sexta-feira, 16 de maio de 2014

• Clean up your own mess, gentlemen…

Dizem que a troika vai-se embora amanhã. Dizem!…

Dizem que Portugal vai poder obter o guito novamente naquilo a que chamam prái como os ditos mercados. Mercados que para mim, que nada percebo de economia e nem quero, são ainda umas entidades abstractas. E terroristas. Tal como a afamada Al-Qaeda. Que é mais uma coisa que os media, prestando um serviço a sabe-se lá quem, fizeram nascer na nossa imaginação colectiva. E lá se enraizou esse papão, sem que o possamos sentir como uma realidade que tenha uma face que reconheçamos.

Aprendemos nestes últimos tempos que essa porra dos mercados podem lixar a vida a povos e nações inteiras. Impunemente. E tudo para satisfazer a ganância de uns poucos (?...) grandes agiotas e especuladores internacionais.

Um personagem da cena política portuguesa, que eu não aprecio particularmente, disse um dia uma coisa muito sagaz. E de que eu até me admirei de vir daquela procedência…

Falo da Miss SWOP’s, como é carinhosamente denominada a nossa ministra das finanças. E o que esta distinta senhora disse foi que… De futuro deveriam ser criados mecanismos que blindassem o cidadão comum das consequências das trafulhices com que a alta finança mundial se andasse a entreter. Por outras palavras, se eles fizessem merda, eles que a limpassem todinha depois. E não os outros, todos nós, anónimos e pacatos cidadãos. A quem nos quiseram colar um sentimento de culpa de sermos caloteiros, madraços e de vivermos acima das nossas possibilidades.

Oxalá que sim! Oxalá que os nossos políticos portugueses e europeus voltem a pensar mais no povo que os elege e menos nos donos do dinheiro que lhes puxam os cordelinhos. Isto é, se os(as) meninos(as) tiverem tomates para tanto… O que me parece utópico.

Bom, ás vezes não é preciso só tomates. Requere-se que tenham também lampejos de uma rara inteligência, como a que Maria Luís Albuquerque - o nome real da figura atrás citada - teve. E uma consciência. Coisas que são ambas muito caras. Sem preço algum.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

• O Preço Certo, segundo JPG

Em 2005 José Pedro Gomes estreou um espectáculo teatral a que chamou “Coçar onde é preciso”. Eram uma série de monólogos sobre assuntos candentes e dúvidas existenciais detidas por este actor, que deveras admiro.

E tanto o faço que resolvi citar neste post que lhe dedico um excerto do seu livro “O País dos Jeitosos”. Em que fez uma resenha dos textos originados nas dissertações brilhantes produzidas no palco a solo.

Vamos a ver o que se ofereceu a José Pedro Gomes dizer sobre o preço certo de tudo na vida. Tão actual que achei esta sua análise… Passo a citá-lo (com alguns comentários meus mesclados pelo meio, em itálico, para se distinguirem do texto que não é da minha autoria):

O Preço Certo

Tenho a grande felicidade de não ser obrigado a ver televisão todos os dias e a todas as horas.
(Como eu te compreendo, Zézé… Como eu te compreendo.)

E eu percebo que há pessoas que são obrigadas a ver televisão: pessoas que vivem sozinhas e que vivem mal com isso; casais que já disseram tudo um ao outro, ou nunca tiveram nada a dizer um ao outro; pessoas que precisam de ver alguma coisa para adormecer; doentes no hospital; e... não imagino outras razões para alguém ver televisão. Pelo menos com a programação que nos atiram à cara.
(É… também não consigo imaginar outras razões. Melhor do que estar a ver a SIC generalista, só para dar um exemplo, era estar a deleitar-se com a leitura deste blog.)

Eu tenho a grande felicidade de estar a trabalhar nas horas em que os directores de programas nos brindam com o que eles acham que nós gostamos e é supostamente «nobre», como o horário. Mas tenho pena de não conseguir ver o Preço Certo, porque gostava de ficar a saber o preço certo de uma série de coisas.

Porque é bom vivermos com a noção correcta do verdadeiro custo das coisas. Sabermos o que a vida custa.

Por exemplo, eu tenho curiosidade de saber quando custa a um empreendedor imobiliário esperar 10 anos com um terreno de área protegida até poder construir que nem um javardo? Quanto recebe um partido em campanha para dar um grande negócio a uma empresa e não a outra, depois de estar no poder? Quanto custa a um grupo de tubarões fazer desaparecer o computador das finanças onde os seus negócios estão registados? Quanto custa mandar dar uma carga de porrada a um tipo que denuncia negociatas nos laboratórios farmacêuticos?
(O outro acho que diz que pagou ao outro com um caixote de robalos… O que complica ainda mais as coisas. Pois já não temos aqui apenas pagamentos em numerário.)

Não tem curiosidade de saber o preço certo destas coisas? Desculpem estar a inquietar-vos com estas coisas mas pensem só que há pessoas que neste preciso momento têm esse tipo de preocupações, até porque se trata da vida delas.
(Da vidinha, queres tu dizer, Zézé!… E que tantas vidinhas que há por aí... E a ampararem-se umas ás outras.)

E repare que não estou a pôr questões mais difíceis de contabilizar. Por exemplo: quanto custa a um polícia libertar um criminoso só porque o processo prescreveu ou desapareceu ou foi mandado arquivar? Quanto nos custa a todos um gestor público incompetente? Quanto custa uma ponte a cair, com mortos e tudo? Quanto custa adiar a construção duma nova travessia do Tejo em gasolina, tempo e irritação? Destas coisas é que eu gostava de saber o preço certo.
(És tu a querer saber e tantos a querer que não se saiba nem que sequer se reflicta sobre isso… Gostamos de remar contra a corrente, hein?… Ou de ser o grão de areia na engrenagem.)

Isto eu sei: uma fotocópia na Procuradoria-Geral da República aqui há uns tempos ficava por 60 mil contos, por exemplo. Sabia? Não sabia. Está tudo tão caro, não é? Mas se regatear bem a coisa pode ficar por 20 mil. Isto, claro, se as fotocópias tiverem um processo-crime em investigação.
(E aquela história duma simples pen drive vulgar de Lineu, de 1GB, arrematada sem concurso público pelos serviços da reitoria da Universidade de Coimbra pelo preço de €12.000?…)

Mas, felizmente, tenho o grande privilégio de conseguir ver de vez em quando o CSI. Uns polícias fantásticos que, numa hora, descobrem casos complicadíssimos. E, se formos a ver, só com uma lanterna por polícia, 2 ou 3 balas, 4 cotonetes, uma tinta azul milagrosa e o ADN do maralhal. É uma limpeza.
(Pois, tudo isso é muito bonito, mas o CSI não mostra o a posteriori. O que o sistema judicial faz com os gajos que os polícias apanham. Aqui em Portugal, com a nossa justiça, se cá houvesse uma corporação policial como um CSI, era como uma nogueira nobre e prolífera ser propriedade de um velho desdentado. Um desperdício total!…)

Fim de citação e dos comentários avulsos. Não se esqueçam de ler “O País dos Jeitosos”, caros concidadãos. Que eu não posso passar a citar esta obra filosófica na íntegra aqui, não é?...

sábado, 12 de abril de 2014

• Anedotário Rasca - III

Andando a vasculhar nos meus arquivos digitais, em busca de lenha para alimentar esta novel rubrica, Anedotário Rasca, deste blog cuja manutenção está a ser deveras negligenciada pelo seu autor, eu… Descobri esta velha anedota corporativista, a que se vai seguir a respectiva narração neste presente post.

Eu segui uma vocação que me fez cursar engenharia, onde me formei vai para quase 30 anos. E ainda bem. Detestaria que a minha vocação fosse alguma vez economia!… 

Os engenheiros devem na sua maioria ser cidadãos com valores de esquerda. Enquanto os economistas serão à direita. Os engenheiros são criativos. Os economistas são copistas, e mal!…

Antes, isto aqui na Tugalândia era governado por engenheiros e as coisas não corriam assim tão mal. Comparando com o que os cabrões dos economistas nos fazem passar agora! E por isso, aqui vai a minha vingançazinha. Vamos lá à tal anedota… 

ENGENHEIROS vs. ECONOMISTAS

Numa estação da CP estavam três engenheiros e três economistas à espera de apanhar um comboio para ir a uma treta dum congresso. Os três economistas vão até ao guichet e compram três bilhetes. A seguir vão os três engenheiros e só compram um bilhete. Os economistas ficam espantados e perguntam: 

- Como é que vocês são três e só compram um bilhete?… Não têm hipótese de fazer a viagem e passar o mesmo bilhete para os três!

- Não se preocupem, vocês já vão ver - respondem os engenheiros. 

Mal entram no comboio, os três engenheiros dirigem-se à casa de banho e apertam-se lá dentro o melhor possível de maneira a fechar a porta. Quando vem o revisor, pica os bilhetes dos economistas, vê a luz da casa de banho acesa, bate à porta e diz: 

- Bilhete, por favor!

A porta abre-se só uma frestazinha, através da qual sai uma mão com o bilhete. O revisor pica-o, agradece e segue. Os economistas acham a ideia fantástica. 

- Temos que fazer esta cena no regresso. Aqueles filhos da mãe dos engenheiros são uns génios!…

No dia do regresso os três economistas compram apenas um bilhete enquanto os engenheiros não compram nenhum! 

- Como é que vocês vão viajar sem bilhete??? É impossível!!!…

- Vocês vão ver. Está tudo sob controle - retorquem os engenheiros. 

Quando entram no comboio, os economistas trataram de imitar os malandros dos engenheiros, espremem-se todos para dentro de uma casa de banho, não sem algum desconforto, e fecham a portinha.
Os engenheiros fazem o mesmo na casa de banho em frente. Passado nem um minuto, sai um dos engenheiros da sua casa de banho, bate à porta da casa de banho dos pobres economistas e diz:

- Bilhete, por favor... 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

• A voz dos muros - X

…for dreamers, for idealists, for those who dare to think differently from the flock. For foolish people like me. For those who are getting a sense of not belonging to this ruling and overwhelming mediocrity.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

• O Rendimento Básico Incondicional

Há uma coisa que hoje em dia me choca profundamente...

Em Portugal tem existido um inexplicável silêncio sepulcral sobre a próxima grande revolução mundial, que se aproxima a passos largos. O que eu acho muito estranho. Para não desconfiar de algo que me cheira assaz a podre, mesmo…

Essa revolução social que aí vem - de uma forma fatal, direi eu... - visa, antes de tudo mais, um objectivo mui nobre e altivo: a erradicação da pobreza. É uma coisa boa.

E no entanto os media andam a distrair-nos com uma data de outras histórias! E os actores da cena política, social e económica só desejam é estar entretidos com miudezas… E eu cá com os meus botões pergunto-me: PORQUÊ???…

Os políticos, em particular, presumo que estarão a enveredar por um colectivo e cínico sentido de oportunidade. A esperar por um acto eleitoral mais importante. A eleição de um novo parlamento português. De um novo governo. Uns e outros não devem querer por enquanto brandir essa bandeira. Para não dar trunfos aos adversários.

Existiu até ao passado dia 14 de Janeiro de 2014 uma Iniciativa de Cidadania Europeia para o Rendimento Básico Incondicional, para levar a se discutir publicamente esta proposta do RBI no Parlamento Europeu. Por petição pública. Que falhou. Não foram recolhidas as assinaturas em número suficiente para aquele conjunto de bundas moles de eurodeputados se começarem sequer a mexer… Que chatice!...

O RBI parece uma ideia peregrina. Um pensamento bem out-of-the-box. Mas não é uma utopia dos dias de chumbo de hoje. Não. Já no séc XVI Thomas More a formulou.

E já existem conceitos similares ao RBI postos em prática no mundo de hoje. E não só em países onde a pobreza é uma enorme chaga social. Por exemplo, cidadãos canadianos de algumas regiões já usufruem de uma espécie de RBI.

E na Europa?… Enquanto o Parlamento e a Comissão Europeia continuarem a dormir na forma, a Suíça, esse país do terceiro mundo, vai votar este ano o seu modelo de RBI por referendo nacional de braço no ar, típico daquela belíssima e peculiar democracia daqueles malucos dos helvéticos. In your face, you lazy eurocrats!… Mai’nada!

Esta recente crise económica global, que foi a maior bosta que os donos da economia mundial podiam ter evitado, se não fossem umas arvéolas gananciosas, gerou toda uma enorme população de novos pobres. Agora nós, os outros, temos de nos unir afim de limpar esta gigantesca cagada. 

E não há melhor solução do que o RBI. Melhor e para todos. Até para os que afundaram o mundo na fossa. It’s a win-win situation.

Vamos poder respirar todos muito melhor. Mas era preciso debutar, no mínimo, com uns simbólicos primeiros passos, Coelho…

domingo, 5 de janeiro de 2014

• Anedotário Rasca - II

Dois casais jogam às cartas na casa de um deles. A certa altura o João deixa cair uma carta e quando a vai apanhar debaixo da mesa repara que a Joana, a mulher do colega Pedro, não usava cuequinhas e as suas pernas abriram-se com a sua chegada.

Nessa mesma noite, e durante um minuto em que a Joana e o João ficaram sozinhos, a Joana perguntou se ele tinha gostado do que viu debaixo da mesa. Ele "que tinha gostado muito" e então ela disse-lhe que uma vez que no dia seguinte o marido trabalhava até tarde ele podia passar pela sua casa e brincar com aquilo de que tinha gostado.

- "Com uma condição…” - diz ela - “Por ser para ti, terás de me pagar uns belos duns quinhentos euros!"

E no dia seguinte o João e a mulher do colega divertiram-se à grande tendo o João cumprido a ordem, deixando os quinhentos euros em cima da mesinha de cabeceira.

Nessa mesma noite, enquanto jantavam, o Pedro perguntou à mulher se o João tinha passado lá por casa.

Aflita, a Joana disse: 

- "Sim, passou por cá, mas só se demorou um ou dois minutos.”

E o Pedro informou-a que…

- "É que hoje, quando ele saiu do emprego, achei o João um bocado estranho... Vê lá tu que pediu-me quinhentos euros mas também me disse logo que os deixava aqui em casa hoje ainda ao fim da tarde.”

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

• A voz dos muros - IX

No meu silêncio cabiam muitos. Mas vão cabendo cada vez em menor número e em intensidade. Sinto-me cada vez mais o homem mais livre deste mundo. E quiçá, também por isso mesmo, o melhor…