terça-feira, 24 de setembro de 2019

• Já acabou? Mas...

No calendário, o Verão acabou. E eu nem dei por ter começado.

Por mim, tenho esta crença que ainda havemos de ter neste final de Setembro - já dentro do período oficial do Outono - e a entrar por Outubro e Novembro vários dias, senão mesmo semanas, de um calorzinho gostoso.

Mais gostoso ainda quando vem nesta época do ano. E ainda mais por não o termos sentido nos meses em que era suposto ter dito presente.

E porque tenho esta fé que vamos usufruir de tempo quentinho em breve, é uma lástima que as piscinas públicas municipais ao ar livre já estejam encerradas. 

Chega a 15 de Setembro e é sempre assim. As aulinhas arrancam e os municípios declaram o verão concluído. Os putos já não poderão frequentar as piscinas porque estão fechados nesses campos de concentração chamados escolas. Portanto, não vale a pena manter as piscinas abertas, porque ficarão vazias de gente.

Errado!... Acontece que a 15 de Setembro ainda há muito boa gente que quer apreciar férias estivais tardias. Que é quando estas sabem melhor. E ainda há tanto turista que deve achar um absurdo piscinas fechadas com este verão que se arrasta por mais dias aqui nestas paragens do que nas suas setentrionais terras de origem.

O que me vale é que alguns hotéis mantém as suas piscinas abertas, fazendo render o peixe até bem mais tarde. Porque os seus hóspedes assim o devem exigem. Cheios de razões.

A mim, que deixei este último verão - que em 2019 resolveu passar no anonimato - fugir-me debaixo dos pés sem o ter podido aproveitar minimamente, sem tomar um único banho de mar, o que me resta agora é rumar áquela saudosa piscina da minha infância: a do Hotel das Arribas, na Praia Grande, em Sintra.

O que conto cumprir já… amanhã.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

• Feias?…

No domingo passado estive pela tardinha a descontrair num parque. No Parque da Cidade de Loures ou Parque Adão Barata. Nessa cidade de Loures, considerada uma mais entre “As 10 cidades mais feias de Portugal”. Junto com a minha pobre Odivelas.

Assim de repente prenderam a minha atenção um pai e seus dois filhos brincando com uma bola de futebol. Eles são russos. Eu sei disso porque os ouço falando. Não são turistas. São migrantes. E eu sinto-me bem por ver que eles parecem bem felizes por estarem a viver aqui, neste seu país de acolhimento.

Os miúdos vestem ambos camisolas do Barça. Um com Neymar escrito nas suas costas. E o outro com Messi e o braço esquerdo ao peito. Mas isso não o faz correr menos do que o primeiro.

O sol brilha nessa tarde em Loures sem ser abrasador. E todas as pessoas neste parque parecem também felizes como aquela família eslava. Será justo então atribuir à cidade de Loures o rótulo de feia?…

Hoje nesta Tugalândia as cidades, feias ou não, estão a tornar-se em torres de Babel. E isso é tão melhor do que se continuasse a ouvir apenas a língua portuguesa pelas suas ruas. E sobretudo nos seus parques. Porque nas ruas até pode não ser bem assim, mas nos parques somos mesmo todos filhos de um mesmo deus.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

• Cortesãs

Madrugada do último sábado para domingo. Estou a cumprir um serviço de motorista à disposição total 24 horas para três cavalheiros. Vindos dum país da África equatorial rico em petróleo. Um deles é ministro, os outros dois seus assessores. 

Graças a estes clientes dessa noite, estou a tirar um doutoramento* instantâneo sobre a vasta oferta lisboeta de casas de strip... Até já sei os horários de cor e salteado!... Para saber quanto vão durar as secas.

São quase quatro da manhã. Espero dentro duma van Mercedes classe V preta com vidros fumados que os meus cavalheiros se divirtam como bem podem ou à grande e à francesa dentro dum antro que dá pelo nome de Paquiderme Albino.

Reparo nos vários usuários dessa casa engraçada que entram e saem desta amiúde. Regra geral, são uns senhores meio grisalhos, acompanhados por meninas vistosas no trajar e na beleza corporal.

Como me estou a sentir nesse árduo turno nocturno como uma prostituta do volante, enceto a imaginar como serão afinal as rotinas laborais destas raparigas. Já que não tinha sono e havia que ocupar a mente com alguma actividade.

Vem-me à memória um poema dum autor que admiro. Este, que transcrevo abaixo:

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a croa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.

…de Manoel Maria Barbosa du Bocage,
para quem faltou a estas aulas na escolinha.

Subitamente um dos meus bons rapazes vem cá fora, chega perto do nosso veículo e solicita-me que me comece a mexer com este.

Os clientes eram em número de três... E as Nises também. A paródia dentro da Viano foi assim a seis. Porque eu cá não tive direito a nada. Aliás, era minha prioritária missão transportar toda esta gente com a conveniente rapidez e em segurança até ao design hotel de cinco estrelas onde os moços se hospedavam, com todas as realescas mordomias a que têm direito, por supuesto.

Uma vez lá chegados, dispensaram os meus serviços até ao fim desse turno. De modo que pude recolher também aos meus caseirinhos aposentos. Que a noitada seguinte poderia ser mais do mesmo. E era mister que eu proporcionasse a mim mesmo algum repouso do guerreiro. Ou da ama seca de adultos. Dito assim para ficarmos por aqui nesta peculiar saga. Ou antes, dantesca comédia divina. Ou de humanos costumes.

Que não se veja neste arrazoado todo qualquer juízo de valores. Até porque eu serei porventura um dos últimos moicanos à face da Terra a ter moral para fazê-lo.

E “prontes”… Esta é a minha vidinha. Podia ser pior.
____________________________________________________

* Um dia ainda me especializo a organizar tours nestas andanças vespertinas… Why not?…

terça-feira, 25 de junho de 2019

• Smartphone zombies

Smartphone zombies - também designados smombies, neologismo criado numa recorrente aglutinação destes dois vocábulos anglo-saxónicos iniciais - são uma abjecta praga dos tempos modernos.

Ainda eu me julgo um cidadão rasca… Mas há quem abuse mais do que eu da rasquice. 

Eu também posso passar por um smartphone zombie, por vezes. Quando estou a tomar o café matinal na cafetana de meu costume pessoal. Aí dou azo à minha faceta anti-social, fechando-me na minha concha e vidrando-me no meu telefone móvel*.

Creio no entanto que sou capaz de reconhecer quando este acto se começa a tratar de uma adição e sei quando parar. Mas a maior parte das pobres alminhas com que nos cruzamos em transportes públicos - nomeadamente no Metro, do qual sou um bom utente, ainda… - não conseguem ganhar essa consciência. E não sabem quão ridículas se tornam. O que vale é que o ridículo não mata...

Há mais vida do que aquela de que são espectadores nos écrans dos seus celulares!… 

Há tanta vida a acontecer ao seu redor. Tanta gente bonita que lhes passa despercebida. Porque dispensam tanta da sua preciosa atenção a mensagens em grupos de WhatsApp que quase só servem para partilhar boçalidades? Ou posts vazios de um real interesse de mânfios que nem bem conhecem no Feicebuque?

E se não são mensagens ou posts em redes sociais, porquê tanta conversa jogada fora no caminho de regresso a casa, com o telelé sempre colado ao ouvido? Ou pior, com o auricular. Parecendo mesmo uns tontinhos que estão a falar sozinhos. Solilóquios sempre vociferados em altos valores de decibéis...

Para quê tanto treco-lareco inútil?… E porque é que todos ao lado têm de gramar com detalhes parvos de vidas alheias? Porque é impossível muitas vezes abstrairmo-nos completamente desse ruído ambiente…

Há que introduzir nos currículos escolares a aprendizagem do uso racional das novas tecnologias, sobretudo desse objecto ainda tão novo que é o telefone móvel. Antes que venha a ser tarde demais. Antes que venhamos a ser todos rascas demais.
____________________________________________________

* A palavra “telemóvel” não consta do meu vocabulário. Afiançaram-me um dia que tal designação seria uma marca registada dum antigo operador de rede móvel, a TMN, e que não deveria ser usada pelos outros operadores. Ao invés uso a expressão “telefone móvel”. Mas devo ser o único…

terça-feira, 28 de maio de 2019

• Como votou um cidadão rasca

Nestas últimas eleições europeias sinto por uma primeira vez que ganhei. Que apostei no cavalo certo.

Votei no fofinho PAN, Pessoas, Animais e Natureza

Creio que nunca antes tinha sido este partido a minha escolha. E a minha filhota também, talvez por ter colada a ela a alcunha de "raposinha", herdada da sua mamã.

Em eleições “a sério” não vou por aí. Boto sempre a cruz no quadrado do mui nobre Partido Socialista. Mas em autárquicas e europeias dou à minha tão conturbada mente liberdade de voto. O Bloco de Esquerda e o Partido Livre já foram outrora escolhas pessoais. Esporadicamente.

Até ao domingo passado eu estava colocado na classe dos tontos indecisos. E vai não vai, estive quase para pensar em honrar o partido Iniciativa Liberal com a minha benção. Mas depois emendei a mão… Achei pouco inteligente este partido hostilizar o PS em alguns dos seus cartazes. Logo, não ia dar o meu voto a gente menos esperta.

A gente que se diz liberal mas que alinha com PSD’s, Alianças e CDS’s da vida, sendo crítica da nossa bendita Geringonça. Já o PAN não cai no mesmo erro. E até consegue elogiar algumas vozes mais rebeldes do PS, como se pode ver no cartaz ao lado...

Mas quanto aos cartazes do IL, até que eles tinham um que  deu nas vistas pelas ruas de Lisboa e que eu aprovo e aplaudo!… Este aqui ao lado mostrado, inspirado no mote da Internacional, mas onde se substitui os velhos proletários pelos actuais contribuintes que andam uma beka adormecidos.

Bem esgalhado!...  ;-)

Sim, é mister que estes últimos se unam. Até uma personagem com a qual não posso nutrir simpatia política, o shôr engenheiro Mira Amaral, disse um dia em uma conferência qualquer onde nada se pode aprender, citando um tal dum relatório doutro senhor, Michael Porter, um yankee a quem em tempos idos encomendaram um diagnóstico sobre o status quo do nosso pobre pequeno país…

Resumindo e concluindo, dizia o tal do Porter, entre outras coisas aonde identificou factores em que o nosso país tinha grande margem de progressão rumo á perfeição que… O fisco tinha de deixar de encarar todos os contribuintes como alvos a abater.

O Livre podia ter continuado a ser uma opção. E era bom que o conseguisse, a bem duma cada vez maior pluralidade de vozes, que eu creio tão desejável. Só que desta feita optei pelo voto útil. E prestei alguma atenção a sondagens que davam o PAN com boas hipóteses de eleger pelo menos um deputado europeu.

Eu sei, isto é rasca. Devia ter votado mais em consciência com aquilo em que mais acredito. Mas aí não era no Livre que eu punha a cruz. Aí para ser coerente, teria de ser no PS. E eu quis beneficiar um dos pequenitos, em detrimento dum grande partido.

Rematando todo este arrazoado sem nexo, fiquei particularmente contente com o facto do PAN ter ultrapassado o asquerosamente demagogo CDS* em distritos como Setúbal e Faro - e por uma unha negra isso também não acontecia em Lisboa - e o anacrónico** PCP - ou com mais rigor a velha coligação CDU, que incluí os Verdes - em vários distritos do norte desta valente Lusitânia.

E uma vez mais, como diz António Costa, "É geringonça mas funciona!". In your face, dona Assunção Cristas!...Parabéns a vocês também, Bloco de Esquerda.
____________________________________________________

* Nalguns casos foi mesmo uma valente abada que o PAN deu ao CDS... Eu se fosse centrista - hipótese totalmente impossível - pintava a minha face de negro!...

** Digo anacrónico porque ainda estão no tempo da K7 (mais conhecida por cassete). Nem sequer evoluíram para CD’s. E já vamos hoje na época do mp3… O velho Jerónimo de Pirescouxe bem podia dar o lugar a alguém com sangue novo… Mas qual seria o jovem comuna que não se importaria de ser visto à frente dum partido cada vez menos sexy?… Nenhum, digo eu.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

quinta-feira, 25 de abril de 2019

• E ninguém desconfia dele?...

Notre-Dame foi consumida pelas chamas há já uma semana... E até agora ainda não se sabe o que causou tal desastre.

O fogo deve ter sido iniciado devido ao estaleiro de obras de reabilitação da catedral. Alguém deve ter feito asneira da grossa. Alguém que deve ter deixado, por exemplo, uma beata mal apagada junto a material combustível.

Parece que foi só na quarta-feira passada que o estado francês finalmente avançou com uma queixa-crime - contra desconhecidos tão-só, ainda assim - acerca desta calamidade. E eu exclamo: atão ninguém desconfia dele?...

Falo, como é mais que evidente, óbvio ululante, e etc., do bom velho e famoso Gaston Lagaffe!…

Então ninguém ainda se lembrou que a culpa desta merda toda deve ser dele, com toda a certeza???…

O Gaston deve ter posto os pés naquele malfadado estaleiro, não digo como um trabalhador mais, necessariamente, mas quiçá como visitante. Foi ver algum dos seus amigos, outro esgrouviado como ele, e desencadeou aquele fogaréu com alguma geringonça das suas. Na sua boa vontade queria aliviar o trabalho árduo desse amigo. É o costume nele. Mas todos sabemos qual o invariável resultado das iniciativas criativas de Lagaffe…

Julgo ser o único clarividente neste mundo dos deuses a vislumbrar isto… É que até tenho andado a espreitar se teriam aparecido na net alguns memes produzidos por outros que tivessem a mesma suspeita que eu… Mas nada! Nada de nada. Como é isto possível?…

E depois, como foi esta treta possível de acontecer num país do primeiríssimo mundo como a orgulhosa França?…

É que quando foi do incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil no Rio de Janeiro, em Setembro passado, os nossos irmãos tupiniquins desataram logo a bradar que aquilo só podia suceder naquela baderna de país… Afinal de contas, shit happens em qualquer lado!… 

E será que alguém se questionou já se haverá algum contrato de seguro contra incêndio que possa cobrir estes danos na catedral de Notre-Dame?… Se não há, parece-me grave. E se há, idem. Afinal, haverá quem beneficiará com tudo isto?…

Já para não falar demasiado também do facto de muitas grandes fortunas gaulesas se terem mobilizado tão mas tão depressinha para contribuirem para a reconstrução deste big monumento deles…

A ver vamos se igualmente o fariam se um dia, por hipótese mais que remotíssima, um plano mesmo, mesmo infalível para a erradicação da pobreza mundial fosse bolado por um político veramente genial.

Isso é que era de valor, digo eu!… Tanto o plano em si quanto um político ser genial.

domingo, 7 de abril de 2019

• Back to basics

Hoje vou voltar às origens. Quando este blog foi criado para ser a expressão do homo politicus latente dentro da minha conturbada alma.

Há muito tempo já que não expunha aqui neste blog uma opinião sobre a indigente vida política portuguesa. Mas agora tenho de o fazer. Não porque vêm aí umas eleições para o Parlamento Europeu. Não.

Apenas tão-só porque reparei recentemente em algo risível. Num partido político que já existirá há alguns anos. Mas que só captou a minha atenção com alguns outdoors que por aí estão a contribuir para a urbana poluição visual. E para a confusão das mentes dos turistas yankees que nos visitam.

Falo de algo denominado PDR, Partido Democrático Republicano. Uma muito discreta - quase invisível - organização edificada à volta duma personalidade que se presume interventiva e útil à nossa colectiva vida social. Personalidade esta que terá ganho pública fama à custa de outrora aparecer amiúde na pantalha lá de casa vociferando truculentos discursos.

As aves de arribação que nos desmandam vindas das terras do tio Sam, do lado oposto do Atlântico, ficam perplexas perante a bizarra nomenclatura de tal partido político. E não é para menos.

É que afinal a dita cuja coisa é democrata ou republicana?… Ou é uma coisa ou é outra, caramba!… As duas ao mesmo tempo não lhes cabe no real bestunto como tal é possível, como tal pode acontecer.

Parece-me tão incrível que os sábios padrinhos deste partido não tenham tido em linha de conta quando o baptizaram que poderiam causar este irritante coçar da cabeça aos americanos que deparassem com a sua existência, assim por acaso ao virar duma esquina…

Podiam ter-me evitado tanto embaraço e engasgamento quando sou solicitado a explicar porquê este nome tão estranho, o que é e para que serve… É que fico invariavelmente vazio de respostas a dar a estas curiosidades forasteiras. E assim passo cada vergonha…

Nos Estados Unidos da América os eleitores são confrontados com escolhas bem simples: ou é boi ou é vaca*. O PDR será um fenómeno muito hermafrodita para os seus gostos.
____________________________________________________

* Melhor dito, as opções são entre elefante ou burro, simples assim e animalesticamente falando.

terça-feira, 5 de março de 2019

• A voz dos muros - XVII

Pois… E ainda por cima o que me levou a descobrir este pequeno tesourinho deprimente foi um twit de uma miúda que ironicamente comentou acerca desta foto o seguinte: “Quero um amor assim!”.

Aparentemente muitas alminhas indigentes que pululam entre nós - e não apenas aqui na Tugalândia - estão a dar uma mais que desmesurada importância ao maledetto ludopédio nas suas tristes e vazias vidinhas… Demasiada, mesmo!...

Será que ainda haverá um dia que alguém soltará um grito mais original, tais como: “És bela como a aprovação do Orçamento de Estado por unanimidade!”?…

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

• A praga do coaching

Recentemente passou-me debaixo das vistas um artigo de opinião assaz interessante… Com o título “Deus pode ir de férias…”.

Neste artigo, imbuído dum espírito meio ou quiçá totalmente clerical, encontrei contudo frases que me soaram a música para os meus ouvidos, quando as leio em surdina. Eis algumas:

“Parece que a nova religião do homem moderno 
é o empreendedorismo. De matriz materialista, ela substituiu
os santos do altar por fotografias de homens de sucesso,
e os seus livros sagrados são os de auto-ajuda.
O objectivo desta cultura é o sucesso, seja lá o que isso for!”

“Ou seja, vende-se a ideia de que o potencial dos indivíduos
é ilimitado e podem conquistar tudo o que querem,
se fizerem muita força…”

Abomino essa moda actual que é o coaching. Tenho para mim que o talento é algo quase inato ou fruto do acaso.

O talento não é muito passível de ser educado, se não houver de antemão uma sementezinha que desde sempre exista lá no fundo da alma de cada um de nós. Semente essa que se pode ser uma visão, um sentido de inovação, uma chama de criatividade.

Mas isto sou eu a falar, que sou uma old soul… 

O coaching tem de facto de vender essa ideia de que o potencial dos indivíduos é ilimitado. Mas um bom coach no fundo não acredita nisso. Só que não pode dizer outra coisa.

No coaching tem de se fazer por acreditar que a qualidade nascerá da quantidade.

É preciso incutir em todos a fé que o sucesso é alcançável por todos para que no final pelo menos alguns poucos cheguem a alcançá-lo efectivamente.

Uma das áreas de negócios que depende e promove muito o coaching é o marketing directo, com os seus esquemas em pirâmide. Onde as organizações têm de recrutar o maior número possível de aderentes, dando a ilusão a todos os recrutados que conseguirão sucessos absolutos. Sabendo de antemão que não vai ser assim. Mas é preciso que a ilusão passe.

Na persecução superior a tudo do sucesso das organizações, aqueles indivíduos mais débeis a quem a ilusão tenha caído e tenha feito mossa no seu ego têm de ser considerados danos colaterais.

Preocupações de carácter ético têm de ser esquecidas quando esses danos colaterais forem a esmagadora maioria e os casos de sucesso que se aproveitam uma escassa minoria. A bem da sustentabilidade ou sobrevivência de organizações deste carácter.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

• Apatia

É o que sinto. Apatia. Desinteresse por tudo. Autismo social. O mundo em meu redor em efervescência e eu sem ligar pevide.

Brexit, gilets jaunes, shutdown, a crise social na Venezuela, o cancro chamado bairro da Jamaica, etc.. E eu não quero saber muito de nada dessas tretas todas.

Refugiei-me nas notícias sobre um evento desportivo nos antípodas. Down under. O Australian Open. O acontecimento a que mais ligo nos meses de Janeiro destes últimos anos. O resto pouco me interessa.

Este ano tivémos o João Sousa a fazer um pouco mais do que em todos os outros anos da sua carreira. Chegou a umas semifinais dum Grand Slam. Mesmo que isso seja apenas em pares masculinos, já não é mau de todo. 

É claro que atingir a final seria ainda melhor. E esteve ao seu alcance. Mas tinha logo de ser travado por um gajo que é finlandês e a viver em Tallinn, na Estónia… Henri Kontinen, a fazer par com um aussie. Henri Kontinen que eu passei a admirar depois de ter ganho Wimbledon em pares mistos em 2016. A par com uma tenista inglesa com a qual nunca tinha jogado antes uma só partida antes do torneio. É o que se chama um “instant couple” de sucesso também instantâneo.

Em singulares o João Sousa foi travado por outro tipo que assaz admiro, Kei Nishikori

Ou não fosse ele um nipónico samurai... Quando se fala dele lembro-me sempre dum artigo que li numa revista americana nos anos 80 sobre a evolução lenta do tennis no país do sol nascente. Dizia-se que o Japão não parecia que iria conseguir alguma vez produzir campeões mundiais neste desporto. Agora tomem lá, yankees, com o Kei e sobretudo com a Naomi Osaka!...

Agora, durante estas duras duas semanas de verão austral em Melbourne o personagem que mais me prendeu a atenção foi o que apelidam de El Greco. Stefanos Tsitsipas.

Este helénico filho de mãe russa vai longe. Vai deixar rapidamente de ser o que eu chamo de "figurante das primeiras três rondas". O João Sousa também podia ter ido longe no início de se ter tornado pro. Agora já se vai fazendo tarde… Mas o Stefanos tem ar de quem não vai deixar passar as oportunidades que se lhe depararem de futuro. 

Foi cilindrado pelo Rafa, é certo. Mas acredito que sabe agora como o bater. O grego aprende. E depressa. E já está na hora do Rafa passar o testemunho em Roland Garros. Leiam bem o que vos digo, que me sinto possuído em modo Nostradamus!…

Como confessei num recente post doutro dos meus blogs, a minha inspiração para a escrita está a demorar a recomeçar neste novo ano de 2019. Então, em vez de assuntos sobre política mundial ou local, vai de discorrer sobre desporto. Mas ao menos desta feita não sobre o ópio do povo. Antes sobre tennis, um sport que sempre foi de cavalheiros e jogado por cavalheiros. Better than rugby and football.

And way better than politics.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

• Les gilets jaunes

Se há povo que gosta de uma boa revolução, esse povo é o francês.

Estes gauleses, que são loucos segundo o próprio Obélix, já nos deram esse importante marco da história universal que foi a Revolução Francesa, no séc. XVIII. Que começou com a tomada da Bastilha, onde muitos homens bons estavam arrecadados injusta e prepotentemente.

Depois no século passado deram-nos o Maio de 68. Que começou com uns protestos inconsequentes de estudantes universitários. E que alastrou depois a toda a população, sobretudo à classe operária.

Agora no séc. XXI temos um protesto que começou com camionistas por causa dum aborrecedor imposto sobre os combustíveis diesel, mas que até é bem intencionado, por pensar no ambiente. Parece é que a coisa foi a gota que fez transbordar o copo. 

E fez com que este movimento expontâneo e profundamente anárquico dos gilets jaunes passasse a contagiar toda uma classe média e média baixa, englobando até reformados, habitualmente cidadãos bem pacatos e que não têm tanta tendência a sair á rua e gritar pelos seus direitos. Tudo é reivindicável, hoje em dia.

Até mesmo isto, algo que me toca particularmente. Alguém que se lembrou de reivindicar um fisco mais justo, vejam só!... Singular e inusitado grito este, escrito nas costas do colete amarelo dum cidadão sénior de Rennes*, visto na foto ao lado.

Não há como os franceses para praticar a desobediência civil. Pour eux y a rien de mieux que une belle bagarre.

Em boa verdade, não há cidadãos mais rascas do que os franceses.

Liberté, Égalité, Fraternité. 


Este lema em essência é muito bonito. E temos a França como um dos estados mais democráticos deste mundo. A França como um dos baluartes deste planeta no progresso social e civilizacional. Tudo bem. E no entanto o pobre do povo francês não é feliz. Dá que pensar.

Français, il vous manque beaucoup d’amour.
____________________________________________________

* Rennes, cidade capital da Bretanha francesa, ou melhor, Breizh. Que me é muito querida, pois já lá vivi.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

• Embalar a trouxa e zarpar

Quero partir. Não quero acabar esta minha presente existência aqui.

Aqui já dei o que tinha a dar. Quero ser uma grande mais-valia noutros lugares. Dos mais diversos e longínquos que imaginar se possa. E sei que posso sê-lo.

Mas só quero ir se puder formar parcerias.

Todo este paleio vem na sequência do que postei aqui neste blog no passado mês. Isto é apenas mais um reforço desse desejo.

sábado, 20 de outubro de 2018

• Quem quer adoptar um blogger?

Há já uns largos anos que eu lancei aqui num post deste mesmo blog um grito… Este, aqui em baixo:

Oi!!!... Haverá aí alguém que queira adoptar um blogger?

Apetecia-me voltar hoje a repeti-lo.

Adoptando a mesma expressão facial - ou focinhal - deste cachorrinho Labrador na foto acima. Porque posso ser igualmente fofo e kiduxo, para alguém que me queira a seu lado em permanência e como missão primordial na minha vida.

Em 2011 eu queria mesmo emigrar. Hoje já não é tanto assim. Hoje o meu Presidente da República já não é alguém que me envergonhe. E outras coisas mais entretanto evoluíram um pouco por aqui.

Segundo o site InterNations.com, eu vivo actualmente num país que é neste planeta Terra um dos que tem uma das melhores qualidades de vida para todos aqueles que nos habituámos a designar de um modo geral por expats - ou seja, estrangeiros, "camones", whatever... - que nele vivem.

Nada mau!… E isso de facto sente-se no ar nas ruas de Lisboa e do Porto. E até nas mais incógnitas cidades e aldeias do interior. Lê-se a felicidade no rosto dos forasteiros que escolheram aqui residir.

Em 2011 ocorreu-me traduzir o tal grito em várias e variadas línguas que se falam ao redor deste mundo. Lembrei-me, pois, desta estranha língua:

Onko joku siellä valmis hyväksymään bloggaajan?

Mas olvidei est’outra:

Kas keegi sealt on valmis bloggerit vastu võtma?

Entretanto, fui por breves mas intensos e gloriosos dias adoptado por uma dona - deveria talvez dizer donna, em italiano - que fala ambos estes idiomas. Sendo um a sua língua materna.

Vou ver se aprendo a rezar como deve ser, para que se repita comigo outra adopção do mesmo género. 

Porque eu mereço, caramba!... Porque há-de existir também alguém neste mundo dos deuses que me mereça. Tal qual como sou, com todas as minhas imperfeições mas todavia com algumas qualidades. Como toda a gente.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

• A voz dos muros - XVI

Pois. E este mês foi tão mágico para o rapaz aqui que contado nem dará para acreditar.

Aos deuses que seguem e guiam os meus passos errantes neste incerto planeta venho portanto deixar o meu solene agradecimento pelas venturas concedidas.

domingo, 5 de agosto de 2018

• Humor rasca

Como cidadão rasca a preceito que sou - e também kota - não me fica mal de todo no curriculum vitae dizer que aprecio a leitura desse clássico da imprensa internacional que é a revista Playboy. A original, a americana, e todas as suas filhotas que pululam nos mais variados países deste mundo dos deuses.

Aliás, já aqui neste blog, há muitos, muitos anos, fiz uma referência a um particular cartoon que achei muito elucidativo dessa dúvida eterna que sobre todos nós sempre pairou.

Hoje vou fazer mais do mesmo. Reproduzir aqui outro curioso cartoon. Que tem outra vez o mesmo cenário: a cama. Esse lugar mítico - ou místico - tão adequado à revelação de grandes verdades ou a piadas mais desconcertantes…

Uma vez que na política mundial - e até na doméstica, graças a um certo vereador da CML - a silly season deste ano já nem nos faz rir… É então mister encontrar fontes alternativas de entretenimento do povo. E mesmo um serviço público que aqui presto. Enfim, vá...

quarta-feira, 18 de julho de 2018

• Paralisia

Já deixei registado noutro blog meu que fui acometido duma ligeira moléstia, uma dita “paralisia facial idiopática”. Há duas semanas atrás.

Uma coisa que é uma beka chata mas que passa com o tempo. Apenas há que ser paciente. E eu assim tenho feito e faço, paciento.

E enquanto paciento, aqui dentro da minha concha, tenho tempo para observar o mundo. Um pouco mais atentamente.

E o mundo todo também parece ter estado sofrendo duma paralisia.

Paralisado e suspenso o mundo se quedou acerca da sorte dos competidores nesse evento maior que foi o Campeonato do Mundo de Football na Rússia.

E até eu me deixei alienar, apesar de pouco procurar ligar ao que se passa no ludopédio globalizado… Porra para este poder que o football tem sobre as nossas mentes fracas!… Ou talvez só a minha…

Já agora, Спасибо, Россия. Jolly good show you have performed. Organização impec!...  ;-)

Paralisado e suspenso o mundo se quedou acerca da sorte de doze miúdos e de um adulto que os deveria orientar mas que se deixaram aprisionar numas entranhas profundas da mãe-natureza. Falta de respeito à nossa mãe que esta não perdoou. 

E enquanto o planeta inteiro ficou ansioso do desfecho da operação de salvamento dos petizes, tivemos que gramar com reportagens televisivas, arrastadíssimas de horas e horas contínuas, que não deixavam espaço a mais nenhum outro acontecimento. Recheadas de comentários de experts de mergulho em grutas que repetiram até á exaustão banalidades. Impulsionados por repórteres que já não sabiam mais o que perguntar e repetiam as mesmíssimas questões vezes sem conta também.

No meio disto tudo, a morte de mais de cem cidadãos de um país altamente desenvolvido devido a uma catástrofe natural, inundações fora do comum, passou em branca nuvem!… 

Lição a tirar desta calamidade: a civilização nada pode ainda contra a natureza. Nem aqui no meu pobre Portugalito, nem na Califórnia, a sua prima de famílias ricas, nem no expoente tecnológico do Japão. 

Voltando aos nossos rapazes futebolistas siameses, tanto se noticiou que estes queriam já no hospital tirar a barriga de misérias com um manjar local que se chama “phad ka pao” que até a mim me apetece provar um dia essa exótica iguaria.

Fica gravado na minha to-do list. É uma coisa simples, carne picada frita numa sertã e salteada com manjericão, acompanhada com arroz branco. Mas é capaz de ser bão.

Paralisado e suspenso o mundo se quedou também acerca de quaisquer novas diatribes e manobras de marketing político do presidente da nação mais poderosa desta Terra. 

E parece que ninguém consegue fazer ouvir a sua voz de contraditório nos media!… Para dizer que o rei vai nu. Que Trump é um saco cheio de coisa nenhuma. Um pastel de vento.

Ainda anteontem o bom do Donald e o bacano do Vladimir resolveram marcar um rendez-vous no quintal do vizinho deste último. E lá foram desassossegar os coitados dos pacatos dos habitantes de Helsinki. Para quê?… Que sumo espremido é que saiu desta tão alardoada importante cimeira dos dois maiores líderes mundiais?… Alguém me diz?…

Bem, e agora?… Quando é que vamos sair deste torpor?… Será que vamos ter de esperar pela costumeira rentrée?… Ou esta silly season deste ano vai eternizar-se?… Já não me espantava nada. Os deuses estão a lograr paralisar-nos. E isso até pode não ser mau de todo.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

• O outro ópio do povo


"A religião é o ópio do povo” 

Assim sintetizou Karl Marx um pensamento que já vinha sendo dito por outros filósofos alemães, tais como Immanuel Kant. E Vladimir Ilyich Ulyanov, imortalizado pelo seu nickname Lenin, levou esta máxima a peito. Destruindo igrejas.

Hoje, Vladimir Putin vê uma outra forma de alienação das massas. Um outro ópio. Que sente poder trabalhar em benefício da sua linha política. E constrói estádios de football.

Eu admiro Putin, o homem, não o político. E não queria nunca que eu fosse visto por ele como um elemento inamistoso contra ele ou o seu país, a grande Rússia. Contra o seu país nunca seria. Mais do que Putin, eu sempre admirei a alma colectiva do poco russo.

E por deformação profissional antiga, do tempo em que eu era em exclusivo um designer gráfico na área do advertising, também ou mais uma vez, acho admirável e extremamente elegante o grafismo criado para este Mundial.

Por último, por causa duma vocação profissional falhada, a arquitectura, carreira que não cursei nem segui, admiro a criatividade dos estádios novos concebidos para esta competição desportiva globalizada.

Eis abaixo a minha contribuição para este incontornável mundo do ludopédio. A divulgação de aerial views de todos os doze estádios palcos de partidas de football - ainda não vi em nenhum website uma colectânea de imagens como esta aqui... - que prometem serem as mais belas de todos os tempos.

Creio mesmo que os nossos bravos irmãos eslavos vão conseguir esse desiderato, essa façanha ilustre.
 
Luzhniki Stadium, Moscow
Spartak Stadium, Moscow

Saint Petersburg Stadium
Samara Arena
Kazan Arena

Nizhny Novgorod Stadium
Volgograd Arena
Mordovia Arena, Saransk
Ekaterinburg Arena

Rostov Arena
Fisht Stadium, Sochi
Kaliningrad Stadium