sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

• La política

"La política es la prostituta más cara que hay ahorita. Y la más fea, además."
Subcomandante Marcos*

E o fatal do seu proxeneta é a economia, Marcos!… Apraz-me acrescentar. E perdoa se te estrago o raciocínio, meu caro Subcomandante.

Esta economia mundial, da qual todos dependemos, em maior ou menor grau, que subjuga hoje em dia todo e qualquer ideal político, independentemente da sua valia, justiça, oportunidade ou humanitarismo.

Nem que a santa desta rameira quisesse, um dia por outro, vá lá, ser boazinha con nosotros… aparece logo o odioso cabrão do chulo a cortar as vazas porque sim e a lixar isto tudo!… 

E o pior é que a economia global é um Adamastor que criámos e que não sabemos agora dominar. E nem sequer os melhores "biólogos" responsáveis por este monstro conseguem prever os movimentos aleatórios dos seus tentáculos e a dimensão dos danos que podem causar. Nem aqueles que estudaram em York...

Não há ciência em que eu mais despreze o seu saber e os seus mentores que a economia.
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* Esta frase é extraída do contexto de uma entrevista realizada ao Subcomandante Marcos, líder do EZLN, Ejército Zapatista de Liberación Nacional, pelo jornalista Jesús Quintero, no programa "El Loco de la Colina", da cadeia estatal de televisão espanhola TVE. Para ler a transcrição dessa entrevista, clicar aqui. Para ouvir a primeira parte desta no YouTube, clicar aqui.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

• Não sejam piegas!...

Foi na segunda-feira passada, ao final da hora normal de expediente, no hipermercado Continente do C. C. Colombo, nesta Ulisseia que aguarda a vez que a tragédia grega se abata também sobre nós. 

Depois de ter andado a tarde toda a preencher fichas de inscrição e a anexar CV's a estas, em candidaturas expontâneas a empregos nas depauperadas empresas que ainda não faliram na República Portuguesa, fui rematar o meu périplo a fazer umas compras de géneros alimentícios para encher a malvada ao jantarito.

Estou com uma amiga que ainda mantém o seu emprego mas que está a receber um rendimento salarial bastante mais encurtado neste ano aziago que só agora arrancou. E por isso se viu forçada a me pedir para a ajudar, emprestando-lhe uns trocados para adquirir com que comer e pagar algumas contas até ao fim do mês.

Foi essa minha amiga que reparou nela. Naquela velhinha com trajes andrajosos, que contava as moedas pretas na palma da sua mão, para se assegurar que poderia comprar uma sopita, daquelas que se vendem já cozinhadas e embaladas em recipientes plásticos selados. Um artigo de custo aproximado de 1 euro ou 2…

"Tudo somado, concerteza que não vai dar para cobrir as minhas despesas."... Era esta a infeliz frase alheia que ecoou na minha memória naquela altura.

Claro, não era a senhora velhinha que a pronunciava… mas podia ser muito bem ela a pensá-la. Decerto alguns reconhecerão que a frase que evoquei acima saiu da boca de um desbocado algarvio que é o detentor actual do cargo público mais elevado e honorífico - mas que é tão copiosamente desonrado - que entre nós existe e que é por voto directo do povo outorgado.

A minha amiga não pôde suportar tal visão. E repartiu umas moedas do pouco que lhe emprestei para que aquela pobre senhora tivesse também, como nós todos, a sopa que a reconfortaria. Houve algum receio que o seu gesto fosse mal recebido… mas depressa ouvi um "Obrigado, minha filha; Deus te abençoe.", que me sossegou.

A boca do natural de Boliqueime que citei atrás tem-se mantido calada, nos últimos dias… O que é natural. É um homem que teve educação superior em economia, numa das melhores universidades do Reino Unido. E anda tratando agora de economizar as palavras, que às vezes esbanjá-las sai bem caro!…

E depois, talvez também escute as palavras de sabedoria de outro conterrâneo seu, António Aleixo*. Que embora se diga que seria bem menos letrado que o primeiro, talvez o batesse largamente aos pontos em sensibilidade, humanitarismo e sagacidade. São do nosso Aleixo, justamente, estas duas quadras que se seguem:

Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.

Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do Mundo,
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

Se o presidente da república Cavaco Silva lesse este blog, talvez lhe recomendasse a mesma lição de moral que o nosso actual primeiro ministro, Pedro Passos Coelho, quis dar aos portugueses nesta era de folia desautorizada ao povo: "Não sejam piegas!…"
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* Para consultar uma resumida biografia de António Aleixo, vide um recente post num outro blog meu, clicando aqui.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

• A história repete-se

Ao fim de cerca de dez anos a esta parte, a história repete-se com a minha pessoa: I'm between jobs. Again.

Desta feita, tenho mesmo de tomar as opções de vida mais correctas. Da última vez, fui um cidadão bué rasca. Acomodei-me muito. Agora, senhores, é mister ir à luta. E vai ter de se dar um duro danado, que a conjuntura não é nada mole... 

Ainda tenho de fazer algo nesta presente existência que seja motivo para que dêem o meu nome a uma rua de Lisboa. Ou de um qualquer lugarejo, nem que seja de uma aldeia abandonada de casas de xisto no alto da serra da Lousã.

Há que fazer mais do que apenas tentar sobreviver á tona de água. Mais do que ser só uma folha seca caída, ao sabor do vento que sopra de todas as direcções.

Agora tenho de fazer acontecer. Por mim e pelos meus patrícios.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

• Quis saber quem sou

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Assim começa a letra de "E depois do Adeus", escrita por José Niza e cantada por Paulo de Carvalho, bem conhecida de todos.

Hoje estive só, sentado no areal do Monte Estoril, a ler um livro antes do pôr do sol. E enquanto via o astro-rei a despedir-se de mim e dos outros como eu que apreciam ver o céu a tingir-se de ouro antes de enegrecer, cuidei que ali estava uma alegoria desta actual fase da minha existência.

Estou a entregar os pontos. Admito que a curva descendente já chegou. Renascerei alguma vez mais? Ou antes disso, ainda haverá lugar para fazer alguma coisa de jeito nesta desbaratada vida minha? 

O escritor que escolhi para ler ao lusco-fusco, Haruki Murakami, induz-me sempre reflexões introspectivas. E as suas narrativas despertam-me bastas vezes a velha impressão do "eu já vivi isto assim desta maneira também".

Depois de ter lido o que Sumire, personagem do romance "Sputnik, meu amor", pensava sobre si mesma, também quis saber quem sou. O que faço aqui.

E julgo que já pouco tenho a fazer aqui. A janela de oportunidade que tinha esfumou-se. 

Assalta-me hoje o saudosismo que nos outros eu abomino. Mas que agora abraço. E consolo-me com este pensamento que minoriza minha conjuntural tristeza: ao menos tive a sorte de ter nascido na melhor década de todos os tempos da humanidade. A de sessenta.

A década do arranque da esperança num mundo melhor. Da genuina esperança. E do maior feito do homem enquanto terráqueo. Que tão cedo não será repetido nem ultrapassado. A da pegada de Armstrong num solo doutro planeta.

No dealbar dessa década, em 1969, nas cadeias de televisão de todos os países houve um sucesso de audiências que foi uma telenovela à laia dos reality shows de hoje. Vimos imagens de três homens no espaço confinado e exíguo da nave espacial Apollo 11, cuja qualidade sofrível mais me assemelhava à das ecografias de bébés no ventre de sua progenitora. E de uma sala enorme em Houston cheia de gajos, todos "caixa d'óculos" engravatadinhos, especados em frente a mesas com monitores de televisão. Ou radares. Não, espera, diziam-me então que aquilo não eram televisores, não. Eram… computadores. Ó pai, o que são computadores?… 

O que faço eu aqui, afinal, nesta época de gestores e economistas? Eu, que fui cursar engenharia, de um modo romãntico. Porque a NASA estava cheia desses tipos, os engenheiros. Para que raio presto eu como cidadão nos dias cinzentos que correm? Não hei-de eu sentir-me rasca…

A páginas tantas, mor, o Paulo de Carvalho canta estas linhas na canção que mais se lhe colou à pele:

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
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Para escutar a banda sonora original (ost) deste post, clicar aqui. Esta letra encaixa tão bem no que sinto neste dia 4 de janeiro que findou!…

sábado, 31 de dezembro de 2011

• Feliz Ano Novo!!!…

Caros concidadãos,

Vamos lá despedirmo-nos deste 2001, o último ano em que gozámos desses benefícios em vias de extinção a que carinhosamente iamos chamando de subsídios de férias e de natal… e este ano alguns de nós, coitaditos, até nem tivémos o último por inteiro.

Tamém, deixem p'ra lá! Se o mundo vai acabar no dia 12 do 12 do 12*, p'ra quéque a gente quer o raio do subsídio p'ra comprar a treta das prendinhas?…
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* Parece que é uma profecia que os Mayas nos terão deixado… p'ra mais info sobre o calendário das festas do fim do mundo, clicar aqui.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

• Cuidado!..

Num dos blogs que sigo, "Refexões de um cão com pulgas", o qual é também um dos que mais me inspira para continuar blogando, vejo publicada esta ilustração que "roubei" ao dito blog, sem qualquer ponta de sentimento de culpa pelo descaramento.

Dum ponto de vista tecnológico, ou como se diz hoje em dia, de um geek, rótulo que se me cola à pele também, sem nenhum pejo, esta parece ser uma solução elegante a adoptar para o "embelezamento" paisagístico das nossas praias…

…acontece que julgo no entanto perigoso, para dizer o mínimo, que ofereçamos de bandeja estas ideias peregrinas ao bando de aves de rapina a que andamos p'rái a chamar de "Troika". Isto por facilitismo de linguagem, decerto. E para não melindrar as suas honradas mamãs.

Ou pior ainda, áqueles que acham que nos governam - mas são eles mesmos, em primeiro lugar, manipulados como fantoches dum teatro de rua de Dom Robertos - e que são bastas vezes mais papistas que o Papa, no que toca a extorquir. 

A não ser que queiramos pensar nas vantagens da implementação de tal medida, que o progresso imparável da nossa querida humanidade, inevitavelmente, um dia nos trará. É que assim será mais garantida a probabilidade de termos um lugar para estender a toalha no areal, onde e quando bem quisermos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

• Manual do Cidadão Rasca - intro

Hoje vou iniciar aqui neste blog uma série de contributos ou subsídios para a feitura do "Manual do Cidadão Rasca".

Esse será o meu livro fuchsia - é moda escolher uma cor para os livros doutrinários dos grandes pensadores e eu escolho esta cor, porque não?… - que será um guia para a minha resistência armada (em parva) contra o sistema, esse abstracto sacana.

Saber ser um Cidadão Rasca não é fácil e exige muita criatividade para sobreviver no meio dos não-rascas.

Talvez o primeiro mandamento do magnífico Manual do Cidadão Rasca deva ser este: em nome dessa sobrevivência, impõe-se fazer um recuo estratégico de quando em vez e deixar de ser Cidadão Rasca. Convertendo-nos num aldeão rasca.

Vejamos um exemplo duma medida neste sentido.

Isto de viver na grande Olissipo já deu o que tinha a dar. A tão apregoada e artificial crise que os media estão sempre a querer fazer-nos zumbir nos nossos ouvidos, a mando dos donos da economia global, está a dar-me ganas de me mudar para junto das planícies infinitas e passar a ver lá o nascer do sol todos os dias.

Vou começar já, inda antes da mudança, a procurar fundar uma espécie de vida social com os nativos dessas paragens idílicas, com recurso ao feicebuque. Que na tradição oral local tem uma pronúncia toda própria.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

• La brutezza del mondo

I tempi sono brutti. La gente sembra tutto brutto, pure. E io sono senza il mio scudo contro la bruttezza, per più di un anno ormai.

Come Sansone, mi sento debole. Per ho perso i miei capelli. Non i miei proprie capelli. Ma quei fili neri di capelli che ho potuto sentire l'odore quando mi è stato fissato nel mio letto di notte.

Ho perso anche i piedi che erano dall'altra parte. Piedi che amavo accarezzare, perché spesso mi hanno chiesto di farlo. Ed è stato un vero piacere per le mie mani per trasferire il mio calore a loro. Piedi che erano attaccati alle gambe che le mie gambe amavano essere intrecciato con loro. Che si è conclusa in un ventre che amavo ad abbracciare e baciare. Così come il petto. E sulle spalle dove ho usato per posare la mia testa. Le labbra che hanno perso il loro desiderio di incontrare i miei. Gli occhi così brillanti ai quali a volte gli ho causato le lacrime a scendere.

Diventa difficile senza tutte queste cose per lottare per la rivoluzione mondiale che gli nostri corrente tempi richiestano. O anche a pensare a come la lotta dovrebbe essere fatta.

Ho bisogno di tornare ancora una volta il mio scudo. O un altro simile. O anche uno più efficace. Voglio pensare a inventare iDemocracy. Il modo in cui Steve Jobs lo farebbe, se fosse appassionato di ridisegnare questo regime politico. L'unico degno di essere riprogettato.

Vedo ora che tutti i rivoluzionari e i combattenti per la libertà più grandi di questa terra devranno aver avuto il loro sostegno morale di fondo, sotto forma di una amante. Oppure, come potrebbero riuscire a ottenere la loro forza?

Anche Giovanna d'Arco - Jeanne d'ArcJoan of Arc, per i persone non-latine - aveva il suo cavaliere, il bravo Gilles de Rais, questo molto amato mostro sacro dei francesi della città di Machecoul, vicino a Nantes, sulla Loire.