domingo, 7 de março de 2010

• Era uma vez...

E agora uma história infantil, para os petizes e petizas que forem superdotados, pois só estes cidadãos de tenra idade e desta condição intelectual vão ler com atenção as seguintes palavras da lenga-lenga que a seguir se vai em baixo desmontar:


Lá para o meio do tempo de antena que lhe concederam generosamente, a senhora jornalista Manuela Moura Guedes, personagem plena de carisma que desperta universalmente simpatias mil dos demais de volta para si, contava aos deputados da nossa nação que lhe teriam dito...


(A senhora hesitou em continuar o seu inspirado relato, pois teria de envolver pessoas que não sabia se deveria nomear... mas vá lá, atirou-se de cabeça e continuou a sua alucinação.)


...que lhe teriam dito que o sr. Francisco Pinto Balsemão teria dito a um intermediário... sim, que o dr. Pinto Balsemão é um cavalheiro, nas palavras da própria sra. jornalista, e este nunca lhe iria dizer isto directamente a ela, fazia falta meter aqui o tal intermediário. O tal que lhe teria relatado que José Sócrates teria telefonado ao Rei de Espanha, Don Juan Carlos, a pedir-lhe o frete de falar com o director da Prisa, empresa espanhola de media, detentora da TVI, para este último depois falar com o director desta dita TVI para este afastar a sra. jornalista da sua função de apresentadora do Jornal de Sexta desta estação de televisão, modelo exemplar de informação. Era mais ou menos isto...


Quer-se dizer... a ver se eu percebo. Hum... querem mesmo que eu acredite nesta historinha? Oh dona Manuela, agora é que é caso para se gritar:


"¿Porqué no te callas?..."

terça-feira, 2 de março de 2010

• Eu avisei...

Eu já tinha prevenido aqui neste blog que a Cidadania Rasca também se ia mexer, depois de Fernando Nobre ter anunciado a intenção de se candidatar - e bem - à Presidência da República Portuguesa.

A consequência do acima exposto é a aparição de um novo blog, em baixo mostrado o seu banner.

E porquê um novo blog, perguntar-se-á? Porque pretendo manter este aqui com serviços mínimos de seriedade, enquanto que no novo vou ajavardar e esparvejar como se não houvesse amanhã.

Encaremos este novo blog também como um teste ao poder das redes sociais na internet...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

• A liberdade de expressão

É só para dizer aos poderosos deste país e do mundo e aos meus correlegionários, os mais fracos da nossa sociedade, que eu continuo à espera dum ataque a este blog por parte da alegada - por alguns, poucos - censura que p'rái campeia, nos conturbados dias de hoje da centenária mas não caquética República Portuguesa.

Eu também quero um pouco de protagonismo. Não é só o sr. Mário Crespo que tem direito a isso, porra!...

Inovem, meus senhores! Censurar jornais é coisa de meninas. Tentem lá antes censurar a blogosfera, se o conseguirem! Isso é que seria uma façanha ilustre, digna de notícia de abertura de telejornais.

• Daaaaaah!... É a economia, meu povo.

A campanha eleitoral de Bill Clinton em 1992 teve o condão de eternizar esta curiosa expressão anglo-saxónica. Hoje, quase 30 anos depois, esta calha que nem ginjas no que me apraz dizer.

Um dia destes, estava sem nada para fazer, concerteza, porque me pus a visionar distraidamente um programa do canal SIC Notícias que, se não me engano, era o "Praça Pública". Ou algo do mesmo género. Sabem, não é, o tipo de programas que usualmente dão voz aos seus espectadores através de chamadas telefónicas para os estúdios em directo. E não é que escutei uma ideia inteligente, expressa por um destes espectadores, que invariavelmente são pessoas amarguradas com a vida, na situação de reformados e que só querem barafustar e dizer mal de todos os que estão no poleiro, para usar a sua própria terminologia?

Discutia-se o congelamento decretado pelo governo dos salários dos funcionários públicos. Toda a gente zurzia que eram sempre os do costume, os mais fracos, os únicos que tinham de apertar o cinto e que não era justo. Eis senão quando, contra a corrente do jogo, alguém, a quem tiro o chapéu, se o usasse, marca um daqueles golos lindos porque inesperados. Um espectador muito lúcido lembrou um importante ponto forte dos ditos mais fracos: estes, para além de produzirem riqueza, na forma de bens de consumo, são também os consumidores maioritários desses bens.

Nas suas palavras, lançava este cidadão ilustre a seguinte questão: o que pensarão os patrões dos grandes grupos económicos do ramo da distribuição, como a Sonae ou a Jerónimo Martins, sobre este congelamento de salários? É que o consumo com esta medida vai retrair-se. Vai haver menos lucro...

E o próprio governo não deveria reflectir também? É que o consumo a diminuir significa menos impostos arrecadados com o bendito IVA.

O PCP e os partidos à sua esquerda - ou talvez de esgelha - não fizeram a necessária evolução para além da velha K7 (cassette, para alguns) do "temos de nos insurgir contra as políticas de direita deste governo". Essa gritaria hoje é praticamente inócua.

Meu povo, temos que lembrar a todos esses grandes, os que detém os poderes político e económico, que eles também precisam do nosso "guito", que é poucochinho no bolso de cada um de nós, os fracos, mas que, falando em termos do conjunto dos consumidores da classe média-baixa (tu, meu povo, por outras palavras mais caras), pode ser muito significativo para esses poderosos. É melhor não fazerem muitas ondas, que um dia a malta chateia-se e deixa de consumir de todo. E depois eles têm de mandar o cobrador do fraque ir receber os cheques sem fundo das eternas caloteiras tias da Quinta da Marinha, se quiserem recuperar a viabilidade económica das suas empresas e as repartições de finanças de portas abertas e com algo para fazer.

É esta a nossa principal força hoje em dia, camaradas. Greves e manifs já não fazem tanta mossa assim.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

• Obrigado, Mário Crespo...

Quero aqui agradecer ao jornalista Mário Crespo o seu notável contributo para a estabilidade da nossa vida pública e regime democrático.

Mário Crespo não hesitou em sacrificar-se na praça pública em nome desses ideais maiores, criando uma polémica artificial - alimentada por calhandrices, como muito bem foi classificado este "happening" - em que se descredibiliza a si e à sua carreira no jornalismo em benefício, num sentido oposto e num princípio de vasos comunicantes, duma maior credibilização do nosso Primeiro Ministro Eng. José Sócrates, quando o seu mérito superior na governamentação se encontra sob linha de fogo por parte duma oposição que entrou em estado de desespero histérico.

Infelizmente, nem todos os líderes desta pobre oposição "compraram" este suposto presentinho envenenado... Estão, surpreendentemente, a ficar mais sagazes!... Quem diria...

É de homens destes e destes sacrificios que o nosso país mais necessita nestes tempos que alguns querem pintar de negro e puxar a auto-estima dos portugueses para baixo.

Obrigado, Mário Crespo. Quando estiveres no fundo do poço, não esqueceremos o teu abnegado gesto.

domingo, 31 de janeiro de 2010

• Os contabilistas

Daniel Bessa, ilustre economista português, figura pública a quem se deve merecida consideração - pelo menos eu assim julgo e julgarei - veio fazer a devida defesa da sua corporação numa coluna do semanário "Expresso", habitualmente no canto inferior direito da primeira página do caderno de Economia. Onde habitualmente Manuela Ferreira Leite também bota faladura, facto a não negligenciar.

Nessa coluna faz-se-nos a lembrança da valia dos ditos contabilistas, como travão dos ímpetos dos visionários deste mundo. Pequena valia, digo eu...

Porque os contabilistas parecem sempre gostar ou ter a obrigação de fazer contas, segundo as palavras do próprio Daniel Bessa, do que é preciso gastar numa dada iniciativa inovadora. O que é concreto, palpável. E não terem o mesmíssimo prazer ou sequer conforto em fazer as contas do que essa iniciativa inovadora pode proporcionar como benefícios. Que já não será concreto nem palpável, que será antes incerto. O desconhecido. E o contabilista típico tem medo do desconhecido.

Que contabilista teria alguma vez aprovado, se todo o poder para isso possuisse, que se gastasse o que se gastou na epopeia dos descobrimentos portugueses ou na conquista da Lua por parte da americana NASA? Ou falando em exemplos de obras públicas, o túnel do Canal da Mancha? Eu presumo que nenhum.

Esta jura eu aqui faço: eu jamais entregarei o poder pelo meu voto nas mãos de um contabilista.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

• Os velhos do Restelo

"Chegou a altura de o PSD se emancipar dos velhos do Restelo", Pedro Passos Coelho dixit.

Eu não acho que o PSD faça assim tanta falta à nossa democracia. Talvez só um pouco menos do que Pedro Passos Coelho fará. Mas justamente porque isto é uma democracia, há quem pense diferente de mim e pode pensá-lo. E esses que se preocupam com este partido ideologicamente algo artificial deveriam talvez escutar este senhor, que é um dos seus pares mais na ribalta nos tempos mais recentes.

Eu apreciei a tirada deste rapaz. Isto porque também já usei o mesmo conceito ao falar do PSD. Na última campanha eleitoral, passeava eu uma tarde de verão na capital, a galhofar com os meus botões, e eis senão quando um jovenzito anafado, cara de MBA da Católoca, interpela-me mostrando um panfleto com a cara da Manelita F. Leite e eu viro-me p'ra ele e declinei educadamente tão generosa oferta. E rematei o curto diálogo que tinhamos entretanto entabulado afirmando-lhe que eu nunca iria votar num "velho do Restelo". Era contra a minha filosofia de vida.

E se já não alinho com "velhos do Restelo", quando estes então acumulam ainda cargos de contabilistas, aí é que a vaca vai p'ró brejo. Fazer do pressuposto "não há guito, não há guito e não há guito, prontos!" uma bandeira eleitoral foi do mais horrendo que eu já assisti na vida desta nossa senhora democracia cerca de uma década mais nova do que eu.

Julgo que se a Manela tivesse ganho as passadas eleições - cheguei a ter pesadelos desses, confesso... - o Magalhães iria por certo parar de ser distribuido aos nossos petizes.

Julgo também que foi um antepassado da Manela que terá feito o funesto lobbying junto do nosso rei que terá tido como consequência o Magalhães (Fernão de) ter tido de ir sacar os subsídios adequados à sua empresa de circum-navegação aos reis católicos de Castela.

Li que alguns analistas políticos cuidaram que Pierre Pas Lapin aludia ao prof. Marcelo quando evocou estes velhos do Restelo. Não vou por aí. Acho que era mesmo a Manela que ele visava. A Manela e aqueles que não querem o TGV a sair do papel agora. Mas depois constato que ele, P.P. Coelho também assim pensa... Atão afinal são quase todos "velhos do Restelo"! Quem é que se aproveita, afinal?

É o que digo desde o princípio: o PSD não faz assim tanta falta à nossa democracia. Por mim, dr. Balsemão, deixe lá o suicídio colectivo ter o seu livre curso. As teorias de Darwin tanto se podem aplicar às espécies animais como aos partidos políticos. Os menos adaptados têm mesmo de desaparecer, mais tarde ou mais cedo.