quinta-feira, 13 de setembro de 2012

• Sem palavras…

E tantas vezes ando eu a autoflagelar-me e a crer que sou rasca!… 

A imagem deste post é um anúncio da Penthouse lusa, publicado na última edição desta revista de carácter cultural. Só mesmo cá é que a mensagem subliminar passaria… 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

• Capitalismo e Comunismo

Esta era a dualidade em que na segunda metade do século passado, após o último conflito mundial "quente", o mundo pareceu dividir-se.

Uma dualidade competitiva que impulsionou a corrida ao espaço dos seres humanos. Que os fez chegar à Lua.

Mas também uma bipolaridade ideológica que causou a proliferação de arsenais nucleares com o potencial para destruir a nossa Terra várias vezes de seguida.

Com Mikhail Gorbatchov e a sua perestroika esta clivagem da humanidade começou a esbater-se. Ao ponto de hoje o comunismo não ser mais do que uma curiosidade histórica.

O capitalismo tinha tudo para cantar vitória. 

Mas depois, sem uma força antagonista, como o era o comunismo, entrou num processo de destruição autofágico. Desenfreado.

O que faz como que eu me questione… 

Num estado, o governo é como uma mãe e nós, os cidadãos, semos os seus filhinhos. Toda a mãe que se preze é suposto cuidar da sua criação, certo?...

Nos regimes ditos capitalistas actuais, o governo é como uma jovem mãe toda moderna e junkie. Deixa os seus catraios andarem ao Deus-dará. Subnutridos e cheios de piolhos. Porque só tem olhos para essa cocaína que é a economia. A que está agarradíssima. Uma carocha de merda, esta desnaturada mãe!...

Nos antigos regimes comunistas, por outro lado, o governo era como que uma velha e esclerosada mãe-galinha. Super-protectora dos seus rebentozitos. Obstinadamente repressora de quaisquer desvios dos seus pintaínhos mais escuros. Um amor de mãe castrador, portanto.

A melhor mãe para todos nós deve estar, concerteza, aquela que se posicionar a meia distância destes dois casos que se extremaram com o tempo.

Será que ela existe?...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

• Também quero!!!...

Ora deixa cá ver!... Afinal, eu sou um candidato a presidente das Nações Unidas. E também já o fui à presidência desta nossa nação lusa. Portanto, também me sinto no direito de ter uma.

Bom, admito! Fui e sou um candidato fantoche. Mas precisamente por isso mesmo é que eu merecia, mais do que outros que p'rái andam, que alguma dessas universidades que p'rái existem me desse um canudo de licenciatura de fantochada.

E dito isto assim, há que pedir perdão pela redundância. Porque julgo que a maioria dos canudos obtidos no ensino superior português, desde a proliferação das universidades privadas, devem, concerteza, ser de fantochada. Da treta. 

É que... Não vos parece, leitores, que só damos de caras por aí com doutores da mula russa???… Acaso não vos haveis perguntado amiúde, a meio duma reunião qualquer, isto: "em que porra de sítio é que este gajo andou a estudar?".

Mas voltando ao meu canudozito… Em que raio de curso superior é que eu me formarei?… Em que área é que eu não faria má figura, mesmo não tendo estudado a ponta dum corno? 

Já sei!!! A minha licenciatura oficial será em: Estudos astrológicos aplicados à macroeconomia global

Tenho dito. Afinal, esta é uma área do conhecimento humano em que até as maiores broncas são perdoadas com absoluta naturalidade aos mais supra-sumos crâneos humanos.

sábado, 30 de junho de 2012

• Cidadania à séria

Existe um lugar neste Portugalito onde vale a pena ser cidadão como deve ser! E não rasca, como o autor deste blog.

Por várias razões. Porque o lugar é de uma beleza rara e sublime, incomparável com o resto da paisagem lusitana, tal como Lord Byron nos fez ver. Porque lá em cada mais pequeno recanto se respira paz. Porque o ar que na serra e no mar nos enche os pulmões refresca até a alma. Porque lá todas as pedras contam histórias. Porque até lá apetece ir sempre. E estar. E viver.

E porque existe nesta terra abençoada de Sintra um bem organizado Banco de Voluntariado, quiçá exemplar para todas as restantes Câmaras Municipais da nação valente e imortal. Em que o acto de querer ser voluntário é de facto escutado. Em que são propostos aos cidadãos que querem voluntários reais desafios. Em que a dádiva desses cidadãos é mesmo não desperdiçada.

E é por isso, concerteza, que abnegados voluntários são lá em grande número. Nobre povo aquele, sim senhor.

Sintra vale mesmo a Pena.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

• Mar de calmaria

É o que tem sido este mês de Maio. Águas paradas. Vento ameno. Que vira as páginas, como se estas os dias fossem, uma a uma.

Mês de sementeira feita. A esperar que os frutos venham. Promessas de boas - excelentes, mesmo - colheitas a caminho. Ventos de feição se levantarão, para a navegação rumo ao futuro.

Maio arrancou, comigo andando aos caídos. Entregue às traças. Mas este final do mês está a ser agora um turbilhão crescente. A ponto de não ter havido lugar de pôr a escrita em dia. E até este post parece só para picar o ponto... E é.

Mas bem… Isto não é um muro das lamentações. Boa fortuna vem por aí. Já lhe sinto o perfume bem intenso. E há no ar um cheiro de terras distantes. Todas misturadas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

• Reciclem-me!...

Burj Khalifa Tower, o edifício
mais alto do mundo, no Dubai
No passado sábado, nesta ânsia de arranjar um novo emprego, fui a um evento denominado Open Day, promovido pela companhia aérea dos Emiratos Árabes Unidos: a Emirates.

Esta transportadora aérea tem neste momento, segundo nos afiançam, cerca de... 200 - sim, duzentos! - novos aviões em fase de encomenda, da Airbus, sobretudo. E querem assegurar, naturalmente, os profissionais em número suficiente para as diversas tripulações de bordo destas aeronaves todas.

O evento que refiro aqui foi, portanto, uma sessão de recrutamento de RH (recursos humanos). Para a função de Cabin Crew, especificamente. Que a Emirates está a tratar de organizar em dezenas das cidades mais importantes deste globo terrestre. Para info sobre o calendário destes eventos, clicar aqui.

Foi a entrevista de emprego mais surreal e deslumbrante a que alguma vez compareci, em toda a minha vidinha!…

Hospedeiras da Emirates,
com o seu peculiar uniforme
Imaginemos esse estereotipo da personalização da beleza feminina que é a hospedeira de bordo, na sua versão mais optimizada: alta, magra, bem trajada, bem cuidada, cabelo apanhado em rabo de cavalo atrás, porte irrepreensível, na faixa etária dos seus vinte anos, etc. Multipliquemos um tal exemplar ideal por trezentos. Temos assim um verdadeiro concurso de Miss Universo.

Eis o habitat de sonho em que me vi inserido, durante quase todo o santo dia desse sábado!...

Além de senhoras, também se encontravam lá um quase igual número de varões pré-trintões. Todos dum modo geral bem ataviados, as well. Embora não tão bonitos quanto as damas, vá, conceda-se…

A Emirates suscita assim um enorme interesse junto das pessoas que já trabalham nesta área. A grande maioria das pessoas que ali estavam davam a impressão de já serem de outras companhias aéreas, como a TAP Air Portugal, sobretudo.

É sem sombra de dúvida uma grande companhia aérea, a Emirates. Que pode oferecer condições de trabalho e de remuneração bem atractivas, ao nível do país que representa, os UAE, na sigla oficial que o designa em inglês: United Arab Emirates. É um empregador que nos promete todo um package salarial e de fringe benefits feliz.

Panorâmica nocturna do Dubai,
do alto da Burj Khalifa Tower
Mas a Emirates também pode dar-se por contente de ter a felicidade de assim conseguir cativar a nata da juventude dos países do chamado mundo ocidental. Até porque estes se encontram mergulhados num período de crise bem feia, devido à especulação desenfreada grassante nos mercados de capitais. Que transforma as economias destes países em algo tão instável e imprevísivel como jogos de azar em casinos.

Talvez a incerteza também atinja os UAE, mais tarde ou mais cedo. Mas enquanto isso não acontece, aquilo parece ser a sociedade ideal para viver lá. Uma rica vida assegurada para quem para lá queira emigrar, segurança pública garantida, bem estar social como não há em outra parte do mundo, atracções mil para os tempos livres, uma população urbana cosmopolita (cerca de cem nacionalidades a conviver harmoniosamente), etc.

Paragem de autocarro no Dubai,
equipada com ar condicionado
No evento foi dada informação sobre a cidade em que teríamos de passar a residir, caso fossemos seleccionados. A cidade símbolo do séc XXI, Dubai. E um dos factos referidos que mais me impressionou - entre muitos, apesar de eu ser uma pessoa já bem conhecedora dessa realidade extravagante que são os UAE - foi este: as paragens de autocarro no Dubai, devido ao clima quente, são uns confortáveis cubículos de paredes de vidro, com um design bem moderno e atraente, equipado com portas automáticas e com… ar condicionado.

O lema da Emirates é "Hello Tomorrow".  Apetece mesmo reciclar-me e renascer como um cidadão dubaiense, palavra!…

terça-feira, 17 de abril de 2012

• I need badly to get a job!

"Para que é que todos nós viémos ao mundo?" - perguntou à turma toda o professor de Religião e Moral, essa extinta disciplina escolar do currículo do ensino secundário do Portugal no início dos anos setenta do século passado.

E o desafio filosófico foi sendo respondido pelos alunos, todos mal acabados de ser instituidos como teenagers, de várias formas. Para sermos felizes. Para construirmos algo que fique para além da nossa partida. Para vivermos bem. Para amarmos a Deus. E etc…

"Não." - contestou o mestre, rematando a questão. "Viémos ao mundo para servir. Uns aos outros.".

Bom… embora rapidamente tenha concordado com o dito conceito, também depressa o meu egoísmo se desencantou com a ideia de ter de fazer algo para os outros, sempre até ao fim dos nossos dias. Mas é um facto. Viémos ao mundo para servir.

Até o mais poderoso dos homens, seja o presidente dos Estados Unidos ou o Papa ou alguma obscura figura que mande na economia global, se esta personagem existir, afinal… até estes dedicam a sua vida inteira a servir-nos a todos nós, os outros, seus subordinados ou crentes seguidores.

Pronto, não há nada a fazer. É preciso servir os outros. E na idade adulta isso é sobretudo conseguido com o nosso precioso tempo que empregamos a trabalhar. Entregamos esse tempo a quem nos paga um salário. Que nos permite depois viver desse recurso. Salvo seja, porque nem sempre isso é suficiente para sobreviver.

Eu tenho, pois, de arranjar como justificar a minha existência. Como? Servindo. Trabalhando. E ganhando dinheiro. Para poder sobreviver. E assim poder continuar servindo. Os nossos avós Adão e Eva foram expulsos do Paraíso; portanto, lá terá de ser...

Bom… A mim não me querem como voluntário na ilha do Corvo. Que é como que um grande navio parado e decrépito no meio do oceano. Na boa. Tásse bem. Mas então… 

Vamos tentar arranjar emprego num navio em constante deslocação por este mundo todo. Num daqueles grandes paquetes de cruzeiro. A servir àqueles que já gastaram uma grande parte da sua vida a servir outros. Os míticos reformados da Flórida, sempre estereotipados com suas bermudas caqui e garridas camisas havaianas. Um dia troco de função com eles. Talvez…

Ou é isto os altos voos de que falava no post anterior a este… ou então ser assistente de bordo numa companhia aérea. A servir uns abastados sheiks árabes. Pelo menos é o que o destino me está a botar à frente na presente comjuntura.

Vamos ver o que sucede. Tenho de fuçar bué to get a job. Aqui apenas a escrever estas linhas que ninguém lê é que não estou a servir para nada.

Tenho de me tornar num cidadão como os outros: útil. Não só rasca.

terça-feira, 10 de abril de 2012

• Falsa partida

Na ânsia de me sentir mais útil à sociedade - mais do que sendo apenas um bobo duma inexistente corte, que presume ser engraçado no que escreve nuns blogs que poucos cibernautas lêem, ou ninguém mesmo - resolvi tomar a iniciativa de me oferecer como voluntário para o que quer que fosse numa reduzida parte desta Terra sob soberania nacional, mas muito esquecida. 

Tal como eu, que ando muito desprezado pela humanidade e pelo mercado de trabalho. Deve ter sido por isso que tive a ideia peregrina e romântica de me pôr ao serviço duma comunidade tão pequenina quanto eu próprio me sinto.

O que eu pretendia com isto? Quiçá umas fériazitas de 2 a 3 meses, com alojamento e comidinha garantidas por algum bom criador de vaquinhas frísias e produtor de queijo do Corvo. Tentando ajudar o homem nos cuidados com os seus animais e pastos. Por exemplo. Ou fazer algum serviço burocrático para o município local ou empresa de transportes. Ou qualquer tipo de dinamização socio-cultural.

Não deu. Contactei a Câmara Municipal do Corvo, como mencionei num outro blog, cujo link está no texto acima, no primeiro parágrafo. Respomderam-me com amabilidade. Ao menos deram-me essa atenção. Mas que não precisam de voluntários. E julgaram que as minhas intenções eram arranjar um emprego na função pública na região autónoma dos Açores…

Dá-me vontade de proclamar… Hoje em dia postos de trabalho são bens tão escassos que não me atrevo a disputá-los com os demais, se a minha subsistência neste planeta puder ser assegurada com uma prestação de serviços a troco de cama, mesa e roupa lavada, para quem me adoptar como criança grande.

Já não vou perturbar a pacatez da ilha do Corvo. Que esta fique bem tranquila, lá no meio do Atlântico, como sempre. Tanto melhor para os corvinos e os cetáceos seus vizinhos… e talvez para mim também.

Porventura mais altos voos me esperam.