quinta-feira, 9 de julho de 2020

• Sobre as touradas...

Quando eu era um petiz inconsciente, entre os meus 3 a 8 anos, vivi em casa dos meus caros avós maternos, mesmo ao lado dum edifício imponente e marcante desta cidade de Lisboa: a Praça de Touros do Campo Pequeno.

O meu avozinho, na sua boa fé, sempre incentivou os seus filhos e netos a gostar do espectáculo da festa brava. 

Levava-os a assistir a touradas, para criar ou desenvolver o gosto por aquilo. E conta a senhora minha mãe que o pai dela, quando não podia entrar na Praça por razões do dever chamando para outras missões, pedia a qualquer estranho na fila da bilheteira para levar consigo o seu filho ou neto menor, uma vez que este não podia entrar sozinho, devido à tenra idade.

Não me lembro de tal awkward situation ter acontecido comigo, ir com um estranho assistir a uma corrida. Mas bom, com o meu avô, sim. E como se pode deduzir, eu passei a detestar a dita “festa do touro”. O efeito contrário ao que o meu avô pretendia.

Na altura, não estava ainda muito consciente do errado que há na tortura de animais. Era mais por ser forçado a estar onde não queria lá muito permanecer.

Um dia lembro que minha mãe quis que eu fosse numa visita guiada aos bastidores da Praça do Campo Pequeno.

Deambulei pelas caves daquele redondel, então já adolescente. Pelos camarins dos toureiros e por uma área mais sombria: o touril. E as recordações que me restam é que aquilo tresandava a morte por todo o lado. Uma coisa  simplesmente sórdida…

Há uns 10 ou 15 anos atrás, por acaso subi desde o centro comercial da mesma Praça até às bancadas. Assim como quem anda a vaguear sem propósito fixo. E dei por mim a ser testemunha duma amostra da reles cobardia humana.

Era uma dita garraiada, festa organizada por uma qualquer associação de estudantes universitários. Que consistia nisto: Um grupinho de palermas, na grande maioria machos, rodeavam um bezerro, imóvel no meio da arena.

O animal viria a ser um touro de lide, provavelmente. Mas naquela ocasião ainda era bem juvenil. E coitado, estava tolhido de medo. As suas patas tremiam como varas verdes. Os seus cascos pareciam colados ao chão de areia. E os valentões dos moços estudantis, aproximavam-se dele, um a um, para lhe bater. Para o picar, com palmadas no focinho. Grandes homens, aqueles!…

O animal devia ter sido acabado de ser arrancado da lezíria, onde crescia feliz. E viu-se de repente rodeado de tantos humanos, como nunca antes na sua vida. E o medo não o deixava mover-se dali, do centro da arena e das atenções das bestas.

Então, para mim, mesmo que me digam que é só uma brincadeira, que aquilo não faria mal ao pobre animal, eu fiquei com vergonha de ser da raça humana. Da mesma raça daqueles estúpidos cobardes.

Os espectáculos no circo - da célebre política do panem et circenses - do grande Coliseu de Roma acabaram.

E muito bem, porque vejamos, provocar sofrimento em outros seres, sejam estes homens ou animais, de uma forma consciente e deliberada, não pode servir de atracção. De entretenimento. É errado. Ponto final parágrafo.

Quando o Coliseu de Roma debutou a ser uma ruína, houve um salto civilizacional que se concretizou. Um salto igual um dia irá acontecer a todas as Plazas de Toros neste mundo inteiro.

Essa subida de nível da civilização já começou na Catalunha, em Espanha, país tão pleno de afición. E todos nós sabemos, mesmo os que vivem da festa brava - cavaleiros, toureiros, ganaderos, etc. -, que isso vai calhar a todos. Porque, mais uma vez recordo à saciedade, o sofrimento, a tortura, enquanto razão da existência dum espectáculo, é algo E-R-R-A-D-O!!!…

Só que há que fazer pela vidinha… E por isso os aficionados só esperam é que a extinção das touradas venha a acontecer nas gerações vindouras. Não na sua. E esperneiam. E invocam a tradição.

São tão-só uns grandessíssimos filhos de puta*.

Na nossa praça coabitamos amiúde com um comentador televisivo - que não vou nomear aqui, mas toda a gente o vai reconhecer - de quem posso afirmar até por vezes apreciar a sua voz reivindicativa.

Filho duma grande poetisa, da qual não terá herdado a sensibilidade. Só do pai terá recebido a rusticidade. E que se encarniça como um Rottweiler contra o PAN, Partido das Pessoas, Animais e Natureza. Que terá elegido como o seu ódio de estimação predilecto.

Sinto pena dele, ao vê-lo espumar da boca com raiva contra a razão pura… Não fica nada bem na fotografia, quando se transmuta num irreconhecível troglodita.

People, make no mistake. One day bullfighting shows will be banished. All over the world.

O mundo vai evoluir nesse sentido e todos nós o sabemos. Mesmo os que persistem vivendo em negação desse facto.
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* E aqui há que pedir perdão às concubinas, meretrizes e matriculadas desta vida, às quais eu presto o meu maior respeito e homenagem.

domingo, 28 de junho de 2020

• Dois recadinhos lá p'ra casa...

Dois recadinhos lá p'ra casa... Como soe ouvir-se apresentadeiros(as) de programas tv da manhã ou da tarde para entreter o povinho terem que dizer - de uma forma meio envergonhada, suponho - quando vão ter que falar e de associar a sua imagem pública a produtos ou serviços de empresas que patrocinam esses programas. Ou seja, de quem lhes paga os ordenados.

Há que fazer pela vidinha… sobretudo quando nos vendemos por um preço nada negligenciável.

Em cima vemos o recadinho para a malta que está deserta para se acrescentar a ajuntamentos que já têm gente a mais e fazer número. 

Porra!… Que sentido tem espaços amplos ficarem cheios a abarrotar com vários grupinhos de mamborreiros, cada grupo com a sua “doença”, bebendo e olhando feito basbaques uns grupos para os outros?… Não era mais lógico cada uma destas grupetas irem para um barzinho com ambiente mais cozy, mais a sua toca?… 

Ou agora para a malta do football… Ainda não aprenderam com esta crise pandémica, com aquilo a que estes estados de emergências vos obrigou, que podem muito bem passar sem essa merda*???… Faz-te á life, Juve Leo, Super Dragões, No Name Boys e outras abjectas corporações quejandas!…

Outro recadinho, em baixo, é sobre o uso da máscara cirúrgica. Fica assim para reforçar que é mesmo preciso usar máscara, gentchi!… E não é por vocês. É sobretudo para protegerem a nós, todos os outros, de vocês, dos miasmas que vocês podem transportar convosco. Todos podemos ter o bicho sem saber e sem ter os seus sintomas chatos.



Sejam rascas como eu, mas não em demasia, tá?…

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* Até o presidente da FPF, Federação Portuguesa de Futebol, já veio dizer publicamente que este desporto-espectáculo morreu, tal como existia antes da pandemia.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

• Cadastro?...

Não sei se fui só eu a reparar nesta tirada do nosso ainda ministro das finanças, que eu acho um bom pândego… 

Dizia ele isto a propósito de lhe perguntarem num telejornal em horário nobre se ele não julgava que haveria uma certa incompatibilidade entre a sua actual função e a presumível futura, a de governador do Banco de Portugal.


Eu aprecio bastante Mário Centeno, não haja aqui qualquer dúvida. Além da competência que demonstra na sua área profissional ser pelo menos bem acima da média - o que já não é pouco para um economista, ou seja um praticante de artes divinatórias - ele é ainda um senhor que tem resposta pronta para toda a provocação que venha por aí no seu caminho. Bravô! Bravô!…


Não, sr. Ronaldo das finanças, ter sido ministro - e principalmente no seu ministério - ainda não é cadastro. Ainda não. Mas dá que pensar esta sua frase…


É que, convenhamos, ser ministro das finanças, entre outras coisas, é ser o “padrinho” dum bando de malfeitores. De execráveis chefes de repartições de finanças, disseminados por todo o território. Que roubam, literalmente roubam milhares ou milhões de seus concidadãos. Sem dó nem piedade. À queima-roupa. Em nome de um sentido de estado, está certo… 


Para angariar verbas que serão postas ao serviço do bem comum, está certo, também… Mas roubam.


Eu fui espoliado por um safardana desses.


E gostaria de um dia ter hipóteses da minha causa ser ouvida. Mas se não for nunca… A vingança é um prato que se come frio.

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Nota: Caro Mário Centeno, nunca me hei-de esquecer desta sua gracinha, ao nomear um plano do seu ministério… Mas até lhe agradeço a deferência.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

• Copo meio cheio?...

…ou copo meio vazio? Ser ou não ser, eis a questão, uma vez mais.

Se o meu caro leitor, na sua indelével rasquice, não sabe nunca o que decidir pensar… Então aqui vai uma pequena ajuda bem providencial!…

Como se aconselha na ilustração aqui ao lado, em franciú, “Se só consegues ver o copo meio vazio, despeja o seu conteúdo para um copo mais pequeno e deixa de ser chato!…”.

Bom, dizer que* a tradução literal do vocábulo** “emmerder” não é bem “ser chato”. Mas dá para perceber, não?…

E com esta filosofia de vão de escada ou de tempo de pandemia despeço-me por hoje com amizade, até ao próximo post num blog perto de si.
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* Sou só eu que reparo nisto ou outras almas despertas - que por aí quiçá existam - reparam também que muitos repórteres tv debutam várias frases nas suas alocuções tão eruditas com este "Dizer que..."?... E que achar desta suposta recente moda da oralidade do português?... Não vos soa uma beka pirosa?... ou pimba?...

** E a páginas tantas até nem é traduzível...

segunda-feira, 1 de junho de 2020

• Criatividade em tempo de pandemia, parte 2

Um outdoor que pode ser visto na pobre da Pindorama, duramente atacada por esta pandemia… 

No comments. I mean, I’ve no more comments about this. But you readers, you may have. And should write them here in this blog. Please support my blogging activities, if you can. Bless ya!...

segunda-feira, 25 de maio de 2020

• Criatividade em tempo de pandemia

A Burger King poderia ser uma das minhas lovemarks, se não fosse eu já curtir a marca portuguesa H3.

Eu tanto consumo BK como a sua mais directa concorrente. Mas talvez prefira na maior parte das ocasiões saciar a fomeca na primeira destas duas yankee fast food big references.

O que se justificará pela sua criatividade demonstrada nesta época aziaga e em alguns países europeus.

A campanha publicitária da BK Itália é algo simplesmente sem palavras!…

Na Alemanha aquelas costumeiras coroas reais de cartolina oferecidas à disposição de todos nos restaurantes Burger King ganharam umas abas enormes, à laia de sombreros mariachis, que se revelam uma ajuda preciosa para melhor gerir este maldito mas tão necessário distanciamento social.


Em França, na Avenue des Champs Élysées em Paris - onde eu comi o meu primeiro Big Mac, muito antes de tal façanha ilustre vir a ser possível em Portugal - a BK e o McDo estão mesmo lado a lado.

Os criativos da conta da Burger King francesa acharam por bem mesmo enquanto todos os restaurantes tinham de estar fechados - por força do decretar o estado de calamidade ou de emergência, não sei bem qual, lá no Héxagone - não deixarem de querer comunicar com o seu target, ambicionando ao mesmo tempo cativar o target da sua concorrência da marca com os célebres arcos dourados.

No outdoor na fachada do restaurante BK aconselha-se toda a gentinha a manter o afastamento social em relação aos nossos vizinhos. E numa mensagem subliminar, diz-se nesta peça publicitária “Especially if he has a red nose”. Touché!...

Como bom cidadão rasca, compreendam que eu só posso aplaudir de pé estas sacanagens boladas pelo Advertising, meio onde eu já me movi em tempos idos, sem grandes saudades.

A vida dá muitas voltas, soe dizer-se... Mas quem de nós é que poderia imaginar alguma vez as putas das reviravoltas que todos nós de repente sofremos?...

sexta-feira, 8 de maio de 2020

• Bolsominions

Os “Bolsominions" é como passaram a ser denominados os cidadãos apoiantes - diria até fanáticos - do presidente Jair Bolsonaro, na gíria local do seu país, a Pindorama.

O muito bem bolado termo “Bolsominion” - como todos devem saber já, mas não é de mais explicar isto às pessoas que há muito deixaram de ser criancinhas - deriva dos Minions, esse pequeno exército de hirsutos seres amarelos - also known as Mínimos em Portugal, embora quase ninguém por cá tenha adoptado essa designação aportuguesada - que estão ao serviço nos filmes de animação da série “Despicable Me” - no Brasil chamam-lhe “Meu Malvado Favorito” e em Portugal “O Mal Disposto” - dos estranhos e terríveis projetos desse grande líder chamado Gru.

O autor deste blog patético também poderia muito bem ser apelidado de “O Mal Disposto”… Assim sou visto por muito boa gente... Mas não sou ainda tão famoso que justifique alguma outra alma dar-se ao trabalho de me pôr uma alcunha. Ainda não…

O autor deste blog, entre outras coisas, tinha até algumas semanas atrás uma franca actividade profissional como guia turístico. O que me impelia a ter que lidar e conviver com um significativo número de viajantes provenientes das terras de Vera-Cruz.

Muitos desses espécimens ou animais racionais eram genuínos Bolsominions. Mesmo quando aparentavam ser donos de alguma sagacidade.

No topo deste post disponibilizo um manual de bolso(naro) para entender quem ou como são os nossos turistas tupiniquins que pululavam por aí, até há uns tempos atrás, antes dos diversos confinamentos se terem implementado pelo mundo inteiro… 

Turistas esses que espero hão-de voltar. Com indivíduos em maior numero iguais à mulher de garra que se vê na pintura/meme aqui um pouco acima…