sábado, 21 de março de 2026

• Rua da Cruz dos Poiais

Rua da Cruz dos Poiais, nº 10, perto da Rua de São Bento, Lisboa. Morada das instalações da Associação dos Albergues Nocturnos de Lisboa. Que é uma instituição particular de solidariedade social (IPSS), fundada em 1881 pelo rei D. Luís I. 

Uma nova experiência social a somar a tantas outras porque passei nesta minha existência. Depois de todas as deambulações que tenho vivido desde o início deste ano, eis que estou há quase um mês inteiro a dormir sob o tecto desta instituição. Numa relativa paz de espírito. A recuperar fôlego para outros vôos mais altos, espero bem...

No entretanto, os meus dias são quase como que uma estadia turística na cidade que me viu nascer mas da qual descubro ultimamente muitos factos e lugares que me eram tão desconhecidos, para notável surpresa minha. E passo a concretizar...

Há um forte carácter pornográfico neste ecossistema urbano onde convivem nómadas digitais com indigentes locais, fome num meio com tanto boteco que aspira a ser gourmet, este albergue e casas de lisboetas velhotes lado a lado com boutique hoteis e apartamentos remodelados com rendas a peso de ouro. Galerias de arte e ateliers de artesãos em face de minimercados de paupérrimos migrantes hindustânicos. E tantas outras merdas.

Enquanto aqui neste bairro degradado permaneço já tive a oportunidade de ver um acontecimento solene, a cerimónia de tomada de posse do nosso novo presidente. Um homem discreto que só ganhou direito à cadeira-mor do panorama político português porque… 

Porque não havia alternativa possível. Era ele, o Tozé, ou uma criatura inqualificável, para dizer o mínimo. Era ele ou um futuro muito inseguro. Enfim, agora deste modo temos um presidente anti-vedetismo. Ao estilo daqueles presidentes que ninguém conhece, como o da Confederação Helvética.

É capaz de não ser mau de todo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

• Uma conquista pessoal

Nalgumas redes sociais vejo bastas vezes imigrantes* a celebrar importantes - isto segundo a sua mui singular perspectiva - conquistas pessoais. Tais como terem conseguido um emprego como "motoristas de ônibus" da Carris Metropolitana depois de arribarem áquilo a que passaram a designar como “Guiana brasileira”.

Parece-me aliás que os RH desta empresa de transportes públicos devem ter como requisitos eliminatórios nas novas contratações para a função mencionada não dizer “autocarro” e dizer antes aquela palavra que falei acima…

Cá o rapaz vem celebrar aqui e agora outro tipo de conquista pessoal: já consigo injectar no meu bandulho a maldita insulina.

Procrastinei o mais que pude fazê-lo. Como um bom cidadão rasca, desdenhando a sua própria saúde. E confesso que só o logrei desta feita porque… Comprei uma pomada anestesiante.

Sou do sexo masculino, que como todos sabemos é o mais fraco. O mais medricas em relação à dor. E tenho pavor de agulhas.

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* Sobretudo entre uma leva de brasileiros evangélicos que têm vindo recentemente para Portugal. Regra geral estes infelizes para além de chatos são cumulativamente acometidos do síndrome de bolsominion. 

domingo, 25 de janeiro de 2026

• 8 de Fevereiro

Não vai ser como a primavera marcelista da democracia. Sim, porque Marcelo Rebelo de Sousa protagonizou uma primavera também. Após o longo inverno - há quem diga inferno - cavaquista.

Mas vai ser - seguramente, digo eu - uma das maiores cabazadas que o populismo primário e o ódio sofrerão

Nem quero pensar num cenário diferente. Precisamos dessa higiene política. Há um persistente cheiro a mofo no ar que respiramos, a crescer de tal modo que já se vem tornando insuportável.