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domingo, 14 de junho de 2026

• Aquele tal meme estúpido

Estou cansado e absolutamente fartinho daquele horripilento meme da Guiana brasileira!…

É que para mim não é um simples meme, é um sério aviso do que pode vir por aí. Do país onde nasci e do qual sou nacional se tornar por reverse colonization um novo Brasiú.

Com toda aquela gente burra e ingrata que apesar de tudo o que detestam aqui continuam a querer vir para cá. E estragar Portugal, tal como estragaram o país deles.

Meus queridos tugas, lembram-se dos livros da inocentezinha Anita da nossa infância aqui na Lusitânia?… Pois com os zucas todos que aqui demandam, um dia poderemos ter uma capa como a que mostrei acima. Ou outras, como “Anita fez a décima terceira tatuagem”, “Anita com os maconheiros” ou “Anita garota de programa”.

E depois sempre aquela conversa chata do “devolve nosso ouro!”

Devolvam então todos aqueles alegados espelhos que trocámos com os coitados dos aparentados da tribo dos ditos Yanomamis ou quejandos, porra!... Que desde ja´o digo, não têm culpa nenhuma dos actuais brasileiros serem burros.

Os zucas não usam espelhos mesmo até hoje... Senão, em vez de muitos estarem sempre a vitimizarem-se, veriam que eles próprios são os maiores racistas e xenófobos* do planeta. Mas não, só os outros é que são os maus da fita...

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* Xenofobia contra colonizadores já deve passar incólume, por ter circunstâncias atenuantes, segundo os brasileiros fedidos. Os da classe alta não estão nem aí. E os gringos da América do Norte vêm para cá e sentem-se felizes pela escolha do nosso país para viver. Lá está, ter dinheiro deve influenciar muitos as perspectivas que temos de tudo o que nos rodeia…


Nota: como é costume fazer-se essa referência em redes sociais, as imagens aqui neste post são “informações de IA”. E julgo que a IA já me conhece. Na capa do “Anita vai ao baile funk” eu não pedi na prompt bem simples que bolei para gerar esta imagem. Mas atrás da Anita aparece… uma favela.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

• Só na cama

E com consentimento, acrescentam eles(as). Estes pequenos do PAN a tentar o humor como arma política ou social…

Na Colômbia as malfadadas corridas de touros terminaram. Quando será que em toda a Península Ibérica finalmente chegará a nossa vez de ter esse grande salto civilizacional também?...

Aqueles de entre nós que ainda persistem defendendo de uma forma irracional esse mais que miserável entretenimento de massas deviam experimentar levar com um par de bandarilhas nos costados para saber o quanto dói e é bom para a tosse...

Ou que as suas digníssimas esposas façam umas belas touradas nas suas casas enquanto eles estiverem na arena a torturar um pobre animal. E que lhes espetassem com um valente par de cornos desembolados.

Ah, mas é uma tradição muito enraizada em Portugal e Espanha, dirão alguns. Bem, nos coliseus romanos também havia a tradição de entregar cristãos à mercê de leões e outras feras famintas. E outras selvajarias. Mas tudo acabou um dia. Porque era infame.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

• Stop this stupid war, please...

Mr. Vladimir Putin, stop this stupid war, please... In the end, even if you win it, you will have loose a lot.

Actually, you and Russia have already lost plenty. You’re no longer to be trusted by anyone, not even by your friends. And neither is Russia in a world scenario.

We all in this planet wander, how come was this possible, to start this stupid war in the 21st century???…

I guess you began realising that you by chance own plenty of toys. Too many toys. War tanks, jet planes, navy ships… Not to mention as well, nuclear weapons. That have cost a lot. And that it was a shame not to give them full use.

This is what one can think to try to explain what’s happening in Ukraine to a child. As for explaining this to an adult…  As we are used to say so often in my country…

This is mostly lack of sex, isn’t it, Vladimir?…

Some days ago, I saw on tv an ukrainian woman about her fifties insurging herself against a heavely armed russian soldier. She was calling him and his nearby comrades occupiers and assassins. Telling these poor guys that they should leave her beloved country soil.

And in the end, she offered this soldier a handful of sunflower seeds for him to keep them in their uniform pockets. She said that once he would be buried in Ukraine, flowers would be growing from his grave. And that would be fine, since no one will go there to put any flowers in his honour.

This is so brutal, yet so poetic, at the same time. So alike the braveness of a slavic woman. And I know of a girl* that I can picture her to be able to do the very same thing…

I might be just another clown - like the ukrainian president was before elected - or a hopeless joker... But I can't help myself but to write these lines with tears in my eyes.

It's just unbelievable, so many lives being lost to stupidity!...

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* She was born in the Soviet Union but left belonging to this extinct big federation due of the so called singing revolution.

domingo, 28 de novembro de 2021

• Mais um bagulho

Pronto!… Tinha de ser... Vai ter sempre mais um bagulho aparecendo assim sem mais nem menos.

Aqueles fervorosos adeptos das teorias das conspirações não podiam parir quaisquer enredos que soassem melhores do que o desta porra de pandemia… 

Agora é mais esta variante do tal do SARS-COV 2 - ou coisa que o valha… - a que atribuíram mais uma letra do alfabeto grego. Qualquer dia esgotam-se as opções baptismais para este vírus.

Mas eu deixo esta sugestão: o Mandarim tem mais de dez mil ideogramas. E afinal, foi lá no Império do Meio que tudo começou.

E agora a pergunta de um milhão de dollars… Valeu - ou valerá - a pena tomar já, já essa tal terceira dose das vacinas de duas tomas*, se essa droga não nos proteger ainda contra esta variante Omicron?...

Às tantas o que nos vai safar a todos é a vacina portuguesa via nasal da Immunethep

Venha ela!… Até porque assim não precisamos de ficar com os  nossos ricos bracinhos furados p’rái umas dez vezes. E era esta mesma vacina que eu estive quase a guardar-me para a tomar. Voluntarizando-me como cobaia humana.

Não o fiz porque julguei que levando a vacina da Janssen livrar-me-ia disto tudo duma vez por todas. Ingénuo que eu sou, não é verdade?...

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* Pfizer, Moderna e AstraZéneca, as três farmacêuticas da vida airada. A Moderna já veio anunciar hoje que vai descobrir rapidamente a solução para esta nova variante. Esperemos então, bem sentados, pelos desenvolvimentos dos novos capítulos desta paranóia global. Que hão-de vir por aí, de certezinha absoluta.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

• A nova Lei Seca

E isto já vai em mais duma semana que todas as cafetarias desta Tugalândia não podem por lei servir uma bica ou um cimbalino ou um simples cafezinho em copinho de plástico.

O desgraçado do gajo que terá aconselhado em qualquer reunião do Infarmed o nosso primeiro-ministro António Costa a proibir até a venda ao postigo de cafés ou outras bebidas - mas sobretudo o meu rico café, de que sou tão carente - é um grande filho da puta, um maldito filho dum cão tinhoso!… 

Um merdas que com certeza nunca soube o que é o prazer de desfrutar dum expresso pela manhã. Que lhe apeteceu embirrar com os grupos de mamborreiros - que podem até ser desprezíveis cidadãos, piores que os rascas como eu - que se juntavam aos magotes na vizinhança desses postigos improvisados de guerra. Tudo bem que embirre com essa parvoíce. Mas daí a lixar todos que os que ressacam com a falta de cafeína… 

Até quando este absurdo vai durar?… É que se for para demorar muito, vai haver cada vez mais gente com vontade de transgredir. Eu incluído. Leis Secas como esta é, no fundo, nunca resultaram nem alguma vez resultarão.

Chegam a ser contraproducentes mesmo, ó minhas gentes...

Eu não vou numa cafetaria tomar a minha bica pela manhã para socializar com outros humanos. Eu até sou anti-social. Eu tomo a minha dose de cafeína quotidiana sozinho. Espreitando a net no meu telefone móvel* enquanto me deleito com o cálido aroma que se vai soltando da minorca chávena de porcelana.

Aceito todas as regras dum mais que necessário confinamento vigente. À excepção desta de que aqui falo. Acusem-me de egoísmo, se vos aprouver. Quero lá saber!...
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* Que é aliás o único momento do meu dia em que me permito ser um smartphone zombie

sexta-feira, 24 de julho de 2020

• How to deal with scammers

I reckon everybody has come across in their inboxes with some email messages sent by scammers, these despicable, no-good, time wasting dumb creatures…

I did. And after years and years of being pissed off by these guys, I decide to take some action!…

Since these people are so bad in essence, I’m going to get down to their level. And be mean. Really mean!…

They will see with whom they are messing with!… I'm worst than Texas!... After all, I’m a triple Scorpio*, and today I'm really feeling like a bad, bad boy!...

I’m starting to reply to all scammer’s messages with this disgusting text, shown below:


Let’s turn this thing viral. Let’s give these stupid mean people what they deserve, again and again, until they give up!...
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* My zodiac sign is Scorpio, plus someone said to me one day I have both the Sun and Moon in Scorpio

Note: Anyone who would like to follow me in this fight against scammers globally, please feel free to download the picture above or copy and paste the text below:

I was just about to blow my brains out with a gun…

But then my computer notifies me I have a new email message…

I checked it… And it’s just another fucking scammer!!!…
SHIT!!!… DAMN!!!…

When we will both meet in hell, it won’t be just the devil
you should be afraid of, you stupid no-good lousy piece of shit!…

quinta-feira, 9 de julho de 2020

• Sobre as touradas...

Quando eu era um petiz inconsciente, entre os meus 3 a 8 anos, vivi em casa dos meus caros avós maternos, mesmo ao lado dum edifício imponente e marcante desta cidade de Lisboa: a Praça de Touros do Campo Pequeno.

O meu avozinho, na sua boa fé, sempre incentivou os seus filhos e netos a gostar do espectáculo da festa brava. 

Levava-os a assistir a touradas, para criar ou desenvolver o gosto por aquilo. E conta a senhora minha mãe que o pai dela, quando não podia entrar na Praça por razões do dever chamando para outras missões, pedia a qualquer estranho na fila da bilheteira para levar consigo o seu filho ou neto menor, uma vez que este não podia entrar sozinho, devido à tenra idade.

Não me lembro de tal awkward situation ter acontecido comigo, ir com um estranho assistir a uma corrida. Mas bom, com o meu avô, sim. E como se pode deduzir, eu passei a detestar a dita “festa do touro”. O efeito contrário ao que o meu avô pretendia.

Na altura, não estava ainda muito consciente do errado que há na tortura de animais. Era mais por ser forçado a estar onde não queria lá muito permanecer.

Um dia lembro que minha mãe quis que eu fosse numa visita guiada aos bastidores da Praça do Campo Pequeno.

Deambulei pelas caves daquele redondel, então já adolescente. Pelos camarins dos toureiros e por uma área mais sombria: o touril. E as recordações que me restam é que aquilo tresandava a morte por todo o lado. Uma coisa  simplesmente sórdida…

Há uns 10 ou 15 anos atrás, por acaso subi desde o centro comercial da mesma Praça até às bancadas. Assim como quem anda a vaguear sem propósito fixo. E dei por mim a ser testemunha duma amostra da reles cobardia humana.

Era uma dita garraiada, festa organizada por uma qualquer associação de estudantes universitários. Que consistia nisto: Um grupinho de palermas, na grande maioria machos, rodeavam um bezerro, imóvel no meio da arena.

O animal viria a ser um touro de lide, provavelmente. Mas naquela ocasião ainda era bem juvenil. E coitado, estava tolhido de medo. As suas patas tremiam como varas verdes. Os seus cascos pareciam colados ao chão de areia. E os valentões dos moços estudantis, aproximavam-se dele, um a um, para lhe bater. Para o picar, com palmadas no focinho. Grandes homens, aqueles!…

O animal devia ter sido acabado de ser arrancado da lezíria, onde crescia feliz. E viu-se de repente rodeado de tantos humanos, como nunca antes na sua vida. E o medo não o deixava mover-se dali, do centro da arena e das atenções das bestas.

Então, para mim, mesmo que me digam que é só uma brincadeira, que aquilo não faria mal ao pobre animal, eu fiquei com vergonha de ser da raça humana. Da mesma raça daqueles estúpidos cobardes.

Os espectáculos no circo - da célebre política do panem et circenses - do grande Coliseu de Roma acabaram.

E muito bem, porque vejamos, provocar sofrimento em outros seres, sejam estes homens ou animais, de uma forma consciente e deliberada, não pode servir de atracção. De entretenimento. É errado. Ponto final parágrafo.

Quando o Coliseu de Roma debutou a ser uma ruína, houve um salto civilizacional que se concretizou. Um salto igual um dia irá acontecer a todas as Plazas de Toros neste mundo inteiro.

Essa subida de nível da civilização já começou na Catalunha, em Espanha, país tão pleno de afición. E todos nós sabemos, mesmo os que vivem da festa brava - cavaleiros, toureiros, ganaderos, etc. -, que isso vai calhar a todos. Porque, mais uma vez recordo à saciedade, o sofrimento, a tortura, enquanto razão da existência dum espectáculo, é algo E-R-R-A-D-O!!!…

Só que há que fazer pela vidinha… E por isso os aficionados só esperam é que a extinção das touradas venha a acontecer nas gerações vindouras. Não na sua. E esperneiam. E invocam a tradição.

São tão-só uns grandessíssimos filhos de puta*.

Na nossa praça coabitamos amiúde com um comentador televisivo - que não vou nomear aqui, mas toda a gente o vai reconhecer - de quem posso afirmar até por vezes apreciar a sua voz reivindicativa.

Filho duma grande poetisa, da qual não terá herdado a sensibilidade. Só do pai terá recebido a rusticidade. E que se encarniça como um Rottweiler contra o PAN, Partido das Pessoas, Animais e Natureza. Que terá elegido como o seu ódio de estimação predilecto.

Sinto pena dele, ao vê-lo espumar da boca com raiva contra a razão pura… Não fica nada bem na fotografia, quando se transmuta num irreconhecível troglodita.

People, make no mistake. One day bullfighting shows will be banished. All over the world.

O mundo vai evoluir nesse sentido e todos nós o sabemos. Mesmo os que persistem vivendo em negação desse facto.
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* E aqui há que pedir perdão às concubinas, meretrizes e matriculadas desta vida, às quais eu presto o meu maior respeito e homenagem.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

• Cadastro?...

Não sei se fui só eu a reparar nesta tirada do nosso ainda ministro das finanças, que eu acho um bom pândego… 

Dizia ele isto a propósito de lhe perguntarem num telejornal em horário nobre se ele não julgava que haveria uma certa incompatibilidade entre a sua actual função e a presumível futura, a de governador do Banco de Portugal.


Eu aprecio bastante Mário Centeno, não haja aqui qualquer dúvida. Além da competência que demonstra na sua área profissional ser pelo menos bem acima da média - o que já não é pouco para um economista, ou seja um praticante de artes divinatórias - ele é ainda um senhor que tem resposta pronta para toda a provocação que venha por aí no seu caminho. Bravô! Bravô!…


Não, sr. Ronaldo das finanças, ter sido ministro - e principalmente no seu ministério - ainda não é cadastro. Ainda não. Mas dá que pensar esta sua frase…


É que, convenhamos, ser ministro das finanças, entre outras coisas, é ser o “padrinho” dum bando de malfeitores. De execráveis chefes de repartições de finanças, disseminados por todo o território. Que roubam, literalmente roubam milhares ou milhões de seus concidadãos. Sem dó nem piedade. À queima-roupa. Em nome de um sentido de estado, está certo… 


Para angariar verbas que serão postas ao serviço do bem comum, está certo, também… Mas roubam.


Eu fui espoliado por um safardana desses.


E gostaria de um dia ter hipóteses da minha causa ser ouvida. Mas se não for nunca… A vingança é um prato que se come frio.

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Nota: Caro Mário Centeno, nunca me hei-de esquecer desta sua gracinha, ao nomear um plano do seu ministério… Mas até lhe agradeço a deferência.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

• O tal de PERES

A A.T., a nossa querida Autoridade Tributária tem desde Novembro último um chamado “Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado”. Como isto é um nome comprido, resolveu-se abreviar a coisa numa singela sigla, que passou a designar-se… PERES.

Que amorosos e atenciosos que estes senhores parecem sempre querer ser comigo, caramba!… 

Bom, mas isto até pode ser premonitório de alguma coisa. Até pode ser um sinal de que devo estar num bom caminho, na solitária e surda-muda luta que venho assumindo contra estes cabrões.

Em Portugal tem havido, nos últimos anos, devido às políticas de austeridade, um grande crescimento de dívidas ao Fisco e à Segurança Social”, afirmou o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Isto será verdade mas não é tudo.

Era preciso dizer que este tal Plano PERES não deveria ser assim tão “especial” mas antes a regra comum. 

Pagar os juros de mora, as coimas e demais custos administrativos e o mais que os filhos da mãe da A.T. inventam e que ampliam qualquer pequena dívida fiscal para quantias astronómicas é que deveria ser considerado anormal e inaceitável. É que nem os maiores agiotas deste mundo teriam a vergonha de cobrar tais valores aos seus devedores!…

Graças a toda esta porra… Ah, que vontade que se me dá de trocar de país para sempre…

Já passei inclusivé ultimamente a usar na lapela do meu blazer azul escuro algo que me remete para outras paragens. A primeira de todas as bandeiras que esta lusa nação já conheceu. Semelhante à daquele país setentrional pelo qual me perdi com alguma paixão. 

Nunca me senti imbuído do enraizado espírito tuga, de tão torpe que este é. Sempre me dei melhor com forasteiros do que com os meus toscos conterrâneos. Também há destes últimos de valor, é certo… Mas onde andam eles?…

Bom, mas isso agora não interessa nada, como soe dizer a dona Teté, estrela dessa pantalha mais tuga que existe. Afinal, é Natal, ó gentes!...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

• Cidadão versus Estado

Hoje a taça transbordou. O Estado desta nação tuga em que nasci esmaga-me até eu não poder mais. E antes que me venham á mente avulsas tendências suicidas ou ímpetos terroristas, vou finalmente contar porque me considero e me tornei num cidadão rasca.

Se o Estado precisasse dos serviços dum “cliente-mistério” para aferir como trata os seus cidadãos, talvez eu fosse um interessante case study*… Senão vejamos o relato de desventuras que se seguirá. 

A bola de neve encetou-se assim: tive um veículo automóvel até ao ano de 2002. E até esse ano paguei o malfadado IUC, Imposto Único de Circulação Automóvel. O vulgar “selo do carro”. Que à altura, se não me engano, era só cerca de uns simbólicos 5 a 6 euros por ano.

Entrei então num período de desemprego prolongado, que durou cerca de 3 a 4 anos. Não querendo ter encargos com a manutenção desse veículo e demais despesas, como seguros, simplesmente deixei-o parado, estacionado perto da minha residência.

Uma diligente soldado da GNR - de um aquartelamento bem longe de onde vivo, Alverca no caso dela - um dia fazendo a sua ronda ou serviço fora da sua área de intervenção principal vislumbrou esse veículo e foi espreitar a validade do selo do meu carro, uma vez que não teria mais para fazer, talvez. E deixou-me uma multinha nada simpática no pára-brisas.

Transformou logo ali uma suposta dívida minha ao estado dos tais 5 euros do selo do carro, com a sua validade ultrapassada em um ano, em mais de 130 euros!…

Fiquei então ciente de algo que tinha entretanto mudado na legislação portuguesa fazia já uns anos antes. Antes eu julgava que um veículo não podia circular sem o tal Imposto Único de Circulação Automóvel em dia. Passei a saber que mesmo sem circular, apenas parado na via pública, se uma autoridade policial o surpreendesse sem o IUC regularizado poderíamos ter aquela dolorosa.

Tratei então de fazer o carro desaparecer das vistas de quem quer que seja. Desfiz-me deste, entregando-o a um ferro-velho, que mo veio recolher. Desconhecia então era que para a Autoridade Tributária este continuava a ser “visível” nas suas bases de dados. E a dever o tal IUC todos os anos.

Quando me livrei do carro não conservei deste comigo quaisquer documentos. Nem retive onde se localizaria o tal ferro-velho que mo levou. É o meu déficit de sabedoria e de senso comum do que é ser-se um cidadão com deve ser… Não sei nem penso nestas miudezas.

Quando a AT, Autoridade Tributária, me começa a avisar de estar a dever vários anos o IUC, essa dívida já ia numa soma avultada.

É que os queridos do fisco cobram-nos coimas, juros de mora e custos administrativos com uma desfaçatez tal que a meu ver faria corar de vergonha os maiores agiotas!… Dito por outras palavras, a arte de fazer as receitas do estado subirem exponencialmente.

Dar baixa do veículo no Registo Automóvel - ou IMT,  Instituto da Mobilidade e dos Transportes, ou lá o que é isso - não me era possível porque não tinha os seus documentos nem meio de os recuperar.

E por outro lado, se o fizesse estaria a assumir que tinha tido o veículo na minha posse todos esses anos e, portanto, a assumir também a dívida à AT, à altura impagável com os rendimentos que auferia.

Um dia reparei nos media que o meu problema com a AT era mais comum do que eu suporia. Nos telejornais víamos filas enormes de contribuintes á porta de repartições de finanças. Com as mesmíssimas dívidas insuportáveis relativas ao horrendo IUC. Tudo para deparar com a proverbial intransigência da AT. 

Os contribuintes portugueses têm em primeiro lugar que pagar o que lhes é comunicado que devem e depois se quiserem que protestem. Mas primeiro dinheirinho cá deste lado!… Assim nos disse sempre o estado. Sempre!

É aí que debuta a minha rasquice. Pelos inúmeros exemplos de irredutibilidade da AT perante cidadãos, passei a tomar a atitude de positivamente marimbar-me para todas as cartinhas de amor que me enviavam. E não segui o exemplo de tantos pobres coitados que perderam o seu tempo e paciência a ir falar com a AT, a ver se conseguiam resolver o seu problema a contento, ou seja, para não ficarem sem pinga de sangue que lhe chupassem.

Umas vezes a consciência lá me roía. E abri algumas. E deu-me a sensação que nalgumas a minha dívida tinha baixado, por motivo de época de saldos, quiçá. Para logo a seguir voltar a subir. Factos que só aumentavam o meu desprezo pelas instituições em questão.

Creio que os legisladores deveriam também recuperar uma certa consciência de que as leis que congeminam nos gabinetes podem ter estas consequências nefastas, e tão alastradas numa sociedade, se não se previrem mecanismos de excepção, que atendam a alguns casos particulares. Ou que haja abertura para outros mais casos, não imediatamente previsíveis.

O caso da alteração das regras do IUC parece-me paradigmático. Mas outros haverá.

Criam-se assim tantas vezes dificuldades aos cidadãos que seriam evitáveis. Mas talvez não se possa é dispensar essa fonte de mais receitas fiscais que tais omissões originam!… Ah, isso não!

Resultado de tudo isto: as ameaças da AT de penhoras de bens vieram um belo dia.

E a AT acha que tem é de cumprir o seu dever. E nem quer saber de se articular com outros serviços estatais. Como a Segurança Social ou outros. Para averiguar se os cidadãos que ameaça de penhoras podem mesmo pagar o que lhes é exigido. Porque há períodos em que os cidadãos podem estar mais fragilizados. Como quando o Estado com as suas políticas económicas fomenta o aumento do número de desempregados. 

Nos países nórdicos há uma tradição de fazer os cidadãos pagarem ao estado segundo os seus rendimentos declarados. Como é um bom exemplo a Finlândia, em que as multas de trânsito para as mesmas infracções são mais altas quanto mais ricos forem os infractores.

O que se me afigura de todo muito justo. Já que não sou finlandês nem muito menos um gajo rico…

Voltando às penhoras… Como soube que a AT pode ter acesso a pôr a sua mão sobre o meu dinheiro que confio aos bancos, não tenho hoje quaisquer contas bancárias. Isto há-de um dia chatear também os bancos, que têm em mim menos um cliente… 

Não sabia era que a AT podia penhorar pagamentos que entidades a quem prestei serviços me iriam fazer…

Hoje uma das agências para quem fiz trabalhos de figuração em telenovelas disse-me que o valor constante no recibo electrónico de acto isolado - ainda por cima um valor bem pequeno** para um ano inteiro, inferior ao valor de um salário mínimo mensal - o único valor em dinheiro fruto neste ano todo de trabalho que efectuei não me iria ser pago. Tudo o que me era devido num ano inteiro de serviços ocasionais e esporádicos iria ser versado à AT.

É então que abaixo a crista e me digno ir falar com funcionários da repartição de finanças cá do bairro fiscal. Isto tudo só para ficar informado de uma linda coisa…

O fisco quando tem de penhorar ordenados que são pagos com regularidade todos os meses a pobres assalariados - que não têm como se escapar a esse castigo muitas vezes injusto, como será de prever - ainda tem alguma compaixão: não se penhora senão um sexto do salário do indigente animal.

Há que deixar o contribuinte comer qualquer coisita para não lhe dar um fanico e não poder mais ganhar um salário que é preciso continuar a chular mais uma cambada de meses.

E agora atentai nesta maravilhosa pérola do fisco tuga que me foi revelada!… No caso de recibos de actos isolados a lei não prevê limites à penhora. Logo, na dúvida, parece que é para penhorar tudo, à fartazana!…

Um Feliz Natal para vocês também, senhores da AT. 

E para vocês também, vermes que bolam as nossas leis, tão queridas que estas são!…

Desejo-vos que vos cresça um pinheiro de Natal bem viçoso por aquele sítio acima em que estão a pensar neste momento!…
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Nota: E não pensem, caros leitores, que as minhas desventuras com o Estado português se ficam só por isto!… Mas isso é assunto para outros capítulos. O que eu ainda tinha de muito mais para contar, meus deuses…

* Ou um caso desesperado de desapego a uma realidade comum à de todos os outros mortais que já não a questionam e a aceitam como absolutamente natural. Mas eu não.

** Tal como dizia o outro, aquele que fizeram presidente de todos os portugueses, "que mal vai dar para pagar as minhas despesas". E ainda por cima é logo no fim do ano, na época natalícia, que me cortam a possibilidade de usufruir finalmente da minha tão esperada meia-dúzia de dobrões!... 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

• Clean up your own mess, gentlemen…

Dizem que a troika vai-se embora amanhã. Dizem!…

Dizem que Portugal vai poder obter o guito novamente naquilo a que chamam prái como os ditos mercados. Mercados que para mim, que nada percebo de economia e nem quero, são ainda umas entidades abstractas. E terroristas. Tal como a afamada Al-Qaeda. Que é mais uma coisa que os media, prestando um serviço a sabe-se lá quem, fizeram nascer na nossa imaginação colectiva. E lá se enraizou esse papão, sem que o possamos sentir como uma realidade que tenha uma face que reconheçamos.

Aprendemos nestes últimos tempos que essa porra dos mercados podem lixar a vida a povos e nações inteiras. Impunemente. E tudo para satisfazer a ganância de uns poucos (?...) grandes agiotas e especuladores internacionais.

Um personagem da cena política portuguesa, que eu não aprecio particularmente, disse um dia uma coisa muito sagaz. E de que eu até me admirei de vir daquela procedência…

Falo da Miss SWOP’s, como é carinhosamente denominada a nossa ministra das finanças. E o que esta distinta senhora disse foi que… De futuro deveriam ser criados mecanismos que blindassem o cidadão comum das consequências das trafulhices com que a alta finança mundial se andasse a entreter. Por outras palavras, se eles fizessem merda, eles que a limpassem todinha depois. E não os outros, todos nós, anónimos e pacatos cidadãos. A quem nos quiseram colar um sentimento de culpa de sermos caloteiros, madraços e de vivermos acima das nossas possibilidades.

Oxalá que sim! Oxalá que os nossos políticos portugueses e europeus voltem a pensar mais no povo que os elege e menos nos donos do dinheiro que lhes puxam os cordelinhos. Isto é, se os(as) meninos(as) tiverem tomates para tanto… O que me parece utópico.

Bom, ás vezes não é preciso só tomates. Requere-se que tenham também lampejos de uma rara inteligência, como a que Maria Luís Albuquerque - o nome real da figura atrás citada - teve. E uma consciência. Coisas que são ambas muito caras. Sem preço algum.