quarta-feira, 8 de novembro de 2017

• 100 anos

A Oktoberfest realiza-se em Setembro… E a Revolução de Outubro comemora-se a 7 de Novembro. Vá-se lá perceber porquê…

Bom, mas o que importa é que fez 100 anos ontem que o mundo começou a mudar. Nascia uma bela utopia. Que uma vez mais a condição humana haveria de matar. Como sempre fará com todas as utopias.

Rascas que são todos os humanos. Todos. Mesmo os que fazem revoluções que mudam tudo aqui debaixo do céu.

Ela e eu nascemos cerca de meio século depois. Quando a utopia liderava os seus numa intrépida corrida desta humanidade, para a levar ao espaço. Numa época em que estávamos em campos opostos e praticamente incomunicáveis.

Se a utopia não tivesse sido derrubada por terra talvez nós dois nunca nos viéssemos a encontrar nesta presente vida.

Ainda gostaria um dia de ouvir mais histórias que ela contasse dos tempos em que a utopia determinava a sua vida. Como eu contaria como foi a minha infância e adolescência sob um outro regime que também não me deixaria crescer para ser absolutamente livre.

Ou tão só livre ao ponto de como somos ambos livres hoje em dia. Livres de dizer o que quisermos e de ir onde quisermos.

Que a utopia dela se cumpra. Seja lá a que for.

Eu ainda ando à procura de qual será a minha.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

• Um dia rasca

15 de Outubro. O dia nacional dos acendimentos. Que dizem foram cerca de 500. Num só dia.

A foto que vemos acima foi tirada por um bombeiro. Do terraço do seu quartel de bombeiros voluntários em Vieira de Leiria.

Quando li num jornal uma notícia ilustrada com esta foto, perguntei-me o que estaria um bombeiro a fazer no seu quartel em vez de estar a combater as chamas que avistava ao longe? Vi então que relatava-se que este bombeiro - Hélio Madeiras de seu nome, para atribuir os créditos à foto - teria estado justamente a tentar conter o fogo quando entretanto soube que seria destacado com um grupo de seus camaradas para ir acudir a outro grande incêndio em Vouzela, a cerca de 150 km da sua terra!… Como se isto fizesse grande sentido…

Terá sido então no intervalo entre um fogo e outro e regressado ao quartel que teve um momento para guardar para a posteridade a desgraça que se abatia sobre o Pinhal de Leiria.

Noutro jornal com uma outra notícia com a mesma foto, o seu nome de família perdeu o “s” final, passando ao singular, e tomou já outra categoria profissional: a de um “recuperador salvador da Autoridade Nacional de Proteção Civil”. Seja lá o que isso for…

Esta foto tornou-se viral nos media de todo este mundo que quiseram dar a nova do inferno na terra em que este pequeno país á beira-mar plantado se tornou naquele malfadado dia.

Duas semanas depois, movido por uma curiosidade mórbida, tornei-me um turista de terra queimada. 

Tinha estado justamente na Praia da Vieira de Leiria no último dia do mês passado de Setembro e no primeiro dia deste. A gozar um curto período de paz interior. A reflectir sobre o sentido da minha vida e a postá-lo num dos meus blogs. Nesse lugar muito caro para mim.

Quis voltar lá para ver a extensão da destruição. E para me garantir que tudo se há-de erguer de novo.

Confio muito que de facto tudo se há-de erguer de novo. O negro vai dar lugar ao verde uma vez mais.

Só espero é que a rasquice e estupidez que grassou naquele dia 15, essa não volte a existir alguma vez mais.

Estupidez que por vezes podemos pensar que é um exclusivo ou uma característica muito ruga. Mas então como explicar que na poderosa Califórnia também tenham deixado que ardesse tanta floresta e morresse taxas vítimas como aqui?…

Que não tivessem conseguido salvar algumas das mais abastadas casas vinícolas deste planeta na famosa Napa Valley?…

E na Galiza!… E na Lombardia também houve incêndios nesta época em que não era suposto a natureza castigar-nos.

Mas enfim… Há lá algum momento que seja mais próprio para o castigo da estupidez humana?…

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

• Morreu um cidadão rasca

De sua graça Hugh Marston Hefner, bateu hoje os tacões. E este blog não podia deixar de lhe prestar uma devida homenagem.

Uma outra alma, que julgo seria um bom amigo dele, se tivesse sido seu contemporâneo, disse um dia isto:

“Toda a gente morre. Mas nem toda a gente viveu.”
 - Manuel Teixeira Gomes,
sétimo presidente da República Portuguesa

Este gajo, o Hefner, soube viver. É o que me apetece dizer sobre ele. Não o invejando muito por aí além, porque ele, presumo, só teria à sua beira “coelhinhas” e eu não desdenho “real people”, isto é, fofinhas… Não o invejando, dizia eu, gostaria no entanto de ter um dia a sua fama de “unconventional gentleman”. À minha maneira.

O site da Playboy tinha hoje, apenas e só, uma foto sua - enquanto quarentão ou cinquentão, não sei precisar - com o seu proverbial cachimbo e com esta citação abaixo, que lhe é atribuída. Mais nada.

“Life is too short to be living somebody else’s dream."
 - Hugh Hefner

És capaz de ter razão, Hugh. És bem capaz de ter razão.
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P.S.: E porque a Playboy é uma revista onde o humor é um ingrediente essencial e isto que vou partilhar a seguir não pode passar de hoje, senão corre-se o risco de perder impacto e piada... Não tendo mesmo absolutamente nada a ver com o Hugh Hefner, mas enfim... Isto é uma blague só cá para o burgo... Enfim, cá vai!...

Após a partida de ontem entre o FC Basel e o Sport Lisboa e Benfica para a Champions League, a Emirates pondera retirar o patrocínio das camisolas do "glorioso". Mas o SLB já tem uma outra big corporation interessada em vigorar ao peito da troupe de circo das denominadas "papoilas saltitantes". Que é esta:


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017

• No lo han logrado

Nos últimos tempos, e graças à minha labuta árdua, tenho tido a felicidade de descobrir mais alguns recantos deste país onde nasci que ainda faltavam no meu curriculum vitae geográfico.

E em cada novo lugar onde vislumbro uma súbita alegria e um querer de lá viver, uma ideia me assalta…

A de que os aprendizes de feiticeiro que por acaso do destino desta nação tiveram a desdita de o governar, com a sua política de terra queimada e de empobrecimento, não chegaram a conseguir dar cabo da arte de viver em Portugal.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

• Já não é como antigamente...

A silly season, digo. Já não é como antigamente. Ou então sou eu que já nem ligo pevide à política tuga.

Mas de quando em vez, e porque ainda vejo alguns noticiários na pantalla cá de casa - raramente, sim, mas vejo -, lá tenho de reparar nas invariavelmente pobres intervenções públicas de um alegado líder da oposição ao actual governo, a quem a vidinha não deve andar a correr mesmo nada, nadinha de feição...

Vou começar a ter pena de Pierre Pas Lapin.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

• Agora reparo...

Tudo tem sido pró fixe no Portugalito desde que a geringonça apeou do poder executivo os aprendizes de feiticeiros.

E isto tanto nesse mundo de fantasia que é a macroeconomia - sim, que isto dos mercados, agências de ratings e demais cenas da alta finança é coisa que a maioria de nós nem podemos cheirar o quanto fede - como na vida real e palpável ao Zé Povinho. 

Ele é os indicadores económicos a evoluir lenta mas favoravelmente, sobretudo esse fantasma do défice. Ele é as pessoas a consumir mais e com suficiente despreocupação. Ele é o turismo a crescer em flecha, essa parcela hoje tão relevante das nossas exportações, como jamais se vinha vendo…

E depois na vida quotidiana vemos êxitos inéditos, assim de repente e em catadupa, como nos nossos mais ousados sonhos. Nas artes e no desporto, por exemplo. Como as súbitas consagrações do nosso talento particular na Eurovisão e no futebol. E noutras áreas.

É Portugal a estar na moda junto da opinião pública de tantos outros países deste mundo. É a felicidade estampada nos rostos de quem nos visita. Que nos contagia e nos faz pensar que esta pode ser, afinal, uma terra bendita.

Isto tudo deve ser tão duro de engolir áqueles que por incompetência, ignorância e inabilidade tanto fizeram por que a Felicidade Nacional Bruta fosse sacrificada ao Produto Interno Bruto…

É um argumento clássico nos filmes yankees: vemos tantas vezes nessa sociedade tão competitiva como a norte-americana a turma dos certinhos, betinhos, graduados em Harvard serem batidos no fim pelos toscos, que passam o filme todo a ser humilhados, troçados e vencidos pelos primeiros. Mas no final a vitória é dos pobres coitados que fazem das fraquezas forças.

Tantos execráveis personagens andaram a gozar com esse banana que era o Mário Centeno… Que o destino lhes serviu umas bofetadas com luvas de pelica, bem dadas por sinal.

Também temos de agradecer a uma providência divina termos hoje um árbitro a sério. Um amigo e pedagogo. Marcelo, não páres!… Não deixes de ser quem és, apesar de certas vozes, das quais sempre se disse que não chegam ao céu.

Acho que podemos todos dizer que o pesadelo acabou.