Rua da Cruz dos Poiais, nº 10, perto da Rua de São Bento, Lisboa. Morada das instalações da Associação dos Albergues Nocturnos de Lisboa. Que é uma instituição particular de solidariedade social (IPSS), fundada em 1881 pelo rei D. Luís I.
Uma nova experiência social a somar a tantas outras porque passei nesta minha existência. Depois de todas as deambulações que tenho vivido desde o início deste ano, eis que estou há quase um mês inteiro a dormir sob o tecto desta instituição. Numa relativa paz de espírito. A recuperar fôlego para outros vôos mais altos, espero bem...
No entretanto, os meus dias são quase como que uma estadia turística na cidade que me viu nascer mas da qual descubro ultimamente muitos factos e lugares que me eram tão desconhecidos, para notável surpresa minha. E passo a concretizar...
Há um forte carácter pornográfico neste ecossistema urbano onde convivem nómadas digitais com indigentes locais, fome num meio com tanto boteco que aspira a ser gourmet, este albergue e casas de lisboetas velhotes lado a lado com boutique hoteis e apartamentos remodelados com rendas a peso de ouro. Galerias de arte e ateliers de artesãos em face de minimercados de paupérrimos migrantes hindustânicos. E tantas outras merdas.
Enquanto aqui neste bairro degradado permaneço já tive a oportunidade de ver um acontecimento solene, a cerimónia de tomada de posse do nosso novo presidente. Um homem discreto que só ganhou direito à cadeira-mor do panorama político português porque…
Porque não havia alternativa possível. Era ele, o Tozé, ou uma criatura inqualificável, para dizer o mínimo. Era ele ou um futuro muito inseguro. Enfim, agora deste modo temos um presidente anti-vedetismo. Ao estilo daqueles presidentes que ninguém conhece, como o da Confederação Helvética.
É capaz de não ser mau de todo.
Sem comentários:
Enviar um comentário