sexta-feira, 10 de abril de 2015

• A vida como uma farsa

Esta vida é mesmo uma absoluta farsa pegada! Anteontem, durante uns breves minutos, fui um dos ilustres membros dum conselho de administração duma grande empresa de construção civil a operar nesse eldorado que é Angola… Por uns escassos momentos apenas. Entre as vozes de “acção” e “corta”. Em dois ou três takes.

E porque tive esta oportunidade de estar na pele dum alto quadro administrativo?… Porque estou desempregado.

Se na vida real tivesse um emprego, talvez não pudesse na ficção representar um CEO.

Mas enfim, se não tenho um emprego estável, se sou um merdas de um desocupado, se não tenho valor para ser reintegrado no mercado de trabalho… Ao menos fiquei a saber que terei o perfil adequado no mundo empresarial para ser um funcionário de topo de hierarquia. No que à imagem estereotipada diz respeito.

Mais vale ser rei por um dia do que plebeu toda a vida, dir-me-ão… Nem que seja de faz-de-conta. E eu retribuo que não. Nem mesmo assim. Não neste meu caso.

Até na ficção ando com uma malapata daquelas. Então não é que a “minha” empresa vai sofrer um baita cambalacho e vai direitinha para a bancarrota?… Isto é que se pode chamar com toda a prioridade “ter galo”, caramba!…

Este papel que tive de desempenhar, numa reunião de conselho de administração altamente tumultuosa, fi-lo mesmo ao lado dum actor relativamente bem rodado e apessoado, o Paulo Pires. A minha fraca figura deixava-o assim brilhar mais, pelo contraste evidente… Talvez por isso fui escolhido para o papel.

Contracenei ainda com um outro monstro sagrado das telenovelas da TVI, o José Wallenstein. Com um puto novo nestas andanças, quanto a mim, um tal de Graciano Dias. E ainda com um gajo que me fazia lembrar o Rui Sinel de Cordes em versão anafadinho, do qual não descobri qual a graça sua.

Esta reunião era para decorrer com um ambiente de cortar à faca. E havia montes de papelada, toda espalhada ao centro da mesa. Para entrar com eficácia na minha personagem, pus-me a pensar que as ditas resmas de folhitas A4 timbradas eram como que as cartinhas de amor que a AT, a querida Autoridade Tributária, me envia na dura vida real, com regularidade e fé religiosa de que eu lhes ligo pevide.

Isto foi na quinta telenovela a que já emprestei as minhas fuças. “A Única Mulher”, uma produção luso-angolana*. Nos estúdios da Plural perto de Bucelas, Loures. O nosso Projaczinho luso.

Com esta minha característica sorte prevejo que o meu próximo papel vai ser assim: como costumo dizer que sou actualmente um desapaixonado do emprego e um desempregado da paixão… E à semelhança desta última jovial experiência… Vou representar um sultão turco com um harém inteiro a sofrer de terríveis enxaquecas e com a minha mão direita engessada.
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* Olhem, se vos aprouver, ó leitores jeitosos, façam “Like” na bela página do feicebuque desta novela, clicando aqui.

E nos posts da minha cronologia também, já agora… E nos dos meus três blogs, onde abordei as anteriores participações minhas em outras novelas. Por favor, contribuam para a sustentabilidade da minha actual existência neste planeta. Nem que seja apenas com efeitos na minha existência virtual. Se acharem que eu terei alguma graça. Se eu não for como aquele palhaço que foi pedir um aumento ao dono do circo. Obrigadinha.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

• Uma pub fofinha

Há uns largos dias, estava eu deambulando pelas ruas da minha cidade de Odivelas e eis senão quando deparei com este MUPI, aqui mostrado ao lado.

Tendo já vivido uma carreira profissional na indústria do advertising e presumidamente possuindo um sentido crítico educado no seio do ambiente criativo da dita “agência de publicidade mais criativa do mundo”, a Saatchi & Saatchi, no seu há muito extinto bureau local de Lisboa, blá, blá, blá, Whiskas jaquetas, etc, etc… Tenho a dizer o seguinte: raras vezes me foi dado ver uma campanha publicitária na área social tão bem bolada. 

Tão singela e genial a sua criatividade. Tão simples e directa, tão bem straight to the point. Com layouts tão perfeitos e elegantes. Tão surpreendente e a priori supostamente eficaz na mensagem a emitir. Terrificamente eficaz, direi mesmo eu! A julgar pelo impacto inicial que me causou, assim de chofre.

E depois, ainda por cima, com um daqueles castings extremamente bem conseguido!… As três raparigas que posam nesta foto de grupo são todas elas umas fofinhas. Lindíssimas, assim em trio. 

A bela da punchlineEla é lésbica e estamos bem com isso.” então é maravilhosamente simples! E não nos diz quem é das três meninas que será aquela que tem uma sexualidade dita alternativa. Pode-se presumir que será a do meio. Mas pouco importa.

Porque justamente todas elas vivem bem com o que se nos afigura assim como um facto absolutamente inquestionável. E em que até somos levados  a crer como seria possível ser diferente. De tudo tão normal nos parecer. Como nunca devia deixar de ser visto assim mesmo. Nunca. Jamais.

Eu nunca tive, que eu saiba, uma amiga que se dissesse, de uma forma franca, ser lésbica ou bissexual. E tenho pena. Porque estou convicto que poderia ter com alguém que tivesse essa orientação sexual uma troca extremamente enriquecedora para ambas as partes. Uma sublime oportunidade duma win-win situation.

E nem quero saber se dizer isto pode parecer patético, vindo de um canastrão. A porra é que… Bolas, não há mesmo maneira de eu me sentir um canastrão! Não com a cuca que eu tenho, ainda ou apesar das minhas quase cinco décadas e meia. 

Esta campanha publicitária é da responsabilidade da rede ex-aequo. Parabéns a esta organização. A julgar por esta iniciativa, a sua missão será atingida com bastante sucesso.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

• Suis-je Charlie?...

"The moment you limit free speech it's no longer free speech"
 - Salman Rushdie

Finalmente, alguém disse tudo! E de uma forma clara como água.

Rushdie proclamou estas palavras hoje*, mais de uma semana depois da acção infeliz e estúpida de três ou quatro doidos** extremistas islâmicos que ceifou várias vidas cobardemente na redacção da revista satírica-humorística parisiense Charlie Hebdo… E as vozes a criticarem a postura de vida dos colaboradores desta revista que foram assassinados continuam a zumbir de uma forma ensurdecedora.

Para sintetizar o tom geral dessas críticas, pouco iluminadas a meu ver, vou citar o que disse no facebook um cidadão brasileiro, que presumo ser um bom católico: 

“Brincar com a fé das pessoas é piada de mal gosto. Todo mundo sabe que o Islã possui grupos radicais que estão dispostos a matar em nome de Alá. Os cartunistas foram avisados. É sempre lamentável falar da morte de alguém, mas foi uma morte anunciada. Sinto muito pelos inocentes, mas não se pode brincar com a fé das pessoas e achar que não haverá consequências.”

Quanto a mim, é absurdo o que se diz neste comentário. É evidente e bem sabido que nunca ninguém achou no Charlie Hebdo que não havia consequências. Todos eles nesta revista sofriam e os que restam vivos continuam a sofrer consequências dos seus actos. Porque eles viviam e vivem com um medo permanente. 

Medo dos muçulmanos, dos cristãos, dos judeus, dos políticos e de todos a quem eles incomodavam ou obrigavam as consciências a questionar-se. E sobretudo, claro, dos extremistas e obscurantistas de todas as cores e religiões. 

Estes humoristas não eram ingénuos, como os que os criticam querem supor. E para falarmos apenas de ameaças veladas em telefonemas anónimos, devem ter havido aos milhares por dia, ao longo de toda a existência do Charlie Hebdo. Mas esse medo não lhes terá feito dobrar a espinha dorsal.

Custou a vida a alguns deles mas morreram sem prostituírem os seus ideais face a quem eles criticavam. E já agora, temos de convir que o extremismo islâmico - ou o de toda outra qualquer fé religiosa - tem de ser criticado. E denunciado. Não pode ser uma coisa intocável. Senão alastra. Por causa dos dois infinitamente grandes de Einstein. 

Eu não seria capaz de ser tão mordaz quanto os cartoonistas do Charlie. E mesmo rasca como sou, também posso muito bem questionar o bom ou mau gosto das suas charges. Mas isso é o meu conceito pessoal de bom gosto. E cada um tem o seu. Mas isso não está nada em causa nesta querela pública.

O que essencialmente está em causa é que os nossos conceitos pessoais de bom gosto não devem ser os limites a impôr à liberdade de expressão! Primeiro, porque cada um tem os seus. E será difícil haver consensos universais acerca disso. Segundo, porque é perigoso sequer pensar em definir limites à liberdade de expressão! Não se sabe onde se vai parar com isso.

Eu não sou capaz de ser Charlie porque não iria tão longe quanto esta revista foi e vai continuar a ir com as suas farpas. E ainda menos teria a coragem destes cartoonistas. Aqueles que morreram vão fazer falta a este mundo. E por causa dessa falta que eles farão é que, por outro lado, je suis Charlie.

Outro cidadão brasileiro retorquiu a esta minha tomada de posição com isto, a seguir:

“Eles não brincaram apenas com as religiões, eles brincaram com suas vidas e com as vidas das pessoas que não tinham nada com o assunto. Muita gente morreu e pelas reações, muita gente ainda vai morrer. Valeu a pena????”

E eu concordei com este outro cidadão. Ele tem razão. Muita gente ainda vai morrer até que o obscurantismo tenha um fim, se alguém vez tiver. Se vale a pena estas mortes? Eu estou aqui pensando que nem a morte de Cristo na cruz deve ter valido a pena. 

A humanidade ainda não se emendou e nem foi salva como Jesus, o nosso salvador, aquele que por nós morreu queria. Afinal, continuamos nos destruindo uns aos outros.

E os caras do Charlie Hebdo não brincavam mas antes alertavam com sua sátira para essa insana auto-destruição e para a irracionalidade dos fanatismos religiosos. E não só mas também de algumas políticas hoje seguidas na sua França, na União Europeia e no mundo ocidental, dito civilizado. E para rematar este assunto, vou citar mais uma vez uma mente brilhante, tal como tão bem comecei. 

"Love is wise; hatred is foolish. In this world, which is getting more and more closely interconnected, we have to learn to tolerate each other, we have to learn to put up with the fact that some people say things that we don't like. We can only live together in that way. But if we are to live together, and not die together, we must learn a kind of charity and a kind of tolerance, which is absolutely vital to the continuation of human life on this planet.”
 - Bertrand Russell

Isto traduzido para um cartoon charliehebdomaníano, dá na capa que está ali um pouco acima…
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* Para ver um video com um excerto duma conferência em que Rushdie proclamou as palavras no topo deste post, clicar aqui.

** Digo doidos, porque antes de extremistas, estes tipos que executaram esta acção de represália contra o Charlie Hebdo são simplesmente uns insanos a quem o fascínio de deter uma arma de fogo e o poder de argumentação que esta lhes confere subiu à cabeça. Como acontece de uma maneira geral aos pobres de espírito.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

• ¿#@%=&)!*?…

Inda no princípio deste mês estava no bem bom, a gozar até dizer chega do belo do sol algarvio… E agora que voltei para Olissipo, em boa verdade vos digo, ó leitores deste blog…

Que merda de vida que as pessoas aqui 
na capital levam, senhores!!!…  :-(

Não se tem noção disso a não ser quando nos ausentamos daqui por um longo período. Porque infelizmente andamos todos a dormir, os que vivemos na região da grande Lisboa. E habituámo-nos a este estéril rame-rame.

Então a passear ao domingo á tardinha por um qualquer desses centros comerciais mais grandinhos e popularuchos de Lisboa ou sobretudo dos arrabaldes - situação a que me vi forçado para servir de companhia à minha filhota - é que a realidade me bateu uma vez mais de frente, se preciso fosse até. Tanta gente com vidinhas tão vazias…

Vidas que talvez tenha sido, digo eu, a situação política, económica e social do nosso país - e do actual mundo globalizado - que reduziu a uma expressão minimalista de felicidade q.b.. Reflectida nos rostos dos transeuntes da rua, desta rua esmorecida e de todas as ruas da cidade grande. Que vive e pulsa para gerar riqueza e mais riqueza, sem parança. E não para essa tal coisa da felicidade. 

Mas com isto tudo, eu cá não me posso mesmo queixar da minha própria vidinha. Nadica de nada… Eu sei que isto é uma atitude assaz redutora e egoísta, mas bom... por hoje - só por hoje, mesmo - quero lá bem saber.

sábado, 18 de outubro de 2014

• Anestesiado

É como me sinto. Anestesiado. Alheado da realidade. Da mais ou menos absurda conjuntura socio-económica e política que a todos nos condiciona.

E porquê?… Porque estou num retiro - podemos afirmar que espiritual - no Algarve. Na fronteira entre a agora nesta época pacata vila de Armação de Pêra e a mui aprazível freguesia de Porches. Alojado numa unidade hoteleira que se gaba de ser a melhor do pedaço. Não é difícil tal façanha…

Tecnicamente, pode-se chamar ao que eu faço quotidianamente trabalho. Afinal, estou a vender várias horas do meu dia ao serviço deste boutique hotel. E sou pago por esse facto.

Mas quereis saber o que eu faço, na verdade?… Brinco. Todo o santo dia. É isso. Brinco.

Brinco com seres humanos de todas as idades. Desde um aninho de idade até pacatos anciãos. Vá lá, também tenho de olhar pelos mais pequenitos. Tenho de ser um paizinho para estes. E com os adultos tenho de ser um companheiro para jogos e passeios. Enfim, passo os dias a ser um gajo porreiro para a malta toda.

E a malta toda a que me refiro são, claro, os hóspedes do hotel. Um grupo aleatório de pessoas das mais diversas nações europeias emissoras de hordas de turistas. Predominantemente britânicos, é certo. Mas também alemães, franceses, russos, belgas, polacos e etc..

Unidos num estado de espírito comum à quase unanimidade deles: não lhes apetece fazer a ponta dum corno. Apenas gozar os dias prazeirosos de fim de época alta, que muitas vezes é este Algarve a melhor região de Portugal continental a poder proporcionar-lhes tal glorioso desiderato.

Não estou a comungar com eles no dolce far niente porque não posso. Afinal, era o que mais faltava se eu ainda fosse pago para me deitar o dia inteiro numa espreguiçadeira á beira duma piscina!… Tenho de me mexer uma beka. Mas não custa absolutamente nada aquilo que faço. Acho mesmo que descobri o melhor emprego do mundo. E que eu poderei transformar em melhor ainda. Existe aqui uma margem de progressão bem catita.

E imerso neste ambiente social, e gozando este belo deste solzinho sulista, e olhando esta marzão tão azul, escuto por vezes ecos longínquos vindos da caixa que mudou o mundo. Que me lembram que ainda existem chatices tipo o Novo Banco, cheias na Baixa, broncas sobre colocações de profs nas escolas, as próprias escolas e a reforma do IRS. E pessoas que se atarefam com essas merdas na capital. Pobres coitados!… 

Quer-me parecer que o segredo da felicidade é cagar lá de bem alto em cima dessas porcarias todas. Como fazem por cá as filhas da mãe das gaivotas aos lisboetas stressadinhos como moi, quando as deixamos um tudo-nada marafadas com as nossas manias.

Deviam era de virem-se embora todos para o sul, ó alfacinhas! Que eu já fiz um intervalo para ir até Olissipo e não descansei enquanto não rumei de volta para aqui. Mas isso sou eu, que posso gabar-me de ser um cidadão livre. Rasca, sim, mas livre como o vento. E cada vez mais me sinto livre da pulhice daqueles que dizem que têm de ter um tal de sentido de estado.
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Nota: a foto deste post mostra a magnífica capelinha da Senhora da Rocha. Descubram onde é e venham p'ra cá, que decerto não se irão arrepender, ó leitores. Asseguro-vos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

• O próximo Dono Disto Tudo

Havia p’rái um bastas vezes citado mamborreiro - já não tenho bem a certeza de quem se tratava o dito cujo - que clamava que desde que tinha visto um porco a andar de bicicleta já acreditava em tudo.

Eu é mais desde que vi um banco com 150 anos de história cair em 15 dias.

Que toda a gente antes da sua queda estrondosa afiançava que era um banco sólido. Inclusivé houve um certo presidente da república a fazer esse frete aos accionistas dessa desditosa instituição financeira.

Ficou o lugar de DDT, Dono Disto Tudo vago. E não se vê no horizonte outra entidade que venha assumir essa laboriosa função na nossa sociedade à beira-mar prantada, a tomar os seus banhos de sol bem merecidos no passado mês de Agosto. Altura em esta farsa toda do banco bom e do banco mau estoirou.

E sendo assim, está-me a apetecer chegar-me à frente. Não bem eu mesmo mas o meu recente alter ego neste mês de Setembro glorioso.

Ficam a conhecer, pessoas, o rei Nep, um vosso criado. Um rapaz jeitoso e deslumbrante na foto sua aqui acima reproduzida. Que já fez mais pela popularidade da monarquia junto dos "seus" jovens - muito jovens mesmo; alguns ainda mal começaram a dar os primeiros passos... - súbditos britânicos de férias no Algarve do que o príncipe Charles, filho of His Majesty, the Queen!...

O futuro são as crianças, dizem-nos sempre por aí, a torto e a direito. And since the kids seem to love me pretty much… So…

E ademais, serei sempre verdadeiro. Eu cá sou totalmente WYSIWYG, What you see is what you get. Um real clown do princípio ao fim. E não apenas no fim, quando chegar a vez da minha queda também.