segunda-feira, 21 de novembro de 2011

• La brutezza del mondo

I tempi sono brutti. La gente sembra tutto brutto, pure. E io sono senza il mio scudo contro la bruttezza, per più di un anno ormai.

Come Sansone, mi sento debole. Per ho perso i miei capelli. Non i miei proprie capelli. Ma quei fili neri di capelli che ho potuto sentire l'odore quando mi è stato fissato nel mio letto di notte.

Ho perso anche i piedi che erano dall'altra parte. Piedi che amavo accarezzare, perché spesso mi hanno chiesto di farlo. Ed è stato un vero piacere per le mie mani per trasferire il mio calore a loro. Piedi che erano attaccati alle gambe che le mie gambe amavano essere intrecciato con loro. Che si è conclusa in un ventre che amavo ad abbracciare e baciare. Così come il petto. E sulle spalle dove ho usato per posare la mia testa. Le labbra che hanno perso il loro desiderio di incontrare i miei. Gli occhi così brillanti ai quali a volte gli ho causato le lacrime a scendere.

Diventa difficile senza tutte queste cose per lottare per la rivoluzione mondiale che gli nostri corrente tempi richiestano. O anche a pensare a come la lotta dovrebbe essere fatta.

Ho bisogno di tornare ancora una volta il mio scudo. O un altro simile. O anche uno più efficace. Voglio pensare a inventare iDemocracy. Il modo in cui Steve Jobs lo farebbe, se fosse appassionato di ridisegnare questo regime politico. L'unico degno di essere riprogettato.

Vedo ora che tutti i rivoluzionari e i combattenti per la libertà più grandi di questa terra devranno aver avuto il loro sostegno morale di fondo, sotto forma di una amante. Oppure, come potrebbero riuscire a ottenere la loro forza?

Anche Giovanna d'Arco - Jeanne d'ArcJoan of Arc, per i persone non-latine - aveva il suo cavaliere, il bravo Gilles de Rais, questo molto amato mostro sacro dei francesi della città di Machecoul, vicino a Nantes, sulla Loire.

domingo, 16 de outubro de 2011

• O 15 de Outubro


Ontem foi o dia que se convencionou, sei lá bem por quem, para ser o de demonstrar a uma escala global, tal como a economia hoje é, a nossa indignação pelo estado desta última. Que em última instãncia, está a tornar as nossas existências terráqueas desconfortáveis.

Andamos mal habituados. Nas derradeiras duas a três décadas - pelo menos pelo que nós, tugas, nos vimos apercebendo localmente, que não apanhámos este comboio desde o início da sua marcha, que terá sido talvez nos finais da última grande guerra mundial, a WW II - vínhamos a inconscientemente nos acostumar a um nível de vida sempre crescente, sobretudo comparado com o dos nossos avós que nasceram no princípio do séc. XX. 

E agora a bolha está a começar a estoirar, como seria de esperar…

E como em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, desatámos a jogar as culpas uns nos outros e todos na economia. Que é uma coisa que uns julgam, pobres tontos, ser uma ciência exacta. Eu cuido que é mais é uma espécie de arte divinatória, como o é o Tarot… 

Digo tal porque os grandes crâneos - se calhar devemos passar a chamar-lhes xâmanes… - não foram capazes de prever o actual status quo da economia global e menos ainda de o controlar. No que não são diferentes de um qualquer professor Karamba, astrólogo afamado com gabinete no Poço do Borratém.

E posto que é assim, eu desisto. Quero lá saber de déficits, buracos financeiros - outros, sim… -, orçamentos gerais do estado, troikas, fundos monetários internacionais, em suma, tudo o que tenha a ver com o vil metal, que veio para dominar as nossas preocupações.

Maldito dinheiro que nos escravizas! Ditosos sois vós, nossos amigos animais, que não carecem deste para viver e nem percebem este conceito.

Já estou como Zeca Afonso. Não me obriguem a vir para a rua gritar. Não pelos meus pressupostos direitos a uma existência digna, que na nossa Constituição existem, vá lá, como boa intenção apenas. Daquelas de que a casa do demo está cheia. Letra morta, portanto. Antes gritarei, sim, mas que talvez já seja tempo de embalar a trouxa e zarpar…

Mas para onde partir? Onde ficará a Vila Diogo desta actual conjuntura, para lá ir dar? Só se for para aquelas raras paragens virgens que a civilização ocidental ainda não corrompeu.

E como ir? Se nem o tempo, embora bastante agradável para o ripanço, ajuda com um pouco de vento ou ondas… Como se ilustra na foto acima, captada no Mar da Palha, neste rio Tejo ao largo da capital, feito lago tranquilo, com um pequeno mas garboso veleiro riscando um lindíssimo espelho de água, lânguidamente.

É hora de parar. Ou andar mais devagar, porventura. Reflectir. Ficar zen. Rodearmo-nos de calmaria. Como este veleiro, curiosamente baptizado de "Patrícia II", nos inspira com esta visão dele, nesta semana em que o verão talvez se despeça até ao São Martinho.
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Para escutar a banda sonora original (ost) deste post, clicar aqui. Ou aqui, se preferirem uma versão acoustic... que sempre é mais "biológica"!...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

• Nine Eleven


Atrasado em tudo como eu ando, desligado das coisas do mundo, só mais de uma semana depois de terem passado 10 anos sobre essa data que mudou o mundo e a todos nós, o 11 de Setembro de 2001, resolvo botar faladura sobre o acontecimento.

Há dez dias atrás, não reparei que existissem muitos bloggers a falar também sobre o 9/11. E foi com alguma surpresa que li logo num blog, A Pipoca Mais Doce, - onde eu a priori nem esperaria assim grandes dissertações sobre a data fatídica - algo de bem interessante e inspirador.

A "nossa" Pipoca diz justamente algo que sempre interiorizei: "Não é um exagero dizer que este dia mudou o mundo. Tornou-nos a todos mais desconfiados, mais cínicos, mais inseguros.".

E conta-nos também como viveu esse dia que se nos assemelha já tão longínquo... E como ela, vou passar a fazer o mesmo. Contar como esse dia caiu em cima de mim. E o que se seguiu.

Era uma terça-feira igual às outras. Eu tinha acabado de gozar duas semanas de férias no pinhal de Leiria, baseado numa casa de pescadores da praia da Vieira. Tinha regressado ao dever da labuta diária na véspera, segunda-feira, como é normal. 

E a semana adivinhava-se calma. O fim do verão não é época de grande agitação no mercado da publicidade. Eu estava nessa altura numa agência que tem a fama de ser a mais criativa do mundo: a Saatchi & Saatchi. Na sua sucursal portuguesa, em Lisboa.

Eram quase duas da tarde, acho eu. Regressava de ter almoçado fora, talvez na extinta Feira Popular de Lisboa, em frente aos nossos escritórios. Estava a "acordar" o meu Mac, ia talvez ler uns emails antes de ver o que havia a fazer como trabalhos a despachar.

Uma colega minha vem-me dizer que tinha havido um avião que chocara contra um arranha-céus em New York. Alguns outros de nós já estavam a ver imagens da notícia no televisor da sala de reuniões. Olho para as torres do World Trade Center na pantalha e lembro-me de uma foto do choque de um avião contra o Empire State building, nos anos cinquenta, não sei precisar. Ainda a preto e branco. E digo com os meus botões que acidentes aeronáuticos destes só na América podem acontecer...

Volto para o meu estúdio gráfico, para ficar à espera que os meus "clientes" internos me venham solicitar os serviços que lá presto, não muito convencido de que o façam de facto... e eis que uns minutos depois, a mesma colega me informa que houve um novo embate de outro avião na outra torre do WTC...

Wow!... O mundo inteiro acorda! Acabámos de levar um murro no estomâgo. Isto não é algo casual. É algo orquestrado. Por algum génio do mal. Mas quem?... Quem poderá estar por trás de uma coisa a esta escala? Contra a nação mais poderosa do mundo... Que é afinal tão frágil... Mas agora vemos... Somos todos frágeis, afinal. Somos todos tão indefesos contra os monstros que pensaram isto!...

Quem quer que tenha querido que nós todos no mundo dito ocidental tivéssemos medo, conseguiu-o.

E o medo alastrou em ondas de choque, como quando uma pedra é atirada para o centro de um lago quieto. E o mundo dos negócios, atingido em cheio no seu coração, onde as pessoas não são particularmente reputadas pela sua coragem colectiva e são-no mais pelo pânico tão frequente... reagiu com seria de esperar.

Muitas companhias multinacionais com sede em New York cavalgaram a vaga de caos e destruição criados e desataram a encerrar muitas das suas sucursal branches. Cerca de duas semanas depois do 9/11 ficámos a saber que a representação local em Portugal da Saatchi & Saatchi ia ser fechada, por decisão suprema dos nossos big bosses yankees.

Ainda tive a sorte de receber um balão de oxigénio e fui contratado por outra agência de publicidade com headquarters nos States. Uma das tais que se dizem detidas por um dos famigerados fundos de pensões de reformados da Florida. Tive emprego por mais uns seis meses. Até que fomos todos once more fired.

Iniciei então uma travessia do deserto no desemprego por um largo período de alguns anos. E foi assim que me resolvi tornar um cidadão rasca.

E sobre o que é isso de se ser rasca na cidadania, dissertarei num próximo capítulo...

Nunca mais voltei a trabalhar no advertising. E isso não será mau de todo. Porque nesse mundo onde o brilho da criatividade de cada um é sempre tão efémero e tantas vezes vão, faz-se de tudo para dar nas vistas um pouco mais do que o vizinho do lado. E depois saem coisas onde os escrúpulos são esquecidos. Como o anúncio mostrado na imagem deste post, em cima.

O que pensarão desta criatividade sui generis os familiares das vítimas do 11 de Setembro?...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

• Acreditar

Não acredito em nada nem em ninguém. Nunca mais.

Assim Buddha, o desperto, nos aconselhava a comportarmo-nos.

Assim também o presidente da nação mais poderosa do mundo nos devia guiar. Ele e o nosso próprio presidente desta república portuguesa. Tal como o nosso primeiro-ministro. O nosso presidente da câmara municipal local, também. Até mesmo o presidente da junta de freguesia... 

Mas isto é uma verdade esmagadora que eles não podem dizer a todos nós... Que importa? Nós já o sabemos.

domingo, 7 de agosto de 2011

• Essa coisa chamada Moody's - parte II

Parece que não é só a nós, tugas, que essas coisas a que chamam de "agências de rating" - seja lá p'ró que isso serve, que eu não sei... - resolveram chatear a molécula...

Continuará Barack Obama a dizer "we're not Portugal" por quanto mais tempo?... E porque é que a gente se devia continuar a aborrecer com merdas sem jeito nenhum como estas, hein?...

À fava os lobbies que "fabricam" as notícias e os acontecimentos!... Puseram os labregos todos a falarem de repente dessa coisa chamada Moody's, uma trampa que até agora 99,973% dos lusitanos nem sabia que existia. E que dum momento p'ró outro, parece que são todos entendidos na matéria... Chega de areia p'rós nossos olhos. Já basta a que o vento me força a engolir por todos os poros e orifícios aqui no Guincho!...

E o que eu gosto do assunto Economia, meus deuses... cada vez mais.
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Nota: Estamos em Agosto. Para quem ainda não notou... Vou inaugurar neste mês de férias uma série de posts light, fresquinhos e, sobretudo, curtos q.b. E cada vez mais rascas!... Há que lixá-los! Sem meias medidas. A todos. Aos nossos poderosos de cá e aos gringos locos, que mexem os cordelinhos da ecomonia global, sem saberem ler nem escrever. Cambada de toscos!...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

• Essa coisa chamada Moody's

Ando voluntariamente desligado de toda a realidade, mesmo desde antes das últimas eleições parlamentares. 

Não tenho puto de interesse em acontecimentos políticos ou sociais hoje em dia. Mas há sempre qualquer coisinha a fazer-nos cócegas ao bestunto, claro. E só por isso vou discorrer sobre o fenómeno Moody's...

Gerou-se p'rái uma onda de indignação pátria porque essa coisa chamada Moody's, que parece que é uma "agência de rating", seja lá o que isso fôr, que eu de economia pouco quero saber... - pareceu-me, talvez, ou serei só eu, com a minha picuinhice, que dum momento p'ró outro os entendidos lusos nessa área surgiram de debaixo do chão em grande número!... - teve o desplante de classificar o activo Portugal como... lixo.

Claro, os tugas desataram logo todos - menos eu... - a vociferar contra esta agência. Como se percebessem todos de repente de economia a potes. 

Para mim, que tenho a mania de pensar, não sei se bem ou mal, vi isto como uma atitude típica de menino com mimo a mais que estava a ser reprendido por um mestre. Sei bem que nada é tão simples assim, mas bom...

Depois, detestei a hipocrisia. Antes, quando alguma agência de rating - como creio que a Standard & Poor's (literalmente, normal e pobre...) o fez - servia para reforçar o velho e burgesso queixume "a culpa é do Sócrates!", aleluia, que até os americanos nos estão a dar razão.

Agora, que os aprendizes de feiticeiro Pedro Passos Coelho & cia. lda. - oxalá atinem, espero eu... - estão a inventar cum'ó caraças e ainda vão lixar isto ainda mais do que o antigo bode expiatório terá lixado... os gringos já são uns cabrões (bodes mais do que expiatórios) da pior espécie. Lindo!...

É o povo português no seu melhor...

E ainda ninguém disse, expressando-se na língua de Camões, que os gajos da Moody's estão certos. Mas alguém com juizo quer emprestar dinheiro a nós, estado português? Só se não tiver ninguém mais de confiança a pedir-lhe uns cobres. E em desespero de causa resolva emprestar, mas cobrando juros com língua de palmo. Como essa outra coisa da troika, ou lá o que é isso... FMI e restante confraria de la plata. Que é um saco sem fundo.

Eu vou ali e já volto... isto tá entregue aos bichos!...

Desculpem-me, meus pares lusitanos, mas tenho andado possesso...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

• Ódio

O ódio é um sentimento que eu resolvi banir da lista dos que me dou ao luxo de experimentar. Só há algo que tenho por força de continuar a odiar: o ódio, ele próprio.

Isto serve de preâmbulo à expressão da minha estupefacção perante a ressurreição de uma figura política dada como na prateleira e que Pedro Passos Coelho, dando um tiro no pé - esta gente não aprende mesmo... - foi desinquietar. Mais valia estar sossegadinho... mas ainda bem para as minhas cores que esta gente é incapaz de não fazer asneira.

Num odioso discurso - digo odiosas as palavras e não a pessoa em si que as proferiu, que só me inspira hoje uma bem pequena compaixão - Manuela Ferreira Leite, esse zombie político, veio gritar ás massas que não ficaria sossegada se José Sócrates se quedasse sequer na oposição ao futuro governo, que ela antevê já estar nas mãos do seu partido, que ela tão bem conduziu a uma derrota eleitoral nas últimas legislativas.

Uma manifestação pública de um sentimento tão baixo quanto o é este ódio político, pessoal, visceral, eu sei lá que mais, que esta senhora nutre por José Sócrates é abjectamente odioso. E num país culto, faria com que o partido desta senhora perdesse imensos votos. Mas estamos na Lusitânia... onde habita um povo canalha e que vibra com baixesas destas.

José Sócrates não morrerá de amores pela distinta senhora, também não, concerteza... Mas terá a dignidade de não o proclamar em público, tanto quanto eu me apercebo. Porque a sua assertividade inicial de há seis anos a esta parte também tem vindo a decrescer. Pudera, ele é apenas humano. E eu acho que raras vezes terei visto alguém sob um fogo cruzado tão intenso e prolongado no tempo como este homem esteve.

Acho até que o staff de Pedro Passos Coelho terá utilizado aquela senhora que atrás referi para espicaçar a conhecida irascibilidade de Sócrates. Os fins, para alguns, justificam os meios. 

Para mim, não. Prefiro andar com a coluna direita. E acho que esta é a pedra de toque que separa os do bem dos outros demais.

Se me fosse dado a escolher, meus deuses, eu gostaria que fossem os que mais se aproximam do bem que saissem vitoriosos no próximo domingo... mas isso é pedir demasiado p'ra nós, portugueses canalhas. Só temos a sorte que merecemos, afinal...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

• Zen...

Nestes tempos que correm, de FMI's, de troikas, de eleições intercalares que se avizinham, de guerras fraticidas no Magreb, que podem ser rastilhos acendidos em direcção a estáticos barris de pólvora...

Nesta era de um presidente dos States, moreninho, chamado Hussein, que se vangloria perante o mundo inteiro de ter dado a ordem final de assassinato de um alegado monstro - como alegadamente existentes eram também pelos seus precedentes pares as armas de destruição maciça desse outro monstro, Saddam, com o mesmo apelido começado em H -  cuja lenda foi construida, divulgada e "vendida" ao mundo, qual Odisseia negra, não pelos - mais uma vez - alegadamente numerosos partidários desse inimigo imáginário, esse Obama, perdão, Osama bin Laden, mas pela intelligence americana...

Nestas horas actuais, que nem sei se conturbados, em que eu julgo que I couldn't care less, de tal modo ando alheado daquilo que ao meu redor se passa e que me deveria afectar, assalta-me esta dúvida socrática: será que é bom estar assim?...

Apesar dessa questão filosófica introspectiva me ocupar um pouco os pensamentos, o facto no entanto permanece. Je suis totalement ailleurs.

Sinto-me velho. E a pregar sempre e cada vez mais sozinho. Mas... como uma voz minha amiga dizia amiúde... Zen!