quinta-feira, 28 de setembro de 2017

• Morreu um cidadão rasca

De sua graça Hugh Marston Hefner, bateu hoje os tacões. E este blog não podia deixar de lhe prestar uma devida homenagem.

Uma outra alma, que julgo seria um bom amigo dele, se tivesse sido seu contemporâneo, disse um dia isto:

“Toda a gente morre. Mas nem toda a gente viveu.”
 - Manuel Teixeira Gomes,
sétimo presidente da República Portuguesa

Este gajo, o Hefner, soube viver. É o que me apetece dizer sobre ele. Não o invejando muito por aí além, porque ele, presumo, só teria à sua beira “coelhinhas” e eu não desdenho “real people”, isto é, fofinhas… Não o invejando, dizia eu, gostaria no entanto de ter um dia a sua fama de “unconventional gentleman”. À minha maneira.

O site da Playboy tinha hoje, apenas e só, uma foto sua - enquanto quarentão ou cinquentão, não sei precisar - com o seu proverbial cachimbo e com esta citação abaixo, que lhe é atribuída. Mais nada.

“Life is too short to be living somebody else’s dream."
 - Hugh Hefner

És capaz de ter razão, Hugh. És bem capaz de ter razão.
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P.S.: E porque a Playboy é uma revista onde o humor é um ingrediente essencial e isto que vou partilhar a seguir não pode passar de hoje, senão corre-se o risco de perder impacto e piada... Não tendo mesmo absolutamente nada a ver com o Hugh Hefner, mas enfim... Isto é uma blague só cá para o burgo... Enfim, cá vai!...

Após a partida de ontem entre o FC Basel e o Sport Lisboa e Benfica para a Champions League, a Emirates pondera retirar o patrocínio das camisolas do "glorioso". Mas o SLB já tem uma outra big corporation interessada em vigorar ao peito da troupe de circo das denominadas "papoilas saltitantes". Que é esta:


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017

• No lo han logrado

Nos últimos tempos, e graças à minha labuta árdua, tenho tido a felicidade de descobrir mais alguns recantos deste país onde nasci que ainda faltavam no meu curriculum vitae geográfico.

E em cada novo lugar onde vislumbro uma súbita alegria e um querer de lá viver, uma ideia me assalta…

A de que os aprendizes de feiticeiro que por acaso do destino desta nação tiveram a desdita de o governar, com a sua política de terra queimada e de empobrecimento, não chegaram a conseguir dar cabo da arte de viver em Portugal.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

• Já não é como antigamente...

A silly season, digo. Já não é como antigamente. Ou então sou eu que já nem ligo pevide à política tuga.

Mas de quando em vez, e porque ainda vejo alguns noticiários na pantalla cá de casa - raramente, sim, mas vejo -, lá tenho de reparar nas invariavelmente pobres intervenções públicas de um alegado líder da oposição ao actual governo, a quem a vidinha não deve andar a correr mesmo nada, nadinha de feição...

Vou começar a ter pena de Pierre Pas Lapin.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

• Agora reparo...

Tudo tem sido pró fixe no Portugalito desde que a geringonça apeou do poder executivo os aprendizes de feiticeiros.

E isto tanto nesse mundo de fantasia que é a macroeconomia - sim, que isto dos mercados, agências de ratings e demais cenas da alta finança é coisa que a maioria de nós nem podemos cheirar o quanto fede - como na vida real e palpável ao Zé Povinho. 

Ele é os indicadores económicos a evoluir lenta mas favoravelmente, sobretudo esse fantasma do défice. Ele é as pessoas a consumir mais e com suficiente despreocupação. Ele é o turismo a crescer em flecha, essa parcela hoje tão relevante das nossas exportações, como jamais se vinha vendo…

E depois na vida quotidiana vemos êxitos inéditos, assim de repente e em catadupa, como nos nossos mais ousados sonhos. Nas artes e no desporto, por exemplo. Como as súbitas consagrações do nosso talento particular na Eurovisão e no futebol. E noutras áreas.

É Portugal a estar na moda junto da opinião pública de tantos outros países deste mundo. É a felicidade estampada nos rostos de quem nos visita. Que nos contagia e nos faz pensar que esta pode ser, afinal, uma terra bendita.

Isto tudo deve ser tão duro de engolir áqueles que por incompetência, ignorância e inabilidade tanto fizeram por que a Felicidade Nacional Bruta fosse sacrificada ao Produto Interno Bruto…

É um argumento clássico nos filmes yankees: vemos tantas vezes nessa sociedade tão competitiva como a norte-americana a turma dos certinhos, betinhos, graduados em Harvard serem batidos no fim pelos toscos, que passam o filme todo a ser humilhados, troçados e vencidos pelos primeiros. Mas no final a vitória é dos pobres coitados que fazem das fraquezas forças.

Tantos execráveis personagens andaram a gozar com esse banana que era o Mário Centeno… Que o destino lhes serviu umas bofetadas com luvas de pelica, bem dadas por sinal.

Também temos de agradecer a uma providência divina termos hoje um árbitro a sério. Um amigo e pedagogo. Marcelo, não páres!… Não deixes de ser quem és, apesar de certas vozes, das quais sempre se disse que não chegam ao céu.

Acho que podemos todos dizer que o pesadelo acabou.

sábado, 29 de abril de 2017

• Cosmos Discovery - a exposição

- E porque é que nunca mais fomos outra vez à Lua?…

Eis a dúvida naturalíssima da minha filhota, que nasceu bem depois dessa corrida ao nosso satélite, promovida entre a ex-União Soviética e os Estados Unidos da América, enquanto eu e ela visitávamos a Cosmos Discovery Lisboa e nos deslumbrávamos com relatos e artefactos de façanhas da nossa humanidade que foram mais minhas contemporâneas.

- Porque entretanto os economistas passaram a dominar este mundo. - retorqui eu, resignado.

E é triste que tal tenha acontecido. Os economistas são os eucaliptos da humanidade. Secam toda a iniciativa que não vise o lucro puro e duro. A economia é a área das ciências que trava todas as outras e em consequência, o avanço da civilização terráquea.

Oxalá que esta exposição itinerante por várias capitais deste mundo e que aterrou por agora aqui em Lisboa - em Belém, lugar que evoca outras epopeias de descobertas doutros tempos bem mais vindouros - inspire algum ser que venha a evoluir para crescer como um novo político da estirpe de um John Fitzgerald Kennedy. E que este ciclo seja revertido antes que cheguemos a uma nova idade média do conhecimento científico.

Maldita economia, que nem ciência exacta se deveria considerar ser. É no meu entender mais uma arte divinatória, como a astrologia. E a astronomia é que importava desenvolver.

“We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.”
- Oscar Wilde

E os contabilistas só sabem olhar para baixo, para os numerozinhos vomitados em continhas de somar e subtrair nos rolos de papel que as suas arcaicas calculadoras vão desenrolando, acrescento eu...

sexta-feira, 24 de março de 2017

• O essencial

E os seres humanos estão a perder de vista o essencial.

Isto é notório nas suas acções e palavras. Enquanto uns grandes se descuidam a dizer merdas, outros, pequenos, acreditam que têm por missão fazer merda.

Outros há ainda, a esmagadora maioria, que só querem tratar das suas vidinhas. E se alguma merda - leia-se contratempo - desvia estas formigas do seu carreiro alguns metros ou segundos daquilo que lhes é habitual, em vez de olharem o lado positivo - um súbito intervalo nas suas chatas rotinas - só se queixam de consequências menores do incidente entretanto ocorrido.

Os seres humanos estão a perder a capacidade de ver com o coração. Estão a esquecer de amar.

E não é só de se amarem uns aos outros. É de amarem também as pedras no caminho, essas sementes de castelos.

Sinto-me hoje a divergir tanto e cada vez mais da raça humana, em cujo seio nasci. E se eu também estou a deixar de amá-la, queria ao menos ainda encontrar algum elemento como eu a quem amar. Para não ter só amor próprio.

Eu já amei a alguém. Julgo que ainda amo a esse alguém. Mas hoje amo sozinho. O meu bem-querer deixou de ser essencial, como já foi. E é preciso viver e deixar viver.