quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

• Cidadão-Cliente-Mistério

Tal como já disse no último post deste blog, se o Estado precisasse dos serviços dum “cliente-mistério” para aferir como trata os seus cidadãos, talvez eu fosse um interessante case study.

Se se quisesse aferir como numa democracia temos um fisco que se comporta como se estivéssemos ainda no feudalismo da idade média ou nos anos vinte do século passado na Chicago de Al Capone, e ainda por cima de forma atabalhoada, eu tenho muito o que contar!…

Se se quisesse aferir como um entidade estatal como o Instituto do Emprego e Formação Profissional não serve para rigorosamente nada no apoio à procura de emprego aos cidadãos  inscritos para o efeito neste IEFP, e farta-se de esbanjar recursos financeiros e humanos em serviços e actividades só para inglês ver e para aldrabar estatísticas, eu tenho muito o que contar!…

Se se quisesse aferir como a Segurança Social também não cumpre cabalmente a sua missão e deixa os cidadãos desamparados quando mais se necessita desta, eu tenho muito o que contar!…

Mas já agora, também tenho muito o que contar se se quisesse aferir como o Serviço Nacional de Saúde funciona tão melhor nos hospitais de serviço público geridos por entidades privadas. Tais como o novo Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, para dar o exemplo que melhor conheço aqui…

Feito um balanço geral, no entanto, enquanto cidadão e cliente deste estado estou farto de ver-nos a todos pagar tanta ineficácia. Quero mudar de fornecedor de serviços estatais para cidadãos. 

Vou emigrar. Vou-me baldar daqui p'ra fora! Esta vai ser a minha principal resolução do Ano Novo de 2016 que se avizinha a galope.

De qualquer modo, o estado português já me perdeu faz muito tempo como um cidadão exemplar. Só consigo continuar a ser um cidadão rasca aqui permanecendo. E apesar da esperança ténue renascida no seio do povo português com a posse do actual governo, ainda vai correr muita mas muita água debaixo da ponte até que grande parte daquilo a que eu apontasse o dedo fosse corrigido.

Estou também imensamente farto de observar tanta gente como eu, com maiores e melhores talentos e competências do que euzinho aqui, permanecer desperdiçada neste país que se mostra impotente para aproveitar todo o seu rico capital humano.

Bom, mas vá lá, isto deve ser uma maleita generalizada neste mundo inteiro. Mas talvez sobretudo nas sociedades do mundo ocidental.

Existe apesar de tudo na União Europeia uma jovem democracia - ou ao menos ainda não tão caquética como a nossa - que hoje e sempre me atraiu pelo pragmatismo do seu estado e pela resiliência* dos seus cidadãos. E é para lá que eu queria ir, se com a sua generosidade me puderem aceitar lá.
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* Detesto este palavrão, “resiliência”!… Ou buzzword, como se soe ouvir tanta vez a sair da boca de gurus nos dias de hoje. "Tenacidade" será quiçá uma melhor escolha para bem descrever o carácter do povo da Singing Revolution.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

• Cidadão versus Estado

Hoje a taça transbordou. O Estado desta nação tuga em que nasci esmaga-me até eu não poder mais. E antes que me venham á mente avulsas tendências suicidas ou ímpetos terroristas, vou finalmente contar porque me considero e me tornei num cidadão rasca.

Se o Estado precisasse dos serviços dum “cliente-mistério” para aferir como trata os seus cidadãos, talvez eu fosse um interessante case study*… Senão vejamos o relato de desventuras que se seguirá. 

A bola de neve encetou-se assim: tive um veículo automóvel até ao ano de 2002. E até esse ano paguei o malfadado IUC, Imposto Único de Circulação Automóvel. O vulgar “selo do carro”. Que à altura, se não me engano, era só cerca de uns simbólicos 5 a 6 euros por ano.

Entrei então num período de desemprego prolongado, que durou cerca de 3 a 4 anos. Não querendo ter encargos com a manutenção desse veículo e demais despesas, como seguros, simplesmente deixei-o parado, estacionado perto da minha residência.

Uma diligente soldado da GNR - de um aquartelamento bem longe de onde vivo, Alverca no caso dela - um dia fazendo a sua ronda ou serviço fora da sua área de intervenção principal vislumbrou esse veículo e foi espreitar a validade do selo do meu carro, uma vez que não teria mais para fazer, talvez. E deixou-me uma multinha nada simpática no pára-brisas.

Transformou logo ali uma suposta dívida minha ao estado dos tais 5 euros do selo do carro, com a sua validade ultrapassada em um ano, em mais de 130 euros!…

Fiquei então ciente de algo que tinha entretanto mudado na legislação portuguesa fazia já uns anos antes. Antes eu julgava que um veículo não podia circular sem o tal Imposto Único de Circulação Automóvel em dia. Passei a saber que mesmo sem circular, apenas parado na via pública, se uma autoridade policial o surpreendesse sem o IUC regularizado poderíamos ter aquela dolorosa.

Tratei então de fazer o carro desaparecer das vistas de quem quer que seja. Desfiz-me deste, entregando-o a um ferro-velho, que mo veio recolher. Desconhecia então era que para a Autoridade Tributária este continuava a ser “visível” nas suas bases de dados. E a dever o tal IUC todos os anos.

Quando me livrei do carro não conservei deste comigo quaisquer documentos. Nem retive onde se localizaria o tal ferro-velho que mo levou. É o meu déficit de sabedoria e de senso comum do que é ser-se um cidadão com deve ser… Não sei nem penso nestas miudezas.

Quando a AT, Autoridade Tributária, me começa a avisar de estar a dever vários anos o IUC, essa dívida já ia numa soma avultada.

É que os queridos do fisco cobram-nos coimas, juros de mora e custos administrativos com uma desfaçatez tal que a meu ver faria corar de vergonha os maiores agiotas!… Dito por outras palavras, a arte de fazer as receitas do estado subirem exponencialmente.

Dar baixa do veículo no Registo Automóvel - ou IMT,  Instituto da Mobilidade e dos Transportes, ou lá o que é isso - não me era possível porque não tinha os seus documentos nem meio de os recuperar.

E por outro lado, se o fizesse estaria a assumir que tinha tido o veículo na minha posse todos esses anos e, portanto, a assumir também a dívida à AT, à altura impagável com os rendimentos que auferia.

Um dia reparei nos media que o meu problema com a AT era mais comum do que eu suporia. Nos telejornais víamos filas enormes de contribuintes á porta de repartições de finanças. Com as mesmíssimas dívidas insuportáveis relativas ao horrendo IUC. Tudo para deparar com a proverbial intransigência da AT. 

Os contribuintes portugueses têm em primeiro lugar que pagar o que lhes é comunicado que devem e depois se quiserem que protestem. Mas primeiro dinheirinho cá deste lado!… Assim nos disse sempre o estado. Sempre!

É aí que debuta a minha rasquice. Pelos inúmeros exemplos de irredutibilidade da AT perante cidadãos, passei a tomar a atitude de positivamente marimbar-me para todas as cartinhas de amor que me enviavam. E não segui o exemplo de tantos pobres coitados que perderam o seu tempo e paciência a ir falar com a AT, a ver se conseguiam resolver o seu problema a contento, ou seja, para não ficarem sem pinga de sangue que lhe chupassem.

Umas vezes a consciência lá me roía. E abri algumas. E deu-me a sensação que nalgumas a minha dívida tinha baixado, por motivo de época de saldos, quiçá. Para logo a seguir voltar a subir. Factos que só aumentavam o meu desprezo pelas instituições em questão.

Creio que os legisladores deveriam também recuperar uma certa consciência de que as leis que congeminam nos gabinetes podem ter estas consequências nefastas, e tão alastradas numa sociedade, se não se previrem mecanismos de excepção, que atendam a alguns casos particulares. Ou que haja abertura para outros mais casos, não imediatamente previsíveis.

O caso da alteração das regras do IUC parece-me paradigmático. Mas outros haverá.

Criam-se assim tantas vezes dificuldades aos cidadãos que seriam evitáveis. Mas talvez não se possa é dispensar essa fonte de mais receitas fiscais que tais omissões originam!… Ah, isso não!

Resultado de tudo isto: as ameaças da AT de penhoras de bens vieram um belo dia.

E a AT acha que tem é de cumprir o seu dever. E nem quer saber de se articular com outros serviços estatais. Como a Segurança Social ou outros. Para averiguar se os cidadãos que ameaça de penhoras podem mesmo pagar o que lhes é exigido. Porque há períodos em que os cidadãos podem estar mais fragilizados. Como quando o Estado com as suas políticas económicas fomenta o aumento do número de desempregados. 

Nos países nórdicos há uma tradição de fazer os cidadãos pagarem ao estado segundo os seus rendimentos declarados. Como é um bom exemplo a Finlândia, em que as multas de trânsito para as mesmas infracções são mais altas quanto mais ricos forem os infractores.

O que se me afigura de todo muito justo. Já que não sou finlandês nem muito menos um gajo rico…

Voltando às penhoras… Como soube que a AT pode ter acesso a pôr a sua mão sobre o meu dinheiro que confio aos bancos, não tenho hoje quaisquer contas bancárias. Isto há-de um dia chatear também os bancos, que têm em mim menos um cliente… 

Não sabia era que a AT podia penhorar pagamentos que entidades a quem prestei serviços me iriam fazer…

Hoje uma das agências para quem fiz trabalhos de figuração em telenovelas disse-me que o valor constante no recibo electrónico de acto isolado - ainda por cima um valor bem pequeno** para um ano inteiro, inferior ao valor de um salário mínimo mensal - o único valor em dinheiro fruto neste ano todo de trabalho que efectuei não me iria ser pago. Tudo o que me era devido num ano inteiro de serviços ocasionais e esporádicos iria ser versado à AT.

É então que abaixo a crista e me digno ir falar com funcionários da repartição de finanças cá do bairro fiscal. Isto tudo só para ficar informado de uma linda coisa…

O fisco quando tem de penhorar ordenados que são pagos com regularidade todos os meses a pobres assalariados - que não têm como se escapar a esse castigo muitas vezes injusto, como será de prever - ainda tem alguma compaixão: não se penhora senão um sexto do salário do indigente animal.

Há que deixar o contribuinte comer qualquer coisita para não lhe dar um fanico e não poder mais ganhar um salário que é preciso continuar a chular mais uma cambada de meses.

E agora atentai nesta maravilhosa pérola do fisco tuga que me foi revelada!… No caso de recibos de actos isolados a lei não prevê limites à penhora. Logo, na dúvida, parece que é para penhorar tudo, à fartazana!…

Um Feliz Natal para vocês também, senhores da AT. 

E para vocês também, vermes que bolam as nossas leis, tão queridas que estas são!…

Desejo-vos que vos cresça um pinheiro de Natal bem viçoso por aquele sítio acima em que estão a pensar neste momento!…
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Nota: E não pensem, caros leitores, que as minhas desventuras com o Estado português se ficam só por isto!… Mas isso é assunto para outros capítulos. O que eu ainda tinha de muito mais para contar, meus deuses…

* Ou um caso desesperado de desapego a uma realidade comum à de todos os outros mortais que já não a questionam e a aceitam como absolutamente natural. Mas eu não.

** Tal como dizia o outro, aquele que fizeram presidente de todos os portugueses, "que mal vai dar para pagar as minhas despesas". E ainda por cima é logo no fim do ano, na época natalícia, que me cortam a possibilidade de usufruir finalmente da minha tão esperada meia-dúzia de dobrões!... 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

• E a rasquice continua!…

Obrigado, Correio da Manhã!

A priori, os cabeçalhos das gordas nas vossas primeiras páginas e interiores podem parecer por vezes odiosas. Aliás, há na redacção de certos jornais pessoas muito sintéticas, para dizer o mínimo, a criar estes cabeçalhos... 

Esta forma de dar notícias faz vender mais jornais?... Aparentemente, sim. Aqui e em todo o mundo. Infelizmente, digo eu, porque isto não parece nada bonito.

Julgo que é ofensivo, até. Mas ajuda a sabermos separar o trigo do joio. Para quem tem olhos de ver. E mente a que quer dar uso.

Porque, olhando por outro prisma, o que estes cabeçalhos nos dizem? Algo que o visado António Costa, novo primeiro-ministro da República Portuguesa - indicado e não indigitado - não diria nunca assim tão preto no branco. Porque não é elegante. Mas que ao mesmo tempo não desdenharia de que alguém fizesse referência assim, em bom português.

Sim, António Costa deve estar orgulhoso disto, segundo o próprio corpo da notícia citado aqui tal qual impresso no CM, (sic): “Atento às questões da igualdade, António Costa escolheu Ana Sofia Antunes, 34 anos, invisual e presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes (ACAPO), com quem trabalhou na Câmara de Lisboa, para a Secretaria de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência.”.

Bem como de (sic), “Além de uma ministra negra, Francisca Van Dunem, na Justiça, António Costa leva para o Governo um secretário de Estado cigano…”.

Trata-se, de facto, de (sic), “…um dos mais plurais e integradores Executivos de sempre: um verdadeiro mosaico social.”.

E não mais a nave dos loucos do anterior executivo, que não era mais do que conjunto de ditos neo-liberais bundas-moles, economistas feitos à pressa a partir de estudantes de engenharia ou saídos da Católica; empreendedores tugas nascidos das oportunidades do extinto (acho eu…) FSE, Fundo Social Europeu; miss Swaps e outras aberrações que tais. Comandados por dois aprendizes de feiticeiros, mal assessorados por descarados vígaros.

Que era uma coisinha nada plural nem integradora. Tudo arredado da realidade da vida do cidadão-comum, que espoliaram a torto e a direito. Um verdadeiro mosaico de malfeitores ou idiotas úteis a quem puxa os cordelinhos. Como aquela velha senhora gorda a quem os boches chamam de “mãezinha”. 

E que ainda bem que foi arrecadada por uma maioria de esquerda que até que enfim se juntou neste nosso país com um povo de brandos costumes que levou um valente coice de mula desta vez. Graças aos deuses!… Já não era sem tempo.

A ver se esta nação deixa de ser rasca, de uma vez por todas.

Tenho a impressão que até a múmia que está na presidência se vai sentir arrependido de ter protelado tanto a posse deste novo e bendito executivo, um dia destes.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

• Tudo rasca!…

No dia seguinte às últimas eleições para o parlamento português bazei daqui desta Lisboa p’ra bem longe.

Dia 5 de Outubro passado, enquanto na capital um presidente rasca se escusava a comemorar o Dia da Implantação da República, cá o rapaz tratava de chegar a Lahti, depois de aterrar em Vantaa. Tudo lugarejos em território dessa longínqua e fria Finlândia. Como já me lembrei de contar neste blog o mês passado.

P’ra lá fui - ou fugi do que parece que adivinhava esta choldra se ia tornar - sobretudo porque um cidadão rasca como eu também se pode apaixonar. E como pode, senhores…

Não me pirei por causa do resultado destas eleições. Não. Já o tinha decidido muito antes. O anterior governo rasca andou a lixar-nos tanto a vida a todos, que nem que a esquerda toda tivesse uma maioria parlamentar de mais de 90% dos deputados e que o Livre/Tempo de Avançar e outros pequenos partidos tivessem ganho assento na Assembleia da República, como me faria gosto, eu ficaria mais tempo no jardim à beira-mar plantado.

Fui procurar a minha sorte lá fora, nesse país onde o meu amor de todos os tempos e todas as vidas passadas habita por acaso. Digo por acaso porque ela não é natural da Finlândia.

Essa sorte na vida é procurada também por muitos pobres coitados, os tão falados refugiados que demandaram este último estio em grande número esses ilusórios paraísos com os melhores sistemas de segurança social deste mundo. A Alemanha e os países nórdicos.

E eu fui crendo que os podia ajudar nessa Finlândia em que se encontravam encruzilhados e acolhidos em alguns centros de refugiados, improvisados pela Punaisen Ristin, a mui nobre Cruz Vermelha finlandesa.

E que podia trabalhar para esta meritória instituição, fazendo a ponte entre os seus funcionários finlandeses - pensava eu provavelmente pouco habituados a estes assados - e os grupos de refugiados das mais diversas origens mas maioritariamente sírios e iraquianos.

A paixão cegou-me um pouco e tornou-me naif. Falar inglês com uma boa fluência e ter (presumidamente) umas melhores aptidões de sociabilização com povos forasteiros não é significativo na Finlândia para se arranjar um emprego, mesmo temporário. Sem falar finlandês estamos fritos.

De modos que sou um cidadão rasca em Portugal e mais rasca ainda em Suomi/Finland. Não presto para nada aqui e menos ainda lá.

Num mês e pouco que esta aventura durou, andei a estourar o acesso que ainda tenho a ter dinheiro no bolso com o meu cartanito de crédito, a torto e a direito. Um dia ainda vou descer tão baixo na rasquice que passarei a ver o sol aos quadradinhos. Às tantas…

Mas, como se diz agora, safoda!!!.. Curti como se não houvesse amanhã. Como se pode observar nesta caríssima foto acima, em que revelo o meu rosto sacana num dos meus blogs.

E sobretudo ou ainda por cima tive a ocasião sublime de apreender tão bem na minha pele o que pode ser a união perfeita entre um homem e uma mulher.

Que mais pode desejar este cidadão rasca, auto-recambiado para este pântano após ter estado no céu?…

Agora, olhem, vou tratar de… Desenrascar-me. 

Alguém me quer dar uma mãozinha, já agora, que eu entretenho-vos com as minhas histórias? Saibam que tenho muito que contar, mais do que muita gente sempre alinhadinha, que leva a vida sempre certinha e direitinha…

A minha existência errante e errática dava um belo dum best-seller, penso eu de que.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

• Lahti

Lahti. The first city north of Helsinki where the region of the great lakes begins. The place the most far from my country I've ever been to.

I am living recently in Finland, to where I boldly came after the most demanding challenge in my life: to live under the same roof with the love of my entire lifetime, which happens to live here in this town but she's from Estonia.

I changed a diverse but chaotic landscape of my motherland to this monotonous but harmonic landscape between Lahti and Helsinki.

I like challenges. I left a place where I was born and felt comfortable, although not fitting in so much anymore, due to this global economic crisis that has shorten worldwide job positions in number. I don't know yet how and even if I will fit in here. But I'm trying. I think I can have something to bring to this country and to its people. If on their side they will be willing to find this along with me.

It could be a truly win-win situation we have here. 

It could. But it probably won’t be. Finns don’t seem to like that much foreigners in their lands, generally speaking. They seem always very reserved. They could for their own benefit be more open to the different visions migrants here bring to this society quite closed in itself.

t’s true that finns can easily be quite self-sufficient. They don’t seem to need anyone to show them how to live on some alternative way, diverse from what they get used to along several years of some cultural isolation.

And their language is an immense barrier they left built against the rest of the world. In so many places around this world people are used to see on the streets of major cities these letterings in the local language and in english, as well… Not here. And they don’t have so few tourists as one could suppose.

Finns sometimes seem not to believe on themselves to be able to socialize with other people. Not even with their nordic brothers. Or even with their linguistic neighbors, the estonians. Finns are kind of post-modern eskimos.

Will I ever be a good citizen here? Since I was not able to be so where I was born… Should I want it, even? Will I be “civilized” by force here? Will I let this happen?…

I am only sure of one unique fact: love has brought me here. Let’s see what will be the price I will have to pay with my soul.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

• ZEUS - o filme

Manuel Teixeira Gomes foi um dos nossos primeiros presidentes da novel República Portuguesa, entre 1923 e 1925. Algarvio natural do barlavento, da mui nobre cidade de Portimão, onde dá o nome a uma praça e a uma casa-museu, sob a alçada da Câmara Municipal.

Foi porventura o mais romântico dos nossos vários presidentes. De sempre e não só da chamada primeira República.

São dele estas esclarecidas palavras:

"A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por 
exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório.
Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, 
as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade, 
porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, 
às minhas cadeiras e aos meus livros."

Renunciou ao seu cargo de Presidente da República Portuguesa e de imediato e voluntariamente auto-exila-se no norte de África, fixando-se em 1931 em Bougie, na Argélia, que ele considerava, curiosamente, como que "uma Sintra à beira-mar”.

Para o seu exílio ser concretizado o mais rápido possível, à falta de melhor opção, determinou-se a partir num modesto cargueiro* de bandeira holandesa e de seu nome “ZEUS”. Porque não havia outro transporte marítimo de navio de cruzeiro que lhe fosse satisfatória a espera pelo embarque.

Há quem o compare a Corto Maltese, personagem bem conhecido da banda desenhada, da autoria de Hugo Pratt… O que me desperta ainda mais a curiosidade sobre este singular antigo presidente português. Que foi sobretudo um homem de letras. E sempre um homem simples, com uma simpatia e charme natural.

Dito isto sobre o algarvio Manuel Teixeira Gomes, vou abster-me de fazer quaisquer comparações deste com outros. Que até seria deselegante da minha parte bater em ceguinhos e desprestigiante para este nosso vate-presidente. 

Só acrescentarei sobre o nosso homem que preferia as letras que escreveu, entre outras obras, “Novelas Eróticas” e “Cartas Sem Moral Nenhuma”. O que dirá algo sobre o seu carácter humanista.

Está neste momento ainda em fase de rodagem um filme** que pretende retratar os tempos conturbados da adolescente República Portuguesa que levaram ao desencanto de Manuel Teixeira Gomes pela coisa pública. Aqui em baixo podemos ver um exemplo do que será o cartaz deste filme, quando vier a estar em exibição em sala.

Filme este no qual eu participei no passado sábado, vestindo a pele dum oficial superior do exército português. Que fazia parte da audiência de uma sessão solene da Academia Militar onde Cunha Leal instigava com um seu discurso à sublevação contra o então vigente presidente Manuel Teixeira Gomes.

Eu fui, com muito orgulho, um dos oficiais do exército que discordavam dessa sublevação aventureirista, inspirada no pensamento político dos emergentes fascismos europeus de Benito Mussolini e Primo de Rivera.

Este acabou por não ser, afinal, o meu primeiro filme, como eu previ num post de outro dos meus blogs. Todavia, estou muito mais ansioso por ver o resultado final desta minha última sessão de filmagens, ou seja, o filme depois da sua montagem final. Embora saiba que fiz apenas um pequeníssimo papel, creio todavia que, modéstia á parte, com um "boneco" do caraças!…
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Nota: A quem aprouver, poderão ler uma biografia não-oficial - talvez a mais genuína… - de Manuel Teixeira Gomes clicando aqui, e a dita oficial na página oficial da Presidência da República Portuguesa, clicando aqui. A Wikipédia ainda tem uma outra versão diferente das duas primeiras.

* Já consultei e ouvi várias versões desta história. Uns dizem que era um paquete grego, outros que não, que era holandês… Fico-me pela versão do realizador deste filme, que me afiançou que se tratava dum cargueiro e não dum navio de passageiros. E do país das tulipas. O biógrafo da página oficial da Presidência da República Portuguesa talvez tenha sido crente que um simples cargueiro era “indigno” para a figura dum ex-Presidente…

** Produção em desenvolvimento da Happygénio, realizada por Paulo Filipe Monteiro.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

• A voz dos muros - XIV

Ontem, num pequeno mas bravo país* europeu celebrou-se o dia da chamada “Singing Revolution”.

Eu que sempre pensei que a revolução mais hippie que alguma vez houve neste mundo dos humanos era a do meu país… 

Desperto agora, devido a uma recente paixão que me arrebata o sono, que outro povo valente há que também teve a sua revolução não-violenta e extraordinária.

Os filhos das revoluções também se apaixonam. Não sujam os muros apenas com duras palavras de ordem. Contra aquelas forças que nos dominam. Não.

Também têm corações que pulsam. Também têm olhos para a beleza deste mundo. Que fica mais belo com a existência nele de certos seres. E aqui está a prova disso, com a foto acima a mostrá-lo.
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* Que se vai tornar também meu, um dia, quiçá…

sábado, 15 de agosto de 2015

• Desmascarar é preciso

O autor deste blog não é um militante do Bloco de Esquerda. Não é mas até poderia bem ser. É, antes do mais e sobretudo, simplesmente mais uma voz pela verdade e contra a hipocrisia. 

Ok, eu sei bem, isto pode soar a lugar comum… Mas na política à portuguesa esta é uma atitude que é forçoso manter sempre desperta. E na guerra dos cartazes, que está a começar por estes tempos, os do BE - de que vemos um exemplo acima - foram até agora os mais inteligentes, francos e honestos.

E tal como as pessoas reais que dão o seu nome nestes cartazes, eu também gostava de dar o meu testemunho de como tenho vindo a atravessar estes anos de chumbo. 

De como tive o apoio social que me seria devido, pelos anos em que andei a contribuir para este, a ser cortado "à cão”! Numa altura em que nos media se relatava esse “esforço” estatal a incidir sobre um grande número de outros cidadãos, que como eu estavam nessa situação económica e profissional precárias. A de depender de um subsídio de desemprego.

Houve, creio eu, uma intenção deliberada da parte deste (infelizmente) ainda actual governo português de “manter os cofres sempre cheios”, à custa do fechar da torneira a esses madraços desses malditos desempregados, que só lixam as estatísticas!…

Também gostaria de relatar como me tenho vindo a tornar um pária nesta sociedade lusa, à custa daquilo a que passei a chamar de bullying fiscal. E de como já pensei justamente em pedir estatuto de refugiado económico - não apenas político - noutro país qualquer, no qual os cidadãos e as suas vidas - e até as obras feitas em prol de um bem-comum e não de um lucro próprio ou alheio - tenham mais valor do que os números macro-económicos